Tela azul

— Mamãe, há pessoas que adoram o computador?

— O computador é um ídolo para a pessoas, mamãe?

João continua sem computador porque não vê a mãe diante de telas, mas conversamos sobre os tempos em que vivemos. Não tenho conta na rede social, não trabalho fora e, por isso, recebo poucos e-mails sem urgência para respostas. Eventualmente, de madrugada ou quando o João não está, acesso a internet. No wordpress, tem um recurso de agendar publicação. Posso entrar apenas uma vez por mês, e postar. Pronto. São palavras ouvidas em silêncio. A vida segue no tempo do sítio, mas nas poucas horas que fico na rede, preciso ter uma vontade forte para não me deixar enlaçar.

O sítio desloca meu olhar das telas.

Não há sites, há sítio.

Mas não é assim para milhares de pessoas. O Brasil é o país do mundo que tem o maior índice de usuários viciados em internet. Milhares de famílias viciadas em internet. Podem até ficar sem álcool ou cigarro, mas não ficam sem a rede. Para piorar a situação, é vício, principalmente, em rede social. Vício em imagens. Vício que arrebata a alma.

Em nenhum país do mundo as pessoas expõem tanto a vida pessoal – roupas sensuais, cabelo, maquiagem, viagens, relacionamentos, bebidas e comidas, os filhos, o corpo – quanto no Brasil. Todo mundo faz – todo mundo no Brasil –, parece obrigatório – como se para existir fosse preciso existir na rede. Parece normal, mas não é. É patológico porque não se divulga conceitos, se divulga o corpo. Porque se divulga corpos a pretexto de conceitos.

É preciso conectar para estar conectado, seguir para ser seguido, curtir para ser curtido, enquanto a vida segue em outro tempo. E o tempo passa.

Pior do que não ter acessado um vídeo-minuto que some na rede com hora marcada é perder a dimensão de estar no mundo e ser livre. Seja lá qual for a mensagem, se boa ou má, se cristã ou não, o vício na rede é servidão voluntária. É viver no Egito.

Que mal há nisso?

As crianças crescem inseridas dentro dessa cultura viciante. Há sérias implicações.

Crianças de até dois anos de idade jamais deveriam ser colocadas diante de telas, afirma a Sociedade Norte-americana de Pediatria. Mas elas não só estão diante de telas, como veem as mães e pais diante de telas. Como os pais podem esperar algo mais do que selfs para o futuro dos filhos? O futuro chega amanhã bem cedo.

Recentemente, pesquisa realizada na Universidade de Haifa, em Israel, concluiu que a maioria das telas de computador, tablet, televisão, smartphone emitem uma “luz azul” que danifica os ritmos do corpo e do sono, desregulando a produção hormonal de serotonina. Qualquer tempo de exposição à luz azul das telas, em qualquer horário do dia, perturba o funcionamento do organismo.

Em crianças que vão dormir tarde da noite, após horas em frente às telas, a situação é ainda pior: a produção e liberação de hormônio de crescimento podem ser até inexistente. O mesmo ocorre com outros importantes hormônios que regulam o corpo, tais como leptina (hormônio da saciedade), cortisol (ligado à estabilidade emocional, controle de infamações e alergias) e TSH (regulação da tireoide). Além disso, a luz azul prejudica a regulação da temperatura corporal, provocando interrupções do sono.

Portanto, o conteúdo pode ser até apropriado, mas as telas causam danos físicos. Fazem seu filho dormir menos e mal. E se falta o sono adequado, falta tudo, pois o sono está ligado ao crescimento, memória, inteligência, emoções, saúde física, adoecimento, sistema imunológico, doença simples e graves. O sono define a vida. O sono refaz a criança.

Para cada hora de tela, perde-se 15 minutos de qualidade de vida, apontam pesquisas. Assim, se eu seguir a cartilha do equilíbrio, meu filho, que ainda não tem condições de fazer suas próprias escolhas, poderá ficar um pouquinho no computador, assistindo a um documentário selecionado, e perder um pouquinho da sua qualidade de vida. O discurso do equilíbrio não é um discurso cristão.

Reportagem da revista Veja afirma que, na última década, a depressão entre jovens aumentou 40%. Para os pesquisadores, a internet está relacionada diretamente ao adoecimento mental. Os números são aterradores, mas os pais dormem diante das telas. O computador suprime a vida.

Se não há telas tem que existir um sítio. Só sítios combatem sites.

Aqui no sítio, há uma família de agricultores descendentes de italianos. O vô trabalha sol a sol, o filho trabalha na terra, o neto segue o mesmo caminho. Não há tempo para internet.

Lugar de criança é na natureza.

Cada árvore é um link para a imensidão. Seu nome popular e científico, sua composição, forma e flores e frutos ensinam a ciência de Deus. A luz azul vem do céu e não há escuridão.

É difícil para homens e mulheres estabelecer os limites na questão de tirar fotos […].. Um ídolo é qualquer coisa que os seres humanos amam e em que confiam, em vez de amar o Senhor, seu Criador, e confiar nEle. Qualquer coisa terrestre que os homens desejam e em que confiam como tendo poder para ajudá-los e lhes fazer bem, desvia-os de Deus e é um ídolo para eles. Tudo que divide as afeições ou arrebata da alma o supremo amor de Deus ou se interpõe para evitar a ilimitada e inteira confiança em Deus assume o caráter e toma a forma de um ídolo no templo da alma.
Ellen White.

antesquecrescam

— Mamãe, há pessoas que adoram o computador?

— O computador é um ídolo para a pessoas, mamãe?

João continua sem computador porque não vê a mãe diante de telas, mas conversamos sobre os tempos em que vivemos. Não tenho conta na rede social, não trabalho fora e, por isso, recebo poucos e-mails sem urgência para respostas. Eventualmente, de madrugada ou quando o João não está, acesso a internet. No wordpress, tem um recurso de agendar publicação. Posso entrar apenas uma vez por mês, e postar. Pronto. São palavras ouvidas em silêncio. A vida segue no tempo do sítio, mas nas poucas horas que fico na rede, preciso ter uma vontade forte para não me deixar enlaçar.

O sítio desloca meu olhar das telas.

Não há sites, há sítio.

Mas não é assim para milhares de pessoas. O Brasil é o país do mundo que tem o maior índice de…

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