O povo de Deus não perece mais por falta de conhecimento…

Não é por falta de conhecimento que o povo de Deus está perecendo agora. Não hão de ser condenados por desconhecerem o caminho, a verdade e a vida. A verdade que lhes alcançou o entendimento, a luz que lhes brilhou na alma, mas que foi negligenciada e recusada, há de condená-los. Os que nunca tiveram a luz que pudessem rejeitar, não estarão sob condenação. Que mais poderia ter sido feito pela vinha do Senhor? A luz, preciosa luz, brilha sobre o povo de Deus; mas não os salvará, a menos que consintam em ser por ela salvos, vivendo plenamente à sua altura, e transmitindo-a a outros que se acham em trevas.”

Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, vol.2, p.123, ênfases acrescentadas.

T2 123

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A Ciência Médica e o Espírito de Profecia

0_ellenwhite_00jcjcConclui um pequeno livreto chamado “A Ciência Médica e o Espírito de Profecia”, compilado em 1973, trazendo comprovações da ciência médica, da época, que comprovam os escritos da irmã White. Abaixo, alguns temas citados no livreto e trechos.

“Quando se leem obras da Srª White como A Ciência do Bom Viver ou Conselhos Sobre o Regime Alimentar, fica-se impressionado pela correção de seus ensinos à luz da ciência nutricional moderna. Só se pode conjecturar quanto melhor a saúde poderia gozar, em geral, o americano, embora quase nada soubesse da ciência moderna, se tão- somente seguisse os ensinos da Srª White. – Review and Herald, 12-2-1959.” (p.7)

“Deus dá prova suficiente para a mente sincera crer.” [T5, 675] (p.8)

“Deus é o autor da ciência. As pesquisas científicas abrem ao espírito vasto campo de ideias e informações… A verdadeira ciência contribui com novas provas da sabedoria e do poder de Deus.” [CPPE, 383] (p.8)

“A Srª White teve apenas três anos de educação escolar, de modo que os conselhos que ela apresentou como princípios de vida melhor devem ser atribuídos à especial guia do Criador. A ‘visão sobre a reforma de saúde’, de 6 de junho de 1863, relacionada com drogas, regime alimentar e hábitos de vestir insalubres, é caso que vem a propósito. Essa visão foi publicada no meado de 1860 em: An Appeal to Mothers; Spiritual Gifts, Vol.4; Health, or How to Live, nº 1-6; e Testimonies for the Church. Visões subsequentes levaram Ellen G White a ampliar esses primeiros escritos sobre saúde, em Christian Temperance and Bible Hygiene (1890) e nos conhecidos livros A Ciência do Bom Viver, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, Educação etc.” (p.8)

“A Srª White não era uma estudada cientista. Ela escrevia sobre o assunto quando o Espírito do Senhor a levava a comunicar verdades importantes, necessárias à saúde espiritual, mental e física dos cristãos e do mundo em geral. Acentuando um ponto relativo à nutrição, em 1901, explicou ela, significativamente: ‘Os por quês e para quês disto eu não sei, mas dou-vos as instruções como me foram dadas.’ – Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág.344.” (p.8 e 9)

[Abaixo alguns pontos tratados no livreto, os compiladores comparam as citações citadas com testemunhos de revistas científicas da época.]

  • Poluição de nossa atmosfera e da Terra – TS3, 113; CBV, 365; ME2, 52; VC, 29.
  • Efeitos benéficos da luz do Sol – ME2, 462; CBV, 274, 276.
  • Regime defeituoso e pobreza de intelecto – LA, 252; Te, 150; TS2, 492.
  • Café, chá e doenças inexplicáveis – CBV, 326.
  • Gorduras e doenças no coração e dos vasos do sangue – T2, 61; CRA, 393, 394;

“Tanto o sangue como a gordura de animais são consumidos como uma iguaria. Mas o Senhor deu instruções especiais quanto a não deverem eles ser comidos. Por quê? Porque seu uso ocasionaria uma enorme corrente sanguínea enferma no organismo humano. A desconsideração das direções especiais do Senhor tem trazido uma porção de dificuldades e doenças aos seres humanos… Se eles introduzirem no próprio organismo aquilo que não pode formar carne e sangue de boa qualidade, têm de suportar os resultados de seu menosprezo à Palavra de Deus.” [CRA, 393/394]  

  • Açúcar e doenças – CSa, 154; CBV, 301, 302

“O livre uso de açúcar em qualquer forma tende a obstruir o organismo, e não raro é causa de doença.” [CSa, 154]  

“Bolos, pudins, pastelarias, geleias, doces, são causa ativa de má digestão. Especialmente nocivos são os cremes e pudins em que o leite, ovos e açúcar são os principais elementos. Deve-se evitar o uso abundante de leite e açúcar juntos.” [CBV, 301/302]  

  • Exercício e circulação do sangue – CBV, 238; T3, 78; T2, 529.

“A inatividade é causa prolífera de moléstias. O exercício aviva e equilibra a circulação do sangue, mas na ociosidade o sangue não circula livremente, e não ocorre, as mudanças que nele se operam, e são tão necessárias à vida e à saúde. Também a pele se torna inativa.” [CBV, 238]  

“Não existe exercício capaz de substituir a marcha. Por ela é muito melhorada a circulação do sangue.” [T3, 78]  

  • Uma sesta ou uma caminhada após as refeições? – CSa, 565 e 566; CRA, 103 e 104.

“O Espírito de Profecia preconiza o exercício moderado, após as refeições. Recomenda um passeio leve.” (p.25)

“O exercício ajuda ao dispéptico, dando aos órgãos digestivos um tônus saudável. Empenhar-se em estudo profundo ou exercício violento imediatamente após a refeição, perturba o processo digestivo, pois a vitalidade do organismo, necessária para promover o trabalho da digestão, é desviada para outras partes. Mas uma breve caminhada após a refeição, com a cabeça ereta e os ombros para trás, num exercício moderado, é grandemente benéfica.” [CRA, 103 e 104]

  • Uso do sal – CRA, 344; CBV, 305.

“Não useis sal em quantidade.” [CBV, 305]

  • Câncer e suas causas – CBV, 313; T3, 563; T9, 159; CRA, 267; ME2, 447 e 449; OC, 444 e 445
  • Fumo – CBV, 327 e 328

“O fumo é um veneno da mais enganosa e maligna espécie, tendo efeito excitante, depois paralisante, sobre os nervos do corpo.” [Te, 59]  

“O fumo é um veneno lento, insidioso, mas por demais maligno.” [CBV, 327, 328]

  • O álcool, o cérebro e a vida – Te, 59; CBV, 344; Te, 278.

“O uso da bebida espirituosa ou do fumo destrói os nervos sensitivos do cérebro, e embota as sensibilidades.” [Te, 59]

“O homem que formou o hábito de usar intoxicantes, encontra-se em situação desesperada. Tem o cérebro enfermo, enfraquecido o poder da vontade. No que respeita a qualquer poder de sua parte, é incontrolável o apetite da bebida para ele. Não se pode raciocinar com ele nem persuadi-lo à renúncia.” [CBV, 344]

“O beber imoderado é a escola em que homens se educam para a carreira do ébrio.” [Te, 278]

  • Drogas e defeitos de nascença – ME2, 442; PP, 561

“Como resultado da intemperança paterna, as crianças muitas vezes têm falta de força física, e de capacidade mental e moral.” [PP, 561]

  • Atividades físicas para doentes e convalescentes – T1, 555; T2, 529.

“… me foi mostrado que aos doentes deve ser ensinado que é errado suspender todo o trabalho físico para recuperar a saúde. … suspender a atividade para reaver a saúde, é grande erro.” [T1, 555]

“Amarrem o braço e deixem que ele fique sem ser usado, mesmo por algumas semanas, e livrem-no então de sua prisão, e descobrirão que estará mais fraco do que aquele que foi usado moderadamente durante o mesmo tempo. A inatividade produz o mesmo efeito sobre o sistema muscular todo.” [T2, 529]

  • Hipnose e clínica médica – ME2, 349 e 350

“Separai de vós tudo quanto tem sabor de hipnotismo, a ciência pela qual operam os instrumentos satânicos.” [ME2, 349, 350]

“Não devemos intrometer-nos com o mesmerismo e o hipnotismo – a ciência daquele que perder seu primeiro estado, e foi expulso das cortes celestiais.” [Medical Ministry, 110 e 111]

  • Relação entre a mente e o corpo – T1, 566; T3, 184; CBV, 241.

“O que traz doença ao corpo e à mente de quase todos, são os sentimentos de descontentamento, e as murmurações de quem está mal satisfeito.” [T1, 566]

“Poucos, porém, reconhecem o poder que a mente tem sobre o corpo. Grande parte das doenças que afligem a humanidade tem sua origem na mente e só podem ser curadas pela recuperação da saúde por parte da mente.” [T3, 184]

“Muito íntima é a relação que existe entre a mente e o corpo. Quando um é afetado, o outro se resente. O estado da mente atua muito mais na saúde do que muitos julgam… Desgosto, ansiedade, descontentamento, remorso, culpa, desconfiança, todos tendem a consumir as forças vitais, e a convidar a decadência e a morte.

“A doença é às vezes produzida, e com frequência grandemente agravada, pela imaginação. Muitos que atravessam a vida como inválidos, poderiam ser sãos, se tão-somente assim o pensassem. … Muitos morrem de doença de origem inteiramente imaginária. … No tratamento do enfermo não se deve esquecer o efeito da influência mental. Devidamente usada, essa influência proporciona um dos mais eficazes meios de combater a moléstia.” [CBV, 241]

  • Correntes elétricas no cérebro e no sistema nervoso – T2, 347; T3, 157.
  • Precauções com os raios X – 204, ME2, 303.
  • Influência pré-natal – ME2, 431; CBV, 372, 373; LA, 257.

“O bem-estar da criança será afetado pelos hábitos da mãe.” [CBV, 372]

  • Primeiros anos da vida infantil – OC, 193; CPPE, 132; OC, 194.
  • Quando a criança está preparada para a escola? – T3, 137.

 

Ellen White fez profecias que não se cumpriram?

Confira respostas a questionamentos sobre algumas predições da pioneira adventista

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A Bíblia estabelece os critérios para se reconhecer um profeta verdadeiro. Entre esses, está a realização de suas previsões (Dt 18:22), um indicativo de que o profeta em questão realmente recebeu mensagens Daquele que é presciente e conhece o fim desde o princípio (Is 46:10). Os autores da Bíblia atendem a esse requisito, uma vez que as predições bíblicas têm se cumprido ao longo da história.

Mas não foram só os cerca de 40 autores da Bíblia que foram profetas. A própria Bíblia descreve muitos outros que não escreveram uma linha sequer das Escrituras Sagradas, mas que trouxeram mensagens inspiradas por Deus ao mundo. A lista inclui Abraão (Gn 20:27), Arão (Êx 7:1), Miriã (Êx 15:20), Débora (Jz 4:4), Eliseu (2Rs 9:1), Hulda (2Rs 22:14; 2Cr 34:22), a esposa de Isaías (Is 8:3), João Batista (Mc 11:32), Ana (Lc 2:36), Ágabo (At 21:10) e as quatro filhas de Filipe (At 21:9).

A Bíblia também menciona profetas que escreveram livros que não compõem o cânon bíblico. Entende-se que essas obras foram inspiradas por Deus, mas não estão na Bíblia porque sua mensagem tinha uma aplicação para pessoas específicas que viveram em determinada época, ou porque seu conteúdo apenas repete ou explica o que está nos livros da Bíblia. Entre esses livros, a Bíblia menciona: uma carta do profeta Elias (2Cr 21:12); um livro sobre a vida do rei Uzias, escrito pelo profeta Isaías (2Cr 26:22); os escritos do profeta Natã (2Cr 9:29); o livro do profeta Aías (2Cr 9:29); o livro do profeta Ido (2Cr 9:29; 12:15; 13:22); o livro do profeta Semaías (Cr 12:15); as crônicas do profeta Jeú (2Cr 20:34); um volume de Lamentações de Jeremias sobre a morte de Josias (2Cr 35:21); uma carta de Paulo escrita aos cristãos coríntios anteriormente à carta de 1 Coríntios encontrada na Bíblia (1Co 5:9); outra carta aos coríntios escrita entre 1 e 2 Coríntios, cheia de repreensões, mas que não está na Bíblia (2Co 7:8); uma carta de Paulo aos laodicenses (Cl 4:16); e um possível evangelho escrito por Paulo (Rm 2:16; 16:25; 2Tm 2:8).

Mesmo não tendo como saber tudo o que esses profetas disseram e escreveram, cremos que eles, sua mensagem e seus escritos atenderam aos critérios bíblicos de um verdadeiro profeta, independentemente de estarem na Bíblia. Caso contrário, não seriam chamados assim nas Escrituras. A Palavra de Deus tem a autoridade doutrinária sobre o cristão (2Tm 3:16, 17), mas, se nem mesmo na época de composição do cânon bíblico Deus restringiu Sua revelação ao que deveria compor a Bíblia, por que seria diferente após a conclusão do livro sagrado?

O dom de profecia tem sido dado por Deus a homens e mulheres ao longo da história. Na Bíblia, há a predição de que, no tempo do fim, pessoas receberiam revelações especiais de Deus (Jl 2:28-31; At 2:17-21; 1Co 14:1). Cada vez mais, diferentes segmentos do cristianismo aceitam a verdade bíblica de que a manifestação dos dons espirituais, entre eles o dom de profecia, não ficou restrita ao período de composição das Escrituras e é uma dádiva de Deus que será concedida à igreja até a segunda vinda de Cristo (1Co 13:8-13).

Entre as pessoas em quem se reconhece a manifestação do dom de profecia está Ellen White (1827-1915). Essa senhora recebeu aproximadamente 2 mil visões e sonhos proféticos entre 1844 e o ano de sua morte. Seu trabalho foi essencial para a formação e organização da Igreja Adventista do Sétimo Dia. De sua lavra, foram produzidas cerca de 35 mil páginas de conteúdo impresso, entre livros, folhetos e artigos de revista, além de centenas de cartas, sermões, manuscritos e vários diários. Esses escritos são frequentemente chamados de “Espírito de Profecia”. Entende-se que os textos de Ellen White são inspirados por Deus da mesma forma que a Bíblia é, mas os escritos dela são uma mensagem específica para o povo de Deus no tempo do fim e não têm a mesma autoridade da Bíblia. Sua importância e autoridade é semelhante ao que os profetas antigos falaram ou escreveram inspirados por Deus, mas que não está na Bíblia.

A maior parte dos escritos de Ellen White trata de Jesus Cristo e do plano da salvação (seu assunto preferido), ou são comentários sobre passagens bíblicas e conselhos sobre a vida cristã, educação, saúde, liderança e a vida em família. No entanto, ela também fez algumas predições ou fez afirmações científicas e históricas que só se confirmaram bem depois de ela as ter dito ou escrito. Apesar disso, é acusada de ter feito algumas profecias que nunca teriam se cumprido.

Desde o início de seu ministério profético, Ellen G. White teve seu dom de profecia contestado inúmeras vezes por vários opositores. A maioria dos ataques contra Ellen G. White já foi respondida. O livro de Francis D. Nichol, Ellen G. White and Her Critics (Review and Herald, 703 páginas), concentra praticamente todos os questionamentos possíveis feitos contra o que Ellen G. White escreveu ou disse. Mesmo assim, muita gente tem dúvida a respeito de afirmações feitas pela profetisa sobre o futuro e que, supostamente, não se realizaram. A seguir, há uma lista de quatorze previsões de Ellen White que tem sido usada por muitos para desacreditarem a autenticidade de seu dom profético. Cada uma dessas predições supostamente não cumpridas é acompanhada de um comentário explicando porque os argumentos não desqualificam Ellen G. White como uma autêntica demonstração de alguém que, em época relativamente recente, recebeu do Espírito Santo o dom de profecia.

  1. Questionamento. Ellen G. White predisse que a Inglaterra declararia guerra contra os Estados Unidos. Sua profecia com relação à Inglaterra dizia respeito à Guerra Civil americana e não se cumpriu (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 259).

Resposta. Na página citada, escrita em 1862, durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, Ellen White escreveu: “A Inglaterra está estudando se é melhor tirar proveito da presente condição do país, guerreando contra ele. Examina a questão e sonda outras nações. Teme que, se iniciar uma guerra no exterior, ela se enfraqueça e outras nações possam tirar proveito da situação. Outros países estão fazendo preparativos silenciosos, mas diligentes, para a luta armada e esperando que a Inglaterra combata os Estados Unidos, para então terem a oportunidade de vingar-se da exploração e injustiças de que foram vítimas no passado. Uma parte dos países sujeitos à rainha está esperando uma chance favorável para quebrar seu jugo. Mas se a Inglaterra pensar que isso valerá a pena, não vacilará um momento para aumentar as chances de exercer o poder e humilhar nosso país. Quando a Inglaterra declarar guerra, todas as nações terão interesses próprios a atender, haverá guerra e confusão totais.”

Nessa citação, Ellen G. White revelou a seus leitores que o alto escalão do governo britânico considerava intervir na Guerra Civil Americana, mas a possibilidade de que a participação inglesa no conflito pudesse dar ocasião ao surgimento de movimentos separatistas nas colônias pesava contra a decisão. De fato, a história registra que o país europeu cogitou, durante os primeiros dezoito meses da guerra (exatamente a época em que Ellen G. White escreveu o texto mencionado), uma intervenção militar na Guerra de Secessão. É provável que os leitores de Ellen G. White (e talvez nem ela mesma) não tivessem como saber o que o governo britânico planejava em relação à guerra nos Estados Unidos. Deus, porém, revelou a Ellen que, do outro lado do oceano Atlântico, autoridades britânicas consideravam um ataque que poderia ser trágico para os Estados Unidos, mas estavam prestes a desistir da ideia por temerem as consequências da investida para a integridade de seu vasto império. Finalmente, o Reino Unido optou por permanecer neutro em relação à Guerra Civil nos Estados Unidos, e manteve o domínio sobre suas colônias durante as décadas seguintes. Na Bíblia, há um exemplo semelhante de profecia que descreve as consequências que poderiam seguir se determinada decisão fosse tomada (ver Jeremias 42:10-19).

  1. Questionamento. Ellen G. White predisse que Jerusalém jamais seria reconstruída. A cidade de Jerusalém foi reconstruída e Israel voltou a existir como país (Primeiros Escritos, p. 75).

Resposta. Antes de comentar, vamos ler o trecho, escrito em 1851: “Foram-me indicados então alguns que estão em grande erro de crer que é seu dever ir à antiga Jerusalém, entendendo que têm uma obra a fazer ali antes que o Senhor venha. Tal opinião é de molde a afastar a mente e o interesse da presente obra do Senhor, sob a mensagem do terceiro anjo, pois os que pensam ser seu dever, não obstante, ir à velha Jerusalém terão sua mente firmada ali, e os seus recursos serão tirados da causa da verdade presente para permitir a eles e a outros estarem ali. Vi que tal missão não realizaria nenhum bem real, que levaria um bom espaço de tempo para levar alguns judeus a se tornarem crentes mesmo na primeira vinda de Cristo, quanto mais no Seu segundo advento. Vi que Satanás havia enganado sobremodo alguns neste ponto e que as almas ao redor deles, neste país, poderiam ser ajudadas por eles e levadas a guardar os mandamentos de Deus, mas deixaram-nas a perecer. Vi também que a velha Jerusalém jamais seria reconstruída, e que Satanás estava fazendo o máximo para levar a mente dos filhos do Senhor para essas coisas agora, no tempo do ajuntamento, impedindo-os de dedicar todo o seu interesse à presente obra do Senhor, levando-os assim a negligenciar a necessária preparação para o dia do Senhor.”

Nesse trecho, Ellen White expõe e combate as decisões equivocadas que podem tomar os que acreditam em teorias proféticas que tentam encaixar a todo custo Jerusalém e os judeus nos eventos do tempo do fim. Ela simplesmente afirma que viu que “a velha Jerusalém” não seria reconstruída. Em 1851, quando Ellen White escreveu esse texto, Jerusalém não era uma cidade destruída, mas a capital da província otomana da Palestina. Um censo de 1845 mensurou a população da cidade em 16.410 pessoas. A cidade, destruída no ano 70 d.C., foi total ou parcialmente reconstruída e destruída inúmeras vezes desde então. Ellen G. White, ao falar em “a velha Jerusalém”, se referia à restauração da cidade ao mesmo papel que teve nos tempos bíblicos como palco das manifestações de Deus na Terra e à reconstrução do Templo. De fato, “a velha Jerusalém”, totalmente judaica e com o Templo, nunca foi reconstruída.

  1. Questionamento. Ellen G. White, fundamentando-se equivocadamente em outros autores, predisse que a Turquia deixaria de existir. A Turquia continua a existir e atualmente não parece haver possibilidades de que venha a deixar de ser um país tão cedo. (Veja Josias Litch, “The Rise and Progress of Adventism”, em The Advent Shield and Review, maio de 1844, p. 92, citado no Seventh-day Adventist Bible Students’ Source Book, p. 513). (Veja também: The Seventh-day Adventist Encyclopedia, v. 11, p. 51 e 52).

Resposta. A Turquia é um país que nem sequer existia quando Ellen G. White viveu, pois só se tornou independente em 24 de julho de 1923, com o Tratado de Lausana. Isso foi oito anos após ela ter morrido. Mas Ellen G. White apoiou a interpretação do ministro metodista Josias Litch, de que a ascensão e o declínio do Império Otomano estão profetizados em Apocalipse 9:13-21 (veja O Grande Conflito, p. 334, 335). Devido ao fato de que no Império Otomano eram pessoas de etnia turca que subjugavam povos de outras etnias, era comum na época chamar esse império de “Turquia”, assim como é comum hoje chamar a Grã-Bretanha de “Inglaterra” ou os Países Baixos de “Holanda”, apesar de esses países incluírem outras nacionalidades. Por duas vezes, Ellen G. White chamou o Império Otomano de Turquia (O Grande Conflito, p. 35; Evangelismo, p. 408). De fato, esse império que dominou extensas áreas da Ásia, África e Europa entre os séculos 14 e 19, foi perdendo muitos de seus territórios durante o século 19, até ser reduzido a uma pequena área da Anatólia e deixar de existir oficialmente em 1º de novembro de 1922, confirmando a interpretação profética de Josias Litch.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que alguns que estavam vivos em 1856 estariam vivos por ocasião do retorno de Cristo. (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 131, 132). Ela se referia a pessoas que estavam presentes em uma reunião da Igreja Adventista e, por já haverem morrido todos, essa profecia também não se cumpriu.

Resposta. A seguir, está a seguinte declaração feita por ela em 1856: “Foi-me mostrado o grupo presente à assembleia. Disse o anjo: ‘Alguns servirão de alimento para os vermes, alguns estarão sujeitos às setes últimas pragas, outros estarão vivos e permanecerão sobre a Terra para serem transladados na vinda de Jesus’”.

Todo aquele que crê que Cristo virá em breve a Terra costuma falar dessa ocasião como sendo para seus dias. O apóstolo Paulo acreditava que estaria vivo quando Jesus Cristo aparecesse nas nuvens do céu (1Ts 4:15). No entanto, o fato de Paulo ter morrido antes do regresso do Senhor não faz dele um falso profeta. Ele apenas foi um cristão esperançoso e confiante que acreditou que o segundo advento de Cristo aconteceria em seus dias, como todo cristão deve acreditar. Ellen White frequentemente descreveu a vinda de Cristo como estando para acontecer em seus dias, seguindo o exemplo dos autores bíblicos.

Ela explicou sua declaração de 1856 em uma nota escrita em 1883, que foi citada por Francis M. Wilcox em O Testemunho de Jesus (CPB), p. 108: “Os anjos de Deus apresentam o tempo como sendo muito breve. Assim me tem sempre sido apresentado. Verdade é que o tempo se tem prolongado além do que esperávamos nos primitivos dias desta mensagem. Nosso Salvador não apareceu tão breve como esperávamos. Falhou, porém, a Palavra de Deus? Absolutamente! Cumpre lembrar que as promessas e as ameaças de Deus são igualmente condicionais”.

“Não era a vontade de Deus que a vinda de Cristo houvesse sido assim retardada. Não era desígnio Seu que Seu povo, Israel, vagueasse quarenta anos no deserto. Ele havia prometido conduzi-los diretamente à terra de Canaã, e estabelecê-los ali como um povo santo, sadio e feliz. Aqueles, porém, a quem foi primeiro pregado, não entraram ‘por causa da incredulidade’. Seu coração estava cheio de murmuração, rebelião e ódio, e o Senhor não podia cumprir Seu concerto com eles”.

“Por quarenta anos a incredulidade, a murmuração e a rebelião excluíram o antigo Israel da terra de Canaã. Os mesmos pecados têm retardado a entrada do Israel moderno na Canaã celestial. Em nenhum dos casos houve falta da parte das promessas de Deus. É a incredulidade, a mundanidade, a falta de consagração e a contenda entre o professo povo de Deus que nos têm detido neste mundo de pecado e dor por tantos anos” (Ms 4, 1883, citado em Evangelismo, p. 695, 696).

  1. Questionamento. Em 1850, Ellen G. White afirmou que Cristo retornaria em poucos meses (Primeiros Escritos, p. 58, 64, 67).

Resposta. Vejamos o que Ellen G. White realmente escreveu: “Alguns estão supondo a vinda do Senhor num futuro muito distante. O tempo tem continuado alguns anos mais do que eles esperavam, e assim pensam que continuará mais alguns anos, e dessa maneira suas mentes são desviadas da verdade presente para irem após o mundo. Nisso vi grande perigo, pois se a mente está cheia de outras coisas, a verdade presente é deixada fora, e não há lugar em nossa fronte para o selo do Deus vivo. Vi que o tempo para Jesus permanecer no lugar santíssimo estava quase terminado e esse tempo podia durar apenas um pouquinho mais; que o tempo disponível que temos deve ser gasto em examinar a Bíblia, que nos julgará no último dia” (Primeiros Escritos, p. 58).

“Numa visão dada em 27 de junho de 1850, meu anjo acompanhante disse: ‘O tempo está quase terminado. Vocês estão refletindo, como deveriam, a amorável imagem de Jesus?’ Foi-me indicada então a Terra e vi que tinha que haver uma preparação da parte daqueles que, nos últimos tempos, abraçaram a terceira mensagem angélica. Disse o anjo: ‘Preparem-se, preparem-se, preparem-se! Vocês terão que experimentar uma morte para o mundo, maior do que jamais experimentaram antes.’ Vi que havia grande obra a ser feita por eles e pouco tempo para fazê-la. Vi então que as sete últimas pragas deviam ser logo derramadas sobre os que não têm abrigo” (Idem, p. 64).

“Ao ver o que precisamos ser para herdar a glória, e quanto Jesus havia sofrido para alcançar para nós tão rica herança, orei para que fôssemos batizados nos sofrimentos de Cristo, a fim de não recuarmos nas provas, mas sofrê-las com paciência e alegria, sabendo o que Jesus havia sofrido, para que por Sua pobreza e sofrimento fôssemos enriquecidos. Disse o anjo: ‘Neguem a si mesmos. Vocês precisam caminhar depressa.’ Alguns de nós têm tido tempo de ter a verdade e progredir passo a passo, e cada passo dado tem-nos propiciado força para o seguinte. Mas agora o tempo está quase findo, e o que durante anos temos estado aprendendo, eles terão que aprender em poucos meses. Terão também muito que desaprender e muito que tornar a aprender” (Idem, p. 67).

Ellen G. White, assim como o apóstolo Pedro (At 2:17), sempre acreditou que estava vivendo os últimos dias antes do retorno de Jesus. Ela escreveu muito sobre a necessidade de pressa em se preparar para esse dia. Nas citações, ela apenas mencionou que o último período de provação será breve, e que pessoas que negligenciam seu preparo espiritual hoje terão apenas “poucos meses” para aprender o que cristãos mais dedicados demoraram anos para desenvolver na vida.

  1. Questionamento. Ellen G. White afirmou que a Guerra Civil Americana era um sinal de que Cristo iria logo retornar (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 260). A Guerra Civil americana terminou em 1865.

Resposta. Jesus disse, em Mateus 24, que todas as guerras são um sinal de sua segunda vinda, a começar pelas guerras que levaram à destruição de Jerusalém no ano 70. Na página citada, ela afirma: “Vi na Terra uma aflição maior do que nunca testemunhamos. Ouvi gemidos e gritos de aflição, e vi grupos em diligente batalha.” Ela prosseguiu descrevendo a cena de guerra e alertando para “a grande angústia vindoura”. Em nenhum momento do texto ela falou que a guerra que viu em visão era a Guerra Civil Americana, que acontecia em seus dias. É claro, para quem lê todo o texto, que Deus aproveitou o contexto da Guerra Civil Americana para dar a ela uma visão de um período de grande aflição a acontecer imediatamente antes da vinda de Cristo.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que Cristo voltaria antes de a escravidão ser abolida (Primeiros Escritos, p. 35).

Resposta. A Bíblia também fala que haveria escravos quando Cristo retornasse a Terra (Ap 18:13; 19:18). Apesar de legalmente abolida, a escravidão continua existindo ilegalmente em diferentes situações ao redor do mundo. Ellen G. White afirmou nesse trecho, em que descreve a vinda do Senhor: “Começou então o jubileu, período em que a Terra devia descansar. Vi o piedoso escravo levantar-se em triunfo e vitória e sacudir as cadeias que o prendiam, enquanto o seu ímpio senhor estava em confusão e não sabia o que fazer” (Primeiros Escritos, p. 35). O texto apenas descreve que o retorno de Cristo a Terra será ocasião de libertação dos cativos. Não fala nada a respeito de a escravidão ainda estar legalizada quando Cristo vier.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que a escravidão seria restabelecida nos estados do sul dos Estados Unidos (Spalding Magan Collection, p. 21; e Manuscript Releases, v. 2, nº 153, p. 300). A escravidão não voltou a ser legalizada no sul dos Estados Unidos.

Resposta. A afirmação está num manuscrito datado de 1895, com respostas de Ellen G. White a perguntas sobre o trabalho com populações negras no sul dos Estados Unidos e as dificuldades enfrentadas pelos adventistas nessa região com leis locais que restringiam o trabalho aos domingos. Ao ser perguntada se os adventistas desses estados deveriam trabalhar aos domingos, Ellen G. White respondeu: “A escravidão novamente será revivida nos estados sulistas, pois o espírito da escravidão ainda vive.” O comentário não afirma que os escravos libertos retornariam à sua condição de cativeiro, mas que o “espírito” de dominar sobre outras pessoas ainda estava vivo nos antigos senhores de escravos (veja: “Slavery, Will It Be Revived?”). Prova disso é que, na segunda metade do século 20, décadas depois de as palavras de Ellen White terem sido escritas, a segregação racista dos descendentes dos antigos escravos estava legalizada em vários estados do sul dos Estados Unidos, uma nódoa que revivia a escravidão abolida em 1863.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que a Terra seria logo despovoada se Jesus demorasse a voltar (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 304). A despeito de tantas guerras, fomes e epidemias, o que vemos é que a Terra está cada vez mais povoada à medida que o tempo passa.

Resposta. Esta é a declaração de Ellen G. White: “Foi-me apresentada a condição de degeneração atual da família humana. Cada geração se tem vindo enfraquecendo mais, e a humanidade é afligida por toda forma de enfermidade. Milhares de pobres mortais de corpo deformado, doentio, nervos em frangalhos e mente sombria, vão arrastando uma existência miserável. Cresce o poder de Satanás sobre a família humana. Não viesse em breve o Senhor e destruísse o seu poder, e não tardaria que a Terra estivesse despovoada.”

Ao contrário do que foi questionado, Ellen G. White apresenta que Cristo destruirá em Sua vinda o poder de Satanás para causar doenças antes que todas as doenças que o diabo dissemina despovoem o mundo.

  1. Questionamento. Ellen G. White predisse que os senhores dos escravos dos seus dias experimentariam as sete últimas pragas descritas no livro do Apocalipse (Primeiros Escritos, p. 276). Todos os senhores dos escravos de seu tempo já estão mortos.

Resposta. O texto apenas declara: “Vi que o senhor de escravos terá que responder pela salvação de seus escravos a quem ele tem conservado em ignorância; e os pecados dos escravos serão visitados sobre o senhor” (Primeiros Escritos, p. 276). A frase apenas descreve que os senhores de escravos terão que prestar contas a Cristo por ocasião de Sua vinda, assim como cada pecador terá que fazê-lo.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que estaria viva quando Jesus regressasse (Primeiros Escritos, p. 15-16).

 Resposta. No trecho mencionado em Primeiros Escritos (p. 14-16), Ellen White descreve uma visão que teve sobre a vinda de Cristo. Não menciona que estaria viva por ocasião do segundo advento de Jesus. Daniel, Paulo e João também descreveram visões do regresso de Cristo nas nuvens do céu sem que isso significasse que viveriam para presenciar o que Deus lhes revelava em visão.

  1. Questionamento. Às vezes, Ellen G. White fazia predições específicas que envolviam certas pessoas. Uma delas foi o pioneiro adventista Moses Hull. Em 1862, Hull estava no processo de perder sua fé no adventismo. Parece que o casal White desistiu de argumentar com ele, e Ellen G. White profetizou sobre o terrível futuro que o aguardava se ele deixasse de fazer parte do povo do advento: “Se continuar da maneira em que começou, a miséria e a desgraça o esperam. A mão de Deus o prenderá de um modo que não lhe agradará. Sua ira não dormitará” (Testemunhospara a Igreja, v. 1, p. 431). Isso nunca aconteceu. Apesar das advertências de Ellen G. White, ele abandonou o adventismo. Segundo testemunhas, o “senhor Hull se manteve bem por muitos longos anos até uma idade avançada e nada do que foi predito aconteceu” (D.M. Canright, Life of Mrs. E.G. White, The Standard Publishing Company, 1919, p. 234).

Resposta. Moses Hull foi um adventista de espírito competitivo, que gostava de entrar em discussões sobre religião com pessoas de outras crenças. Ele alimentou dúvidas com respeito à fé em Cristo. Ellen G. White o advertiu de que, se continuasse com essa atitude, arruinaria sua vida. O texto mencionado continua com uma mensagem de esperança para Hull: “Mas agora Ele [Deus] o convida. Agora, justamente agora, Ele lhe pede que volte para Ele sem demora, e Ele graciosamente perdoará e curará todas as suas apostasias” (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 431). Infelizmente, Hull não atendeu ao apelo para mudar de vida, acabou abandonando a Cristo e se tornou adepto do espiritismo. Hull pode não ter ficado pobre, mas a predição se cumpriu fielmente, pois ele se tornou espiritualmente miserável por ter trocado a Palavra do Deus vivo pelas mensagens do mundo dos mortos.

Dudley Marvin Canright, o autor original desse ataque a Ellen G. White, foi um ex-pastor adventista. Tiago e Ellen G. White o prepararam para que ele se tornasse um ministro do evangelho. Infelizmente, Canright começou a alimentar a ambição de se tornar um pregador famoso. Ellen G. White o advertiu dos perigos de alimentar o orgulho e a vaidade. Canright acabou abandonando a Igreja Adventista e foi nomeado pastor de outra denominação cristã, tornando-se um crítico mordaz da doutrina adventista e da pessoa de Ellen G. White.

  1. Questionamento. Ellen G. White afirmou que a “a enfermidade” do irmão Carl Carlstedt “não era para morte, mas para a glória de Deus” (Carl Carlstedt estava gravemente enfermo de febre tifoide e parecia que não viveria muito tempo mais). Ele morreu dois dias depois. (Charles Lee, Three Important Questions for Seventh-Day Adventists to Consider, 1876).

Charles Lee, um ex-pastor adventista, relata em seu livro que ele foi junto com Tiago e Ellen White, Urias Smith e outro homem visitar Carl Carlstedt, o editor da Revista Adventista em sueco, que estava doente com febre tifoide. Lee relata ter ouvido ela orando ao Senhor, “ali presente com Seu poder restaurador, para erguer Carlstedt, cuja doença não era para a morte, mas para a glória de Deus”. Lee também disse que, ao sair da casa, Ellen revelou que acreditava que Carlstedt teria a saúde restaurada novamente. Lee viajou para Chicago, e no dia seguinte recebeu uma correspondência informando que Carlstedt havia morrido.

Infelizmente, só existe registrada a versão de Lee sobre o incidente e a oração que Ellen G. White teria feito por ele. Nem Ellen, seu esposo Tiago, Urias Smith ou a outra pessoa presente escreveram sobre o episódio. Como as outras testemunhas da visita a Carlstedt não registraram o que Ellen G. White falou, não podemos ter certeza de que Lee tenha sido preciso ao relatar o que a senhora White disse em sua oração. Mas, mesmo que Ellen G. White tenha realmente dito o que Charles Lee afirmou que ela falou, precisamos entender que um profeta não é inspirado por Deus em tudo o que diz. Por exemplo, o profeta Natã, na Bíblia, deu uma orientação errada a Davi e teve que se retificar (2Sm 7:1-17); um velho profeta de Betel desencaminhou um profeta de Judá, levando-o a desobedecer a Deus, e depois foi usado por Ele para repreendê-lo e condená-lo (1Rs 13 11-32); Elias, em um momento nada inspirado por Deus, desejou a morte (1Rs 19:4); o apóstolo Pedro agiu contrariamente aos seus próprios ensinos, e foi repreendido por Paulo (Gl 2:11-14). Naturalmente, nem tudo o que Ellen G. White falava ao conversar corriqueiramente era inspirado por Deus, e pode ser que ela realmente acreditasse na recuperação de Carlstedt, sem ter recebido nenhuma mensagem de Deus sobre o que aconteceria com ele.

  1. Questionamento. Embora tenha predito a destruição de São Francisco, ela não fez nenhuma menção de terremoto e incêndio como possíveis causas. Na mesma profecia (veja Manuscrito 30, 1903), ela incluiu a cidade de Oakland, que praticamente não foi atingida pelo tremor que destruiu São Francisco em 1906. Mais tarde ela escreveu sobre Oakland: “São Francisco foi visitada com duros juízos, mas Oakland foi misericordiosamente preservada” (Evangelismo, p. 296).

No Manuscrito 30, de 1903, Ellen G. White falou da necessidade de evangelizar as grandes cidades da costa oeste dos Estados Unidos e de estabelecer nelas instituições que promovessem um estilo de vida saudável. Ela afirmou que “São Francisco e Oakland estão se tornando como Sodoma e Gomorra, e o Senhor irá puni-las. Não vai longe o tempo em que elas sofrerão os Seus juízos”. Ela não especificou nesse texto, que tipo de punição seria esperado para ambas as cidades. Ela também mencionou punições divinas para algumas outras das maiores cidades dos Estados Unidos, que já naquela época estavam muito tolerantes com a criminalidade, a exploração sexual, o tráfico de drogas e álcool e os jogos de azar. Uma vez que, em 18 de abril de 1906, a cidade de São Francisco foi tragicamente destruída por um terremoto, o fato é apontado como uma predição de Ellen G. White que se cumpriu.

A respeito de Oakland, ela fez um apelo para a evangelização das grandes cidades, onde acentuadamente prosperava a impiedade: “São Francisco foi visitada com rigorosos juízos, porém Oakland foi até aqui misericordiosamente poupada. Virá o tempo em que nossa obra nesses lugares será abreviada; portanto, é importante que se façam diligentes esforços agora para proclamar a seus habitantes a mensagem do Senhor para eles” (Evangelismo, p. 404). Assim como a ímpia Nínive foi misericordiosamente poupada por Deus nos dias de Jonas (Jn 3:10; 4:11) apesar de o profeta ter anunciado sua destruição para uma data específica (Jn 3:4), Deus também poupou misericordiosamente Oakland, apesar de Ellen G. White ter anunciado que os juízos divinos estavam prestes a cair sobre a cidade.

A alegação de Ellen G. White, de ter sido inspirada por Deus, é muito séria, e é esperado que pessoas que não queiram aceitar a mensagem que ela ensinou questionem a autenticidade de seu dom profético. No entanto, a leitura cuidadosa de cada uma de suas declarações e o conhecimento de como a inspiração divina atuava nos profetas bíblicos dissipam as dúvidas sobre a validade de seu chamado profético.

Numa época em que há tantos líderes religiosos alegando ter o dom de profecia e de revelação, e se autoproclamando “apóstolos”, “profetas”, “levitas” e “sacerdotes”, é acertado verificar quem é realmente inspirado por Deus. Como vimos, em todos esses quatorze casos, os ataques feitos a Ellen G. White não foram suficientes para desqualificá-la como uma autêntica portadora do dom de profecia prometido na Bíblia a pessoas no tempo do fim (Jl 2:28-32; At 2:17-21; Ap 12:17; 19:10). O dom de profecia operou nela com as mesmas características apresentadas nos profetas descritos na Bíblia.

FERNANDO DIAS é pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira

(Revista Adventista)

 

 

A Reabilitação do Homem (Lucas 15:11-32)

Parábola-do-Filho-Pródigo
Uma história comovente! Imagem: Divulgação.

As parábolas da ovelha e da dracma perdidas, e do filho pródigo, apresentam em traços claros, o misericordioso amor de Deus para com os que dEle se desviam. Embora se tenham dEle apartado, Deus não os abandona na miséria. Está cheio de amor e terna compaixão para com todos os que estão expostos às tentações do astucioso inimigo.

Na parábola do filho pródigo é-nos apresentado o procedimento do Senhor com aqueles que uma vez conheceram o amor paterno, mas consentiram ao tentador levá-los cativos a sua vontade.

“Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua.” Luc. 15:11-13.

O filho mais novo cansara-se das restrições da casa paterna. Pensou que sua liberdade era reprimida. O amor e cuidado do pai foram mal-interpretados, e determinou seguir os ditames de sua própria inclinação. O jovem não reconhece qualquer obrigação para com o pai, e não exprime gratidão, contudo reclama o privilégio de filho para participar dos bens de seu pai. Deseja receber logo a herança que lhe caberia pela morte do pai. Pensa só na alegria presente, e não se preocupa com o futuro.

Depois de receber seu patrimônio, sai da casa paterna para “uma terra longínqua”. Com dinheiro em profusão e podendo fazer o que bem entende, lisonjeia-se de ter alcançado o desejo de seu coração. Ninguém há, agora, que lhe diga: não faças isto porque há de prejudicar-te, ou: faze aquilo porque é bom. Maus companheiros ajudam-no a abismar-se mais e mais no pecado; e “desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente”.

A Bíblia fala de homens que “dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”. Rom. 1:22. E esta é a história do jovem da parábola. A fazenda que de forma egoísta pedira de seu pai, dissipou com meretrizes. Os tesouros de sua varonilidade foram esbanjados. Os preciosos anos de vida, a força do intelecto, as brilhantes visões da juventude, as aspirações espirituais – tudo foi consumido no fogo do prazer.

Houve uma grande fome na Terra; ele começou a padecer necessidade, e foi-se a um cidadão do país, que o mandou ao campo para apascentar porcos. Para um judeu esta ocupação era a mais vil e degradante. O jovem que se gloriava de sua liberdade, vê-se agora escravo. Está na pior das escravaturas – “com as cordas do seu pecado, será detido”. Prov. 5:22. O brilho falso que o atraía desapareceu, e sente o peso dos seus grilhões. Naquela terra desolada e atingida pela fome, sentado no chão, sem outros companheiros senão os porcos, é constrangido a encher o estômago com as bolotas com que eram alimentados os animais. De todos os alegres companheiros que o rodeavam nos seus dias prósperos, e que comiam e bebiam a sua custa, nem um único ficou para animá-lo. A que se reduziu a sua orgíaca alegria? Sufocando a consciência e aturdindo os sentimentos, achava-se feliz; porém agora, sem dinheiro, com fome não saciada, com o orgulho humilhado, a natureza moral atrofiada, a vontade enfraquecida e indigna de confiança, seus sentimentos mais nobres aparentemente mortos, é o mais miserável dos mortais.

Que quadro nos é apresentado da condição do pecador! Embora envolto pelas bênçãos do amor de Deus, nada há que o pecador, inclinado à satisfação própria e aos prazeres pecaminosos, mais deseje do que a separação de Deus. Como o filho ingrato, reclama as boas coisas de Deus, como suas por direito. Recebe-as como coisa muito natural, não agradece nem presta serviço algum de amor. Como Caim saiu da presença do Senhor para procurar morada; como o filho pródigo partiu “para uma terra longínqua” (Luc. 15:13), assim, no esquecimento de Deus, procuram os pecadores a felicidade. (Rom. 1:28.)

Qualquer que seja a aparência, toda vida centralizada no eu, está arruinada. Todo aquele que procura viver separado de Deus, dissipa seus bens. Desperdiça os preciosos anos, esbanja as forças do intelecto, do coração e da alma, e trabalha para a sua eterna perdição. O homem que se aliena de Deus, para servir a si mesmo, é escravo de Mamom. A mente, que Deus criou para a companhia de anjos, degradou-se no serviço do que é terreno e animal. Este é o fim a que tende quem serve o próprio eu.

Se você escolheu uma tal vida, sabe então que gasta dinheiro com o que não é pão, e trabalho com o que não satisfaz. Virão dias em que reconhecerá a sua degradação. Só, na longínqua terra, você sente a miséria, e brada em desespero: “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” Rom. 7:24. As palavras do profeta contêm a afirmação de uma verdade universal: “Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor! Porque será como a tamargueira no deserto e não sentirá quando vem o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável.” Jer. 17:5 e 6. Deus “faz que o Seu Sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos”. Mat. 5:45. O homem, porém, tem o poder de se retrair do Sol e da chuva. Semelhantemente, quando o Sol da Justiça brilha, e os chuveiros da graça caem indiscriminadamente sobre todos, podemos, separando-nos de Deus, ser “como a tamargueira no deserto”.

O amor de Deus anela sempre aquele que dEle se afastou, e põe em operação influências para fazê-lo tornar à casa paterna. O filho pródigo, em sua miséria, voltou a si. O poder ilusório que Satanás sobre ele exercia, foi quebrado. Viu que o sofrimento era consequência de sua própria loucura, e disse: “Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai.” Luc. 15:17 e 18. Miserável como era, o pródigo achou esperança na convicção do amor do pai. Era aquele amor que o estava impelindo para o lar. Assim, a certeza do amor de Deus é que move o pecador a voltar para Ele. “A benignidade de Deus te leva ao arrependimento.” Rom. 2:4. Uma cadeia dourada, a graça e compaixão do amor divino, é atada ao redor de toda pessoa em perigo. O Senhor declara: “Com amor eterno te amei; também com amorável benignidade te atraí.” Jer. 31:3.

O filho resolve confessar sua culpa. Quer ir ter com o pai e dizer-lhe: “Pai, pequei contra o Céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho.” Mas, mostrando como é limitada a sua concepção do amor do pai, acrescenta: “Faze-me como um dos teus trabalhadores.” Luc. 15:18 e 19.

O jovem volta-se da manada de porcos e das bolotas, e dirige o olhar para casa. Tremente de fraqueza e abatido pela fome, põe-se a caminho com diligência. Não tem uma capa para ocultar suas vestes esfarrapadas; mas sua miséria venceu o orgulho e apressa-se a suplicar a posição de trabalhador, onde outrora estava como filho.

O jovem, alegre e despreocupado, quando abandonou a mansão paterna, pouco imaginou a dor e saudade deixadas no coração do pai. Quando dançava e folgava com os companheiros devassos, pouco meditava na sombra que caíra sobre a casa paterna. E agora, enquanto percorre o caminho de volta, com cansados e doloridos passos, não sabe que alguém aguarda a sua volta. Mas “quando ainda estava longe” o pai distingue o vulto. O amor tem bons olhos. Nem o definhamento causado pelos anos de pecados pode ocultar o filho aos olhos do pai. “E se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço” num abraço terno e amoroso. Luc. 15:20.

O pai não permite que olhos desdenhosos vejam a miséria e as vestes esfarrapadas do filho. Toma de seus próprios ombros o manto amplo e valioso, e lança-o em volta do corpo combalido do filho, e o jovem soluça seu arrependimento, dizendo: “Pai, pequei contra o Céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho.” Luc. 15:21. O pai toma-o consigo e leva-o para casa. Não lhe é dada a oportunidade de pedir a posição do trabalhador. É um filho que deve ser honrado com o melhor que a casa pode oferecer, e ser servido e respeitado pelos criados e criadas.

O pai diz aos servos: “Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se.” Luc. 15:22-24.

Em sua irrequieta juventude, o filho pródigo considerava o pai inflexível e austero. Que diferente é sua concepção dele agora! Assim também os engodados por Satanás consideram Deus áspero e severo. Vêem-nO esperando para os denunciar e condenar, como se não tivesse vontade de receber o pecador enquanto houver uma desculpa legítima para não o auxiliar. Consideram Sua lei uma restrição à felicidade humana, jugo opressor de que se alegram em escapar. Todavia o homem cujos olhos foram abertos por Cristo, reconhecerá a Deus como cheio de compaixão. Não lhe parece um tirano inexorável, mas um pai ansioso por abraçar o filho arrependido. O pecador, com o salmista, exclamará: “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor Se compadece daqueles que O temem.” Sal. 103:13.

Na parábola não é acusada nem censurada a má conduta do filho pródigo. O filho sente que o passado está perdoado, esquecido e apagado para sempre. E assim fala Deus ao pecador: “Desfaço as tuas transgressões como a névoa, e os teus pecados, como a nuvem.” Isa. 44:22. “Porque perdoarei a sua maldade e nunca mais Me lembrarei dos seus pecados.” Jer. 31:34. “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos e se converta ao Senhor, que Se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.” Isa. 55:7. “Naqueles dias e naquele tempo, diz o Senhor, buscar-se-á a maldade de Israel e não será achada; e os pecados de Judá, mas não se acharão.” Jer. 50:20.

Que segurança da voluntariedade de Deus em receber o pecador arrependido! Escolheste, caro leitor, teu próprio caminho? Vagaste longe de Deus? Aspiraste desfrutar os frutos da transgressão, só para vê-los desfazerem-se em cinzas nos lábios? E agora que os teus bens estão dissipados, teus planos malogrados e mortas as tuas esperanças, estás solitário e desolado? Agora, aquela voz que te falou longamente ao coração, mas para a qual não atentaste, chega a ti clara e distinta: “Levantai-vos e andai, porque não será aqui o vosso descanso; por causa da corrupção que destrói, sim, que destrói grandemente.” Miq. 2:10. Volta ao lar do Pai. Ele te convida, dizendo: “Torna-te para Mim, porque Eu te remi.” Isa. 44:22.

Não dê ouvidos à sugestão do inimigo, de permanecer afastado de Cristo até que se faça melhor, até que você seja bastante bom para ir a Deus. Se esperar até lá, nunca você irá a Ele. Se Satanás te apontar as vestes imundas, repete a promessa de Jesus: “O que vem a Mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” João 6:37. Dize ao inimigo que o sangue de Cristo purifica de todo o pecado. Faze tua a oração de Davi: “Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve.” Sal. 51:7.

Levante-se e vá ter com seu Pai. Ele irá ao seu encontro quando ainda estiver longe. Se aproximar-se um passo que seja, em arrependimento, Ele se apressará para cingi-lo com os braços de infinito amor. Seu ouvido está aberto ao clamor da alma contrita. O primeiro anseio do coração por Deus Lhe é conhecido. Jamais é proferida uma oração, por vacilante que seja, jamais uma lágrima vertida, por mais secreta, e jamais alimentado um sincero anelo de Deus, embora débil, que o Espírito de Deus não saia a satisfazê-lo. Antes mesmo de ser pronunciada a oração, ou expresso o desejo do coração, sai graça de Cristo para juntar-se à graça que opera na pessoa.

Seu Pai celestial te tirará as vestes manchadas de pecados. Na bela profecia de Zacarias, o sumo sacerdote Josué, que estava em pé diante do anjo do Senhor, com vestimentas imundas, representa o pecador. E o Senhor disse: “Tirai-lhe estas vestes sujas. E a ele lhe disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade e te vestirei de vestes novas. … E puseram uma mitra limpa sobre sua cabeça e o vestiram de vestes.” Zac. 3:4 e 5. Assim Deus o vestirá de “vestes de salvação”, e o cobrirá com o “manto da justiça”. Isa. 61:10. “Ainda que vos deiteis entre redis, sereis como as asas de uma pomba, cobertas de prata, com as suas penas de ouro amarelo.” Sal. 68:13.

Levá-lo-á à sala do banquete, e o Seu estandarte sobre você será o amor. Cant. 2:4. “Se andares nos Meus caminhos”, declara, “te darei lugar entre os que estão aqui”, mesmo entre os santos anjos que circundam Seu trono. Zac. 3:7.

“E, como o noivo se alegra com a noiva, assim Se alegrará contigo o teu Deus.” Isa. 62:5. “Ele Se deleitará em ti com alegria; calar-Se-á por Seu amor, regozijar-Se-á em ti com júbilo.” Sof. 3:17. E o Céu e a Terra unir-se-ão ao Pai em cânticos de alegria: “Porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.” Luc. 15:24.

Até aqui, na parábola do Salvador, não há nota discordante para destoar a harmonia da cena de júbilo; agora, porém, Cristo introduz novo elemento. Ao voltar o filho pródigo, o primogênito estava “no campo”; e chegando-se à casa ouviu a música e a dança. Luc. 15:25. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que significavam essas coisas. Retrucou-lhe este: “Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar.” Luc. 15:27 e 28. Este irmão mais velho não participara da ansiedade e expectativa do pai por aquele que se perdera. Não partilha por isso da alegria paterna pela volta do errante. Os cânticos de alegria não lhe inflamam contentamento ao coração. Pergunta a um servo pelo motivo da festa, e a resposta aviva-lhe o ciúme. Não quer entrar para dar as boas-vindas ao irmão perdido. O favor mostrado ao pródigo, considera-o um insulto a si próprio.

Quando o pai sai para argumentar com ele, o orgulho e maldade de sua natureza são revelados. Expõe sua vida na casa paterna como um ciclo de serviço não reconhecido, e então contrasta de modo ingrato o favor mostrado ao filho que acabava de voltar. Demonstra que seu serviço era antes o de servo e não de filho. Ao passo que devia ter constante alegria na presença do pai, seus pensamentos estavam dirigidos aos lucros a serem acumulados por sua vida circunspecta. Suas palavras mostram que por essa razão se privou dos prazeres do pecado. Agora esse irmão deve partilhar das dádivas do pai, o filho mais velho julga que lhe fazem injustiça. Inveja a boa acolhida proporcionada ao irmão. Mostra claramente que se estivesse na posição do pai não receberia o pródigo. Nem mesmo o reconhece como irmão, porém dele fala friamente como “teu filho”. Luc. 15:30.

Contudo, o pai tratou-o com brandura. “Filho”, diz ele “tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas.” Luc. 15:31. Durante todos esses anos da vida dissoluta de teu irmão, não tiveste o privilégio de minha companhia?

Tudo que podia favorecer a felicidade de seus filhos, estava-lhes à disposição. O filho não precisa esperar uma recompensa ou dádiva. “Todas as minhas coisas são tuas.” Só deves confiar em meu amor, e tomar o dom que é oferecido gratuitamente.

Um filho rompera algum tempo com a família por não discernir o amor do pai. Mas agora voltara, e a onda de alegria varre todo pensamento perturbante. “Este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.” Luc. 15:32.

Foi levado o irmão mais velho a ver seu espírito mesquinho e ingrato? Chegou a reconhecer, que embora o irmão tivesse agido impiamente, era, ainda e sempre, seu irmão? Arrependeu-se o irmão mais velho de seu amor-próprio e dureza de coração? Com referência a isso, Jesus guardou silêncio. A parábola ainda não terminara, e restava que os ouvintes determinassem qual seria o epílogo.

Pelo irmão mais velho foram representados os impenitentes judeus contemporâneos de Cristo, como também os fariseus de todas as épocas, que olhavam com desprezo àqueles que consideravam publicanos e pecadores. Porque eles mesmos não caíram no mais degradante vício, enchiam-se de justiça própria. Jesus enfrentou essa gente ardilosa em seu próprio terreno. Como o filho mais velho da parábola, desfrutavam de especiais privilégios de Deus. Diziam-se filhos na casa de Deus, mas tinham o espírito de mercenários. Não trabalhavam movidos por amor, mas pela esperança de recompensa. A seus olhos, Deus era um feitor severo. Viam como Cristo convidava os publicanos e pecadores para receber livremente as dádivas de Sua graça – dádivas que os rabinos pensavam assegurar-se somente por trabalho e penitência – e ofenderam-se. A volta do filho pródigo, que encheu o coração paterno de alegria, provocava-lhes o ciúme.

Na parábola, a intercessão do pai junto do primogênito era o terno apelo do Céu aos fariseus. “Todas as Minhas coisas são tuas” – não como salário mas como dádiva. Como o pródigo, somente podeis recebê-las como concessões imerecidas do amor paterno.

A justiça própria conduz os homens não somente a representar a Deus falsamente, como os torna impiedosos e críticos para com seus irmãos. O filho mais velho, em seu egoísmo e inveja, estava pronto a observar o irmão, criticar todas as suas ações, e culpá-lo da menor falta. Acusaria todo engano e exageraria quanto possível todo ato errado. Desse modo pretendia justificar seu espírito irreconciliável. Muitos fazem hoje o mesmo. Enquanto a pessoa enfrenta a primeira luta contra um turbilhão de tentações, estão ao lado de zombeteiros, obstinados, reclamando e acusando. Podem professar ser filhos de Deus, mas manifestam o espírito de Satanás. Por seu procedimento para com os irmãos, estes acusadores se colocam onde Deus não pode fazer brilhar a luz de Seu semblante.

Quantos não perguntam constantemente: “Com que me apresentarei ao Senhor e me inclinarei ante o Deus altíssimo? Virei perante Ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-Se-á o Senhor de milhares de carneiros? De dez mil ribeiros de azeite?” Miq. 6:6 e 7. Mas “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” Miq. 6:8.

Esse é o culto que o Senhor escolheu: “Que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e que despedaces todo o jugo… e não te escondas daquele que é da tua carne.” Isa. 58:6 e 7. Quando vos considerardes pecadores salvos unicamente pelo amor do Pai celestial, então tereis amor e compaixão por outros que sofrem no pecado. Então não mais defrontareis a miséria e o arrependimento com ciúme e censura. Quando o gelo do amor-próprio se derreter de vosso coração, estareis em simpatia com Deus, e partilhareis de Sua alegria na salvação do perdido.

Verdade é que professas ser filho de Deus; porém, se esta declaração for verdade, é “teu irmão”, que estava “morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado”. Luc. 15:32. Ele se acha ligado a ti pelos vínculos mais íntimos; porque Deus o reconhece como filho. Nega teu parentesco com ele, e mostrarás que és apenas mais um empregado na casa paterna, não um filho da família de Deus.

Embora não te associes à recepção ao pródigo, a alegria prosseguirá, o restaurado tomará seu lugar ao lado do Pai e em Sua obra. Aquele a quem muito se perdoou, ama também muito. Tu, porém, estarás fora, nas trevas; pois “aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. I João 4:8.

(Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p.198-211)

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O valor de “O Desejado de Todas as Nações”

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O Desejado de Todas as Nações é considerado por muitos como a obra-prima de Ellen G. White, profetisa para o tempo do fim e co-fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Publicado em 1898, durante seu ministério na Austrália, O Desejado de Todas as Nações é uma biografia da vida de Jesus, desde Seu nascimento até Sua ascensão ao Céu.

O valor desta obra é destacado pela própria autora nos seguintes termos:

“Agradaria a Deus ver O Desejado de Todas as Nações em cada lar. Neste livro está contida a luz que tem sido dada sobre Sua Palavra.” {O Colportor-evangelista, p.126}

“Há em O Desejado de Todas as Nações, Patriarcas e Profetas, O Grande Conflito e em Daniel e Apocalipse, preciosa instrução. Esses livros devem ser considerados como de especial importância, e todo esforço deve ser feito para pô-los perante o povo.” {O Colportor-evangelista, p.123}

“Os livros grandes Patriarcas e Profetas, O Grande Conflito e O Desejado de Todas as Nações devem ser vendidos em toda parte. Estes livros contêm a verdade para este tempo – verdade que deve ser proclamada em todas as partes do mundo. Nada deve impedir sua venda.” {O Colportor-evangelista, p.124}

“Quantos têm lido cuidadosamente Patriarcas e Profetas, O Grande Conflito e O Desejado de Todas as Nações?” {O Colportor-evangelista, p.126}

Pelas declarações da irmã White, vemos o quão importante é este maravilhoso livro! “Agradaria a Deus ver O Desejado de Todas as Nações em cada lar.” Que benção!

Lendo O Desejado de Todas as Nações

O projeto mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia chamado Crede em Seus Profetas (associado ao projeto Reavivados Por Sua Palavra) está propondo a leitura semanal de capítulos do livro! Será lido em 1 ano os 87 capítulos de O Desejado de Todas as Nações. Você pode obter o cronograma de leitura na contracapa da Lição da Escola Sabatina.

No blog e na página do Facebook do projeto você pode ler os capítulos e comentários devocionais sobre o capítulo semanal.

Outras formas de você ler são:

Comecei a ler no início deste ano e me surpreendi apenas com o 1º capítulo! Algumas citações desse capítulo: 

“Vindo habitar conosco, Jesus devia revelar Deus tanto aos homens como aos anjos. Ele era a Palavra de Deus – o pensamento de Deus tornado audível.” {O Desejado de Todas as Nações, p.19}

“Olhando para Jesus, vemos que a glória de nosso Deus é dar. ‘Nada faço de Mim mesmo’, disse Cristo; ‘o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo pelo Pai.’ ‘Eu não busco a Minha glória’, mas a dAquele que Me enviou. Manifesta-se nestas palavras o grande princípio que é a lei da vida para o Universo. Todas as coisas Cristo recebeu de Deus, mas recebeu-as para dar.” {O Desejado de Todas as Nações, p.21}

“No próprio Céu foi quebrantada essa lei. O pecado originou-se na busca dos próprios interesses. Lúcifer, o querubim cobridor, desejou ser o primeiro no Céu.” {O Desejado de Todas as Nações, p.21}

“Foi um sacrifício voluntário. Jesus poderia haver permanecido ao lado de Seu Pai. Poderia haver retido a glória do Céu, e as homenagens dos anjos. Mas preferiu entregar o cetro nas mãos de Seu Pai, e descer do trono do Universo, a fim de trazer luz aos entenebrecidos, e vida aos que estavam prestes a perecer” {O Desejado de Todas as Nações, p.22, 23}

“Cristo foi tratado como nós merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia. ‘Pelas Suas pisaduras fomos sarados.’” {O Desejado de Todas as Nações, p.25}

Veja também o vídeo comemorativo do legado de 100 anos após a morte da irmã White:

 

Ellen G. White e o “teatro” de Natal da Escola Sabatina em 1888 – Carta 5 (1888)

[Transcrevo abaixo o a Carta que a irmã Ellen G. White fala sobre o “teatro” de Natal da Escola Sabatina em 1888. Fiz a tradução pelo Google Translate e está bem literal. Em seguida, apresento a carta em inglês (na íntegra) e, por fim, a tradução feita pelo Centro White (apresentada em um artigo do Pr. Arthur White, no Centro White).]

 

Ct 5, 1888

Irmão Morse

Battle Creek, Michigan

26 de dezembro de 1888

Esta carta está publicada em sua totalidade em Manuscript Release, v.19, 300-305.

Querido irmão Morse:

Levantei às três horas desta madrugada para te escrever algumas linhas. Fiquei satisfeita com o farol, e o cenário [ou “a cena”?] que exigiu um esforço tão árduo poderia ter sido mais impressionante, porém não foi feito como forçado e chamativo, como poderia ter sido, uma vez que custou tanto tempo e trabalho em prepará-lo. A parte desempenhada pelas crianças foi boa. A leitura foi apropriada. Então, se tivesse havido uma boa conversa naquela ocasião em relação às crianças e professores da Escola Sabatina, trabalhando fervorosamente pela salvação das almas das crianças sob sua responsabilidade, apresentando oferta mais aceitável a Jesus, o dom de seus próprios corações, e [tivesse havido] comentários impressionantes, curtos e diretos ao ponto, sobre como eles poderiam fazer isso, não teria [se] cumprido o trabalho que [estamos] tentamos fazer na igreja? {Ct5-1888.1}

Todo esforço agora deve estar em harmonia com o único propósito da preparação dos corações, que individualmente os alunos e professores [sejam] como um conjunto de luz em um castiçal, que pode dar luz a todos aos que estão na casa – o que estaria realizando a ideia surpreendentemente de um farol que orienta as almas para que não cometam um naufrágio de fé. Você pode me dizer que impressão marcante os dois poemas ensaiados pelas duas moças na plataforma teriam que ver com esse trabalho? {Ct5-1888.2}

O canto foi após a ordem, esperamos que ele fosse [como] em qualquer desempenho teatral, mas nenhuma palavra pode ser distinguida. Certamente, o navio lançado pela tempestade seria destruído sobre as rochas se não houvesse mais luz proveniente do farol do que se viu nos [exercícios?]. Devo dizer que estava triste com essas coisas, tão fora de ordem com o próprio trabalho de reforma que tentávamos levar adiante na igreja e com nossas instituições, que eu deveria ter me sentido melhor se não estivesse presente. Esta foi uma ocasião que deveria ter sido levantada não só para as crianças da Escola Sabatina, mas palavras deveriam ter sido ditas que aprofundariam a impressão de uma necessidade de buscar o favor desse Salvador que os amava e Se entregou por eles. Se (somente) os preciosos hinos fossem cantados: “Rock of ages, cleft for me, let me hide myself in Thee” [“Rocha eterna, refúgio para mim, deixe-me esconder em Ti”] e “Jesus lover of my soul, let me to Thy bosom fly, while the billows near me roll, while the tempest still is high” [“Jesus, amante da minha alma, deixe-me descansar no Seu colo, enquanto as ondas perto de mim se agitam, enquanto a tempestade ainda é alta”]! [Quais] almas foram inspiradas com zelo novo para o Mestre nas canções cantadas cuja virtude estava nas diferentes performances do cantor? {Ct5-1888.3}

Enquanto esses laboriosos esforços estavam sendo feitos para levantar as performances, o encontro estava sendo mantido do mais profundo interesse que deveria ter envidado a atenção e que exigia a presença de toda alma para que não perdessem algo da mensagem que o Mestre havia lhes enviado. Agora, este Natal passou para a eternidade com seu fardo, e estamos ansiosos para ver o resultado disso. Isso fará com que aqueles que atuaram na sua parte [se tornem] mais [fortes?] espiritualmente? Isso aumentará o seu senso de obrigação para o nosso Pai celestial, que enviou Seu Filho ao mundo como um sacrifício infinito para salvar o homem caído da total ruína? A mente foi despertada para entender Deus, por causa do Seu grande amor com o qual Ele nos amou? {Lt5-1888.4}

Esperamos, agora que o Natal está no passado, que aqueles que apresentaram tantos árduos esforços agora manifestarão um zelo decidido e fervoroso, esforço desinteressado para a salvação das almas dos professores da Escola Sabatina, que em seus [trabalhos] cada um trabalhe para a salvação das almas em suas classes, para lhes dar instruções pessoais sobre o que devem fazer para serem salvas. Esperamos que encontrem tempo para trabalhar em simplicidade e sinceridade pelas almas dos que estão sob seus cuidados e que orem com eles e por eles, para que possam dar a Jesus a preciosa oferta de suas próprias almas, para que possam tornar literalmente verdadeiro o símbolo do farol nos feixes de luz que emergem de seus próprios esforços em nome de Jesus, que devem ser levados adiante, eles próprios agarrando os raios de luz para difundir essa luz para os outros, e nisso não deve se estabelecer para um trabalho superficial. {Ct5-1888.5}

Mostre a mesma habilidade e aptidão para conquistar almas para Jesus, como você demonstrou em um árduo esforço para esta ocasião passada. Aponte-os em seus esforços, com o coração e a alma recrutados, para a Estrela que brilha no céu moralmente escuro neste momento, mesmo a Luz do mundo. Deixe sua luz resplandecer que as almas jogadas pela tempestade possam colocar seus olhos sobre ela e escapar das rochas que estão escondidas sob a superfície da água. As tentações esperam para enganá-las; as almas são oprimidas com a culpa, prontas para afundar no desespero. Trabalhe para salvá-los; conduza-os para Jesus que os amou tanto que deu Sua vida por eles. {Ct5-1888.6}

Repita-lhes a preciosa garantia que o próprio Deus lhes deu: “Eu sou o SENHOR, o SENHOR Deus, misericordioso e gracioso, longânimo e grande em beneficência e verdade, que guardas misericórdia de milhares, perdoando iniquidade, transgressão e pecado.” (Êxodo 34: 6, 7) Que declaração preciosa! O que pode ser tão difícil para Ele? Que pecado [é tão grande] para [que] Ele [não possa] perdoar? Ele é gracioso, não está trabalhando de acordo com o nosso mérito, mas em Sua bondade ilimitada, sara nossos atrasos, perdoando nossas iniquidades e nos amando livremente enquanto ainda somos pecadores. {Ct5-1888.7}

A Luz do mundo está brilhando sobre nós para que possamos absorver os raios divinos e deixar que esta luz brilhe sobre os outros em boas obras, que muitas almas sejam levadas a glorificar nosso Pai que está nos céus. Ele é longânimo, não querendo que ninguém [se] perca, mas que todos venham a se arrepender, o coração de Jesus se aflige quando muitos recusam as ofertas de Sua misericórdia e Seu incomparável amor. {Ct5-1888.8}

Será que todos os que [atuaram em] uma parte interessada no programa da última noite trabalham tão zelosos e interessados para se mostrarem aprovados por Deus ao fazerem seu trabalho pelo Mestre, para que se mostrem trabalhadores inteligentes que não precisam se envergonhar? Oh, [que] os professores na Escola Sabatina permitam estar completamente imbuídos com o espírito da mensagem para esse tempo, levando essa mensagem para toda ocupação. Há almas para serem salvas e, enquanto no trabalho da Escola Sabatina tem havido muita formalidade e uma grande quantidade de precioso tempo ocupado na leitura de relatórios e registros, tem havido pouco tempo para realmente deixar a luz brilhar em raios claros e estáveis na própria instrução necessária para salvar as almas das crianças e dos jovens. (Tornem os) discursos menos elaborados, [os] comentários mais curtos e a simples e clara verdade [seja] apresentada (sem) uma única palavra proferida para exibir um conhecimento profundo, nem uma palavra em qualquer discurso. A maior evidência do real conhecimento é a grande simplicidade. {Ct5-1888.9}

Todos os que tomaram conhecimento de Jesus Cristo O imitarão em Suas instruções. Eles não terão palavras rebuscadas, difíceis de entender, mas terão como objetivo não fazer [uma] obra superficial, ser curtos em cada discurso e não trabalhar para própria exibição, mas chegar diretamente ao ponto de inculcar ideias de valor. Toda palavra usada deve ser tão clara que as crianças não precisem ir para casa, tomar um dicionário e procurar o significado das palavras usadas pelos professores e líderes. O poder do educador está em ser compreendido, ele não precisará de um intérprete. Quanto menos [máquinas?] e formalidades desnecessárias, melhor será para a Escola. Imite o grande Professor; dê lições claras e simples, não complicadas, não abafadas com uma multidão de palavras. Poucas palavras, ditas [de forma] simples, claras, apresentadas em humildade e mansidão de Cristo, alcançarão os corações, enquanto as muitas palavras não podem ser mantidas e são como muitos papéis jogados em uma cesta de lixo, para se perder como lixo. Poucas palavras, distintas e simples, farão muito mais que uma infinidade de palavras que confundem a mente e não interessam, de modo que nada se destaca claro e forçado. {Ct5-1888.10}

Nossas Escolas Sabatinas não devem ser planejadas para se tornar mecânicas, mas todos os professores líderes devem considerá-la como a escola do Senhor, onde as almas devem ser instruídas [em] como se tornarem cristãs; que, enquanto a culpa terrível e o caráter doloroso do pecado [são] convidados para casa a alma, ao mesmo tempo, a misericórdia e a compaixão de Deus [sejam] claramente apresentadas em Cristo, dando a Sua vida pelos pecados do mundo, revelando assim um amor sem medida. {Ct5-1888.11}

Jesus deve ser apresentado em simplicidade às crianças, como uma oferta do Salvador que perdoa o pecado dentro do véu, [com] o sangue de Sua expiação. E, enquanto Jesus está intercedendo em seu favor, agora, enquanto Jesus está oferecendo [oferta] para o pecado, peça-Lhe que perdoe seus pecados [e] remova suas transgressões. Assim, ensine as crianças e os jovens a orar; ensine as crianças a se arrependerem. O tempo gasto [na] Escola [Sabatina], tão grande [gasto] na leitura de relatórios, deve ser ocupado a cada instante em instrução sólida. Conduza as mentes a fazer comentários interessantes. Diga-lhes que busquem [a] Deus, e tornem o serviço de Cristo cheio de atração. Diga-lhes que é em vão achar que eles podem melhorar e prometer se corrigir, pois isso não removerá um ponto ou mancha de pecado; mas impressione suas mentes de que eles não devem apenas se arrepender e abandonar o pecado, mas o caminho para obter uma consciência do pecado e o verdadeiro arrependimento é se lançar como estão na misericórdia declarada e [no] revelado amor de Deus. Isso não seria presunção, pois cada raio de luz vem deles do trono de Deus. É dever dos professores e ministros evitar as ideias que levam à presunção e confiança que não podem ser sustentadas pela Palavra de Deus, [a] se sentirem seguros para a eternidade quando não estão seguros. {Ct5-1888.12}

É dever despertar a alma para um senso de seus privilégios e Deus espera retornos correspondentes no serviço fiel a Ele. A alma não deve estar sempre envolta em nuvens de dúvidas, mas eles devem fazer sua vocação e eleição certas. A Escritura torna claras as marcas da verdadeira religião e decidimos se aplicaremos a prova que Cristo deu: “Por seus frutos, você os conhecerá.” (Mateus 7:20) As recompensas da eternidade, embora compradas por Cristo, devem ser rigidamente proporcionais às suas obras. Não deve haver desculpas, não derive com [as] circunstâncias, com um sentimento de segurança. Deve haver fé, esperança e paciência, longanimidade, gentileza, mansidão, bondade e misericórdia. {Ct5-1888.13}

Tradução: Ivanilson Sousa da Costa. Os termos em [colchetes] são acréscimos meus ou aglutinações de expressões em inglês para facilitar o entendimento do texto. Os textos entre (parêntesis) são acréscimos dos compiladores da Carta e estão no texto em inglês. O símbolo “?” representa dúvida ou tradução incerta.

Lt 5, 1888

Morse, Brother

Battle Creek, Michigan

December 26, 1888

This letter is published in entirety in 19MR 300-305.

Dear Brother Morse:

I have risen at three o’clock this morning to write you a few lines. I was pleased with the lighthouse, and the scene which had required so much painstaking effort was one which could have been made most impressive, but failed to be made as forcible and striking as it might have been when it cost so much time and labor in preparing it. The part acted by the children was good. The reading was appropriate. Then if there had been good solid talk on that occasion in regard to children and teachers in the Sabbath schools laboring earnestly for the salvation of the souls of the children under your charge, presenting the most acceptable offering to Jesus, the gift of their own hearts, and impressive remarks short and right to the point, [on] how they could do this, would it not have been in keeping with the work we have been trying to do in the church? {Lt5-1888.1}

Every stroke now should be in harmony for the one great purpose, preparing of the hearts, that individually pupils and teachers should be as a light set on a candlestick that is may give light to all that are in the house—which would be carrying out the idea strikingly of a lighthouse guiding souls that they may not make shipwreck of faith. Can you tell me what marked impression the two poems rehearsed by the two ladies on the stand would have to do with this work? {Lt5-1888.2}

The singing was after the order we would expect it to be in any theatrical performance, but not one word could be distinguished. Certainly the tempest-tossed ship would be wrecked upon the rocks if there were no more light coming from the lighthouse than was seen in the exercises. I must say I was pained at these things, so out of order with the very work of reformation we were trying to carry forward in the church and with our institutions that I should have felt better if I had not been present. This was an occasion that should have been gotten up not only for the Sabbath school children, but words should have been spoken that would have deepened the impression of a necessity of seeking for the favor of that Saviour who loved them and gave Himself for them. If [only] the precious hymns had been sung, “Rock of ages, cleft for me, let me hide myself in Thee,” and “Jesus lover of my soul, let me to Thy bosom fly, while the billows near me roll, while the tempest still is high”! Whose souls were inspired with new and fresh zeal for the Master in those songs sung whose virtue was in the different performances of the singer? {Lt5-1888.3}

While these painstaking efforts were being made to get up the performances, meeting were being held of the deepest interest which should have engaged the attention and which called for the presence of every soul lest they should lose something of the message the Master had sent to them. Now this Christmas has passed into eternity with its burden of record, and we are anxious to see the result of it. Will it make those who acted their part in it more spiritually minded? Will it increase their sense of obligation to our heavenly Father, who sent His Son into the world at such an infinite sacrifice to save fallen man from utter ruin? Was the mind awakened to grasp God because of His great love wherewith He has loved us? {Lt5-1888.4}

We hope, now that the Christmas is in the past, that those who have put forth so much painstaking effort will now manifest a decided zeal and earnest, disinterested effort for the salvation of the souls of the teachers in the Sabbath school, that in their turn they may each labor for the salvation of the souls in their classes, to give them personal instruction as to what they must do to be saved. We hope that they will find time to labor in simplicity and in sincerity for the souls of those under their care and that they will pray with them and for them, that they may give to Jesus the precious offering of their own souls, that they may make literally true the symbol of the lighthouse in the beams of light shining forth from their own strong efforts in the name of Jesus, which should be put forth in love, they themselves grasping the rays of light to diffuse this light to others, and that there shall be no settling down to a surface work. {Lt5-1888.5}

Show just as great skill and aptitude in winning souls to Jesus as you have shown in painstaking effort for this occasion just past. Point them in your efforts, with heart and soul enlisted, to the Star that shines out to the morally darkened heaven at this time, even the Light of the world. Let your light shine that the tempest-tossed souls may set their eyes upon it and escape the rocks that are concealed beneath the surface of the water. Temptations are lying in wait to deceive them; souls are oppressed with guilt, ready to sink into despair. Labor to save them; point them to Jesus who so loved them that He gave His life for them. {Lt5-1888.6}

Repeat to them the precious assurance which God Himself has given to them: “I am the Lord, the Lord God, merciful and gracious, longsuffering and abundant in goodness and truth, keeping mercy for thousands, forgiving iniquity and transgression and sin.” [Exodus 34:6, 7.] What a precious declaration is this! What can be too hard for Him? What sin too great for Him to pardon? He is gracious, not working according to our merit, but in His boundless goodness healing our backslidings, forgiving our iniquities, and loving us freely while we were yet sinners. {Lt5-1888.7}

The Light of the world is shining upon us that we might absorb the divine rays and let this light shine upon others in good works, that many souls shall be led to glorify our Father which is in heaven. He is longsuffering, not willing that any should perish, but that all should come to repentance, and it grieves the heart of Jesus that so many refuse the offers of His mercy and matchless love. {Lt5-1888.8}

Will all who acted an interested part in the program of last evening work as zealously and interestedly to show themselves approved unto God in doing their work for the Master, that they may show themselves intelligent workmen that need not to be ashamed? Oh, let the teachers in the Sabbath school be thoroughly imbued with the spirit of the message for this time, carrying that message into all their labor. There are souls to be saved, and while in the Sabbath school work there has been much form and a great amount of precious time occupied in reading reports and records, there has been but little time to really let light shine forth in clear, steady rays in the very instruction needed to save the souls of the children and youth. [Let there be] less elaborate speeches, less lengthy remarks, and plain, pointed truth presented, [with] not one word uttered to exhibit profound knowledge, not one word in any speech. The greatest evidence of real knowledge is great simplicity. {Lt5-1888.9}

All who have taken knowledge of Jesus Christ will imitate Him in their manner of instruction. They will not have hard words, difficult to understand, but will aim to do no surface work, be short in every address, and not labor to exhibit themselves but to come directly to the point to inculcate ideas which are of value. Every word used should be so plain that the children need not go home and get a dictionary and search out the meaning of the words used by teachers and superintendents. The strength of the educator is in being understood, that he shall not need an interpreter. The less there is of machinery and forms that are really not necessary, the better it will be for the school. Imitate the great Teacher; give lessons that are clear and plain, not complicated, not buried up with a mass of words. Few words spoken plainly, clearly, presented in humility and the meekness of Christ will reach hearts, while the many words cannot be retained and are as a lot of waste paper thrown into a waste basket, to be lost as rubbish. Few words, distinct and simple, will accomplish far more that a multitude of words which confuse the mind and will not interest, so that nothing stands out clear and forcible. {Lt5-1888.10}

Our Sabbath schools should not be molded to become mechanical, but all teachers and superintendents should look upon them as the Lord’s school where souls are to be instructed how to become Christians, that while the awful guilt and grievous character of sin shall be urged home upon the soul, at the same time the mercy and compassion of God should be clearly presented in Christ’s giving His life for the sins of the world, thus revealing a love that is measureless. {Lt5-1888.11}

Jesus must be presented in simplicity to the children as a sin-pardoning Saviour offering within the veil the blood of His atonement. And while Jesus is pleading in their behalf, now, just now, while Jesus is making an offering for sin, ask Him to forgive and pardon [their] sins, to remove [their] transgressions. Thus educate the children and youth to pray; teach the children how to repent. The time taken up in so large a school in reading reports ought to be occupied every moment in the very best kind of solid instruction. Lead out the minds by making interesting remarks. Tell them to seek God, and make the service of Christ full of attraction. Tell them it is in vain to think they can make themselves better and promise to amend, for this will not remove one spot or stain of sin; but impress upon their minds that they must not only repent and forsake sin, but the way to obtain a sense of sin and true repentance is to cast themselves just as they are upon the declared mercy and revealed love of God. This would not be presumption, for every ray of light comes to them from the throne of God. It is the duty of teachers and ministers to guard against ideas that lead to presumption and confidence that cannot be sustained by the Word of God, to feel safe for eternity when they are not safe. {Lt5-1888.12}

It is the duty to rouse the soul to a sense of its privileges, and God expects corresponding returns in faithful service to Him. The soul is not to be always shrouded in clouds of doubts, but they are to make their calling and election sure. The Scripture makes the marks of true religion clear and decided if we will apply the close test Christ has given—“By their fruits ye shall know them.” [Matthew 7:20.] The rewards of eternity, though purchased by Christ, shall be rigidly proportioned to their works. There must be no listlessness, no drifting with circumstances, with a feeling of security. There must be faith and hope and patience and longsuffering, gentleness, meekness, goodness, and mercy enlisted. {Lt5-1888.13}

O conteúdo da carta está disponível no link: https://egwwritings.org/?ref=en_Lt5-1888&para=4422.1

Ct 5, 1888

Irmão Morse

Battle Creek, Michigan

26 de dezembro de 1888

Esta carta está no artigo presente no site Centro White no apêndice D.

Prezado irmão ………… Levantei-me às três horas da manhã para escrever-lhe algumas linhas. Gostei do farol. A cena que exigiu um esforço tão esmerado poderia ter sido mais impressionante, mas não foi tão vigorosa e apelativa como devia ter sido, já que custou tanto tempo e trabalho para prepará-la. A parte desempenhada pelas crianças foi boa. A leitura foi apropriada. Porém se nessa ocasião houvesse apresentado uma mensagem relacionada com as crianças e professores da Escola Sabatina trabalhando diligentemente para a salvação das almas das crianças sob seus cuidados, apresentando uma oferta mais aceitável a Jesus, o dom de seus próprios corações, e se tivessem feito observações breves e objetivas de como poderiam fazer isso, não teria sido associar-se com a obra que estamos tentando fazer na igreja?

Cada esforço deve estar em harmonia com o único grande propósito, o de preparar corações, e que individualmente, alunos e professores sejam como a luz de um candelabro que pode dar luz a todos que estão na casa, que seria apresentar a notável idéia de um farol que guia as almas para que não aconteça um naufrágio na fé. Pode me dizer qual foi a impressão marcante que os dois poemas ensaiados pelas duas senhoras na plataforma tinham a ver com essa obra?

Os cantos eram semelhantes aos que esperaríamos ouvir em qualquer representação teatral, porém não se podia distinguir uma só palavra. Certamente o barco sacudido pela tempestade naufragaria contra as rochas, se não viesse mais luz do farol do que se via na cena. Devo dizer que lamentei essas coisas, tão fora de lugar com relação ao momento de reforma que estamos tratando de levar avante na igreja e em nossas instituições. Eu teria me sentido melhor se não tivesse estado presente. Aquela era uma ocasião que deveria ter sido aproveitada não somente pelas crianças da Escola Sabatina, mas também deveriam ter sido pronunciadas palavras que aprofundassem a impressão da necessidade de buscar o favor desse Salvador que os amou e se deu a si mesmo por elas. Se tivessem sido cantados os preciosos hinos “Rocha Eterna, lá na cruz, seu olhar ficou sem luz”, e “Óh Jesus meu bom pastor, quero em Ti me refugiar, ondas mil da angústia e dor, querem vir a me tragar!” Que almas foram inspiradas com novo e vigoroso zelo pelo Mestre com aquelas canções, cuja virtude estava nas diferentes interpretações do cantor?

Enquanto se realizam esmerados esforços para preparar estas representações, estavam sendo realizadas reuniões de interesse mais profundo que requeriam a atenção e solicitavam a presença de todos para que não se perdesse nada da mensagem que o Mestre lhes havia enviado? Agora, este Natal passou para a eternidade com o peso do seu registro e nós estamos ansiosos para ver os resultados. Terão uma mente mais espiritual os que desempenharam uma parte? Aumentará seu senso de obrigação com o nosso Pai Celestial, que enviou o Seu Filho Unigênito ao mundo por um preço tão infinito para salvar da ruína total o homem caído? Despertará a mente para buscar a Deus pelo grande amor com que nos amou?

Confiamos que, agora que o Natal está no passado, aqueles que dedicaram tanto esforço, manifestarão profundo zelo e um ardente e desinteressado esforço pela salvação dos professores da Escola Sabatina e que estes, por sua vez, trabalharão pela salvação de seus alunos e lhes darão instrução pessoal para que saibam o que devem fazer para ser salvos. Confiamos que acharão tempo para trabalhar com simplicidade e sinceridade pelas almas que estão sob seus cuidados e que orarão com eles e por eles para que possam dar a Jesus a preciosa oferta de suas próprias almas, que tornarão literalmente verdadeiro o símbolo do farol nos raios de luz que brilham de seus próprios e poderosos esforços realizados em nome de Jesus e feitos com amor; que eles mesmos se apegarão aos raios de luz para difundi-la a outros e que não se conformarão com trabalho superficial. Mostrai tanta habilidade e aptidão para ganhas almas para Jesus, como haveis demonstrado no esforço esmerado que fizestes nesta ocasião que acaba de ocorrer. Apontai em vossos esforços, com alma e coração, para a Estrela que brilha no céu deste mundo moralmente obscurecido, a Luz do mundo. Que vossa luz brilhe para que as almas sacudidas pela tempestade possam fixar seus olhos nela e escapar das rochas que estão escondidas sob a superfície das águas. As tentações estão à espera para enganá-los; há almas oprimidas pela culpa prontas a afundar no desespero. Trabalhai para salvá-los; apontai-lhes Jesus que tanto as ama e que deu Sua vida por elas…

A luz do mundo está brilhando sobre nós para que possamos absorver os raios divinos e permitir que essa luz brilhe sobre outros em boas obras, para que muitas almas glorifiquem ao Pai que está no céu. “Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça senão que todos cheguem ao arrependimento”. (II Pedro 3:9)

Todos que desempenharam uma parte no programa da noite passada trabalhariam tão zelosa e interessadamente para ser aprovados por Deus ao realizar sua obra pelo Mestre, a fim de apresentar-se como obreiros inteligentes que não têm de que se envergonhar? Oh, que os professores da Escola Sabatina estejam plenamente imbuídos do espírito da mensagem para este tempo, e tenham sempre presente a mensagem em todo o seu trabalho. Há almas para salvar e enquanto que no trabalho da Escola Sabatina tenha havido muito formalismo e se tem dedicado muito do precioso tempo à leitura de relatórios e registros, não tem havido tempo suficiente para que a luz brilhe realmente com claros e potentes raios, da instrução tão necessária para a salvação das crianças e dos jovens. Menos discursos elaborados, menos observações extensas, e mais verdades simples; nem uma palavra com o fim de demonstrar conhecimentos, nem apenas uma, pois a maior evidência de um verdadeiro conhecimento é a grande simplicidade. Todos os que adquiriram conhecimento de Cristo o imitarão na maneira de comunicar instruções.

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Teatro na Igreja e suas polêmicas.
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Livro “Caminho a Cristo”

Neste ano de 2017 completa-se 125 anos de publicação do livro Caminho a Cristo, um clássico da escritora Ellen G. White publicado em 1892. Já havia lido este livro creio que 3 vezes (veja aqui), inclusive este foi uns dos meus primeiros livros da irmã White que li, juntamente com o Vida de Jesus. Trago abaixo alguns trechos de mais uma leitura (paginação oficial)!

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O livro Caminho a Cristo foi publicado em 1892.
  1. “Os espinhos e as ervas daninhas – as dificuldades e provações que tornam a vida tão cansativa e cheia de preocupações – foram designados para o bem do ser humano, como parte do preparo necessário no plano de Deus para erguê-lo da ruína e degradação causadas pelo pecado.” (p.9)
  2. “Jesus não suprimia sequer uma palavra da verdade, mas falava sempre com amor. Ele tinha tato e prestava bondosa atenção ao interagir com as pessoas. Nunca Se mostrava rude, jamais pronunciava uma palavra severa sem necessidade e evitava causar dor desnecessária a uma pessoa sensível. Ele não censurava a fraqueza humana. Falava a verdade, mas sempre com amor. Denunciava a hipocrisia, a incredulidade e a iniquidade; mas Suas repreensões rigorosas eram sempre proferidas com lágrimas e tristeza. Chorou por Jerusalém, a cidade que Ele amava, a qual se recusou a receber Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Os líderes rejeitaram o Salvador, mas Ele os considerava com meiga compaixão. Sua vida foi de abnegação e repleta de cuidado pelos outros. Cada pessoa era preciosa aos Seus olhos. […] Ele via em todos os homens seres caídos, cuja salvação era o objetivo de Sua missão.” (p.12)
  3. “Mas será que o pecador deve esperar até que tenha se arrependimento para ir a Jesus? Será que o arrependimento tem que ser um obstáculo entre o pecado e o Salvador? A Bíblia não ensina que o pecador precisa arrepender-se antes de atender o convite de Cristo: ‘Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei’ (Mt 11:28). É a virtude que vem de Cristo que conduz ao verdadeiro arrependimento.” (p.26)
  4. “Deus não considera igualmente graves todos os pecados. Há diferentes gradações de culpa, tanto aos olhos de Deus quanto aos humanos. […] O julgamento do homem é parcial e imperfeito, mas Deus vê todas as coisas como realmente são. Desprezamos o alcoólatra, e dizemos-lhes que o seu vício vai excluí-lo do Céu, enquanto o orgulho, o egoísmo e a cobiça geralmente não são condenados.” (p.30)
  5. “O pecado, por menor que possa parecer, implica risco de perda da vida eterna. Aquilo que não vencermos acabará por nos vencer, e causará a nossa destruição.” (p.32, 33)
  6. “A luta contra o eu é a maior de todas as batalhas. A renúncia do eu, a sujeição de tudo à vontade de Deus, requer uma luta; mas a pessoa deve se submeter a Deus antes de ser renovada em santidade.” (p.43)
  7. “Ele [Deus] odeia o pecado, mas ama o pecador. Ele entregou-Se, na pessoa de Cristo, para que todos pudessem ser salvos e desfrutar as bem-aventuranças eternas no reino de glória.” (p.54)
  8. “… a obediência não é uma mera concordância externa e sim uma consequência do amor. A lei de Deus é uma expressão da natureza divina; é uma personificação do grande princípio do amor e, por isso, o fundamento do Seu governo no Céu e na Terra. Se nosso coração for renovado à semelhança de Deus, se o amor divino estiver nele implantado, é claro que viveremos em obediência à lei de Deus.” (p.60)
  9. “Não ganhamos a salvação por nossa obediência, pois a salvação é um dom gratuito de Deus que recebemos pela fé. Mas a obediência é fruto da fé. […] A suposta fé em Cristo que leva a pessoa a se esquivar da obrigação de obedecer a Deus não é fé, mas presunção.” (p.61)
  10. “A condição para a vida eterna ainda é a mesma que sempre foi: perfeita obediência à lei de Deus, perfeita justiça, exatamente como era no Paraíso, antes da queda de nossos primeiros pais. Se a vida eterna nos fosse concedida sob qualquer condição inferior a essa, a felicidade de todo o Universo estaria correndo perigo. Estaria aberto o caminho para que o pecado com toda a sua miséria se perpetuasse.” (p.62)
  11. “Existe uma espécie de crença que é totalmente diferente da fé. A existência e o poder de Deus, a veracidade de Sua Palavra, são fatos que nem Satanás e suas hostes podem sinceramente negar. A Bíblia diz que ‘os demônios creem e tremem’ (Tg 2:19). Mas isso não é fé. Onde existe não só a crença na Palavra de Deus, mas também uma submissão da vontade a Ele; onde o coração é entregue e as afeições são nEle concentradas, aí existe fé – uma fé que opera por meio do amor e que purifica o coração. Mediante esta fé, o coração é renovado à imagem de Deus.” (p.63)
  12. “Nada há mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras. Nenhum livro é tão capaz de elevar nossos pensamentos e dar vigor às faculdades como as grandiosas e enobrecedoras verdades da Bíblia. Se a Palavra de Deus fosse estudada como deveria ser, as pessoas teriam uma mente mais esclarecida, um caráter mais nobre e firmeza de propósito, coisas raramente vistas nos dias de hoje.” (p.90)
  13. “Leia-a [a Bíblia] sempre que tiver oportunidade; decore as passagens. Mesmo andando pelas ruas, você pode ler uma passagem e meditar sobre ela, fixando-a na mente.” (p.90)
  14. “A oração é o abrir do coração a Deus como a um amigo. Não que isso seja necessário para que Deus saiba quem somos, mas para nos habilitar a recebê-Lo. A oração não faz Deus descer até nós, mas eleva-nos a Ele.” (p.93)
  15. “Por mais que disfarcem, a verdadeira causa para a dúvida e o ceticismo é, na maioria das vezes, o amor ao pecado. Os ensinos e as restrições da Palavra de Deus não agradam ao coração orgulhoso e amante do pecado, e os que não estão dispostos a obedecer a seus preceitos são os primeiros a duvidar de sua autoridade.” (p.110)

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