O Império assírio no tempo de Isaías

Isaías foi um profeta do reino do sul (Judá) e viveu num período crítico de sua nação. Ele desempenhou um papel importante durante dois períodos significativos: (1) sob o reinado de Acaz, durante a guerra entre a Síria e Israel (Is 7-11) e (2) sob o reinado de Ezequias, durante o cerco de Jerusalém por Senaqueribe (Is 36, 37). Encorajando Ezequias e o povo por meio de sua própria confiança em Deus, ele foi útil para salvar Jerusalém. O ministério completo de Isaías, do rei Uzias ao rei Manassés, deve ter durado mais de meio século (ver Profetas e Reis, p.310, 382).

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Em vermelho, império assírio; em marrom, reino elamita; em amarelo, reino do Egito; os países e povos que pagavam impostos para a Assíria estão sublinhados de verde.

Fonte: baseado no Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol.4, p.3, 5, 305.

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A deportação dos israelitas de Samaria

“No quarto ano do reinado do rei Ezequias, o sétimo ano do reinado de Oseias, filho de Elá, rei de Israel, Salmaneser, rei da Assíria, marchou contra Samaria e a cercou. Ao fim de três anos, os assírios a tomaram. Assim a cidade foi conquistada no sexto ano do reinado de Ezequias, o nono ano do reinado de Oseias, rei de Israel. O rei assírio deportou os israelitas para a Assíria e os estabeleceu em Hala, em Gozã do rio Tabor e nas cidades dos medos. Isto aconteceu porque os israelitas não obedeceram ao Senhor seu Deus, mas violaram a sua aliança: tudo o que Moisés, o servo do Senhor, tinha ordenado. Não o ouviram nem lhe obedeceram.” (2 Reis 18:9-12) #rpSp

Em 722 a.C. Samaria foi capturada pelos assírios e de acordo com seus registros, quase 30 mil samaritanos foram deportados para territórios daquele império. De acordo com 2 Reis 18:11, eles foram enviados para as cidades de Hala, região ao norte e oeste de Nínive, Gozã, e na “cidades dos medos” (Harhar [Kar-Sarrukin]). Veja o mapa para identificar essas regiões.

Muitos desses deportados foram incorporados em vários setores da sociedade dos assírios, inclusive no exército. Existe evidência que alguns dos arqueiros do exército de Senaqueribe eram samaritanos.

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A deportação de Israel no século 8 a.C.

Jeroboão II, Jonas e os assírios – parte 1

“No décimo quinto ano do reinado de Amazias, filho de Joás, rei de Judá, Jeroboão, filho de Jeoás, rei de Israel, tornou-se rei em Samaria e reinou quarenta e um anos. Ele fez o que o Senhor reprova e não se desviou de nenhum dos pecados que Jeroboão, filho de Nebate, levara Israel a cometer. Foi ele quem restabeleceu as fronteiras de Israel desde Lebo-Hamate até o mar da Arabá, conforme a palavra do Senhor, Deus de Israel, anunciada pelo seu servo Jonas, filho de Amitai, profeta de Gate-Héfer.” (2 Reis 14:23-25) #rpSp

Durante a primeira metade do século 8 a.C., os reis Jeroboão II de Israel e Uzias/Azarias de Judá expandiram seus territórios de maneira significativa (2 Reis 14:23-29; 2 Crônicas 26:1-15). A expansão foi uma consequência direta da ausência de reis assírios na região, que nessa época estavam ocupados com as fronteiras do norte do império, lutando contra o reino de Urartu, localizado basicamemte na área que hoje corresponde a Armênia e territórios adjacentes do leste da Turquia (Lago Van), noroeste do Irã (Lago Urmia) e uma pequena porção do norte do Iraque. Urartu, ou Biai, é conhecido no Antigo Testamento como “terra de Ararate”, a região onde os filhos do rei assírio Senaqueribe fugiram depois que eles o mataram (2 Reis 19:37, Isaías 37:38).

As informações escassas sobre o reino de Urartu disponíveis até agora são principalmente de fontes assírias. Segundo elas, essa nação desempenhou um papel significativo na região do 9º ao 6º séculos a.C. O rei assírio Shalmaneser III (859-824 a.C.) se vangloriou da destruição da capital de Urartu, Arzashkun, durante sua campanha em 857 a.C. No entanto, alguns anos depois de sua morte este cenário mudou, quando o império Assírio experimentou um período de oscilação na sua hegemonia, devido a disputas internas. Isso deu oportunidade para Urartu se fortalecer, o que culminou na vitória de seu rei Sarduri II sobre o governante assírio Assur-Nirari V (754-745 a.C).

O que isso tem a ver com Jeroboão de Israel? Muita coisa! A situação política entre estes dois poderes teve um impacto direto nos territórios israelitas e de Judá. Os achados arqueológicos de Samaria, a capital israelita naquele tempo, demonstram a riqueza da nação. Ironicamente, foi neste contexto que profeta Amós levantou sua voz contra a pobreza espiritual de Israel e Judá (Amós 1:1). Além disso, também foi durante o tempo de Jeroboão II que Jonas foi enviado pelo Senhor para pregar aos ninivitas da Assíria (Jonas 1: 1; 2 Reis 14:25), que estavam atemorizados com a constante ameaça de Urartu.

Em resumo, a prosperidade de Israel e Judá no início do século 8 está relacionada, em certa medida à ascensão e poder do reino de Urartu.

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(Contexto Histórico do Antigo Testamento)

Campanha militar de Sisaque, rei do Egito – 2 Crônicas 12

“No quinto ano do reinado de Roboão, Sisaque, rei do Egito, atacou Jerusalém. Levou embora todos os tesouros do templo do Senhor e do palácio real, inclusive os escudos de ouro que Salomão havia feito.” (1 Reis 14:25-26)

Sisaque, também conhecido como Shoshenq I, foi um faraó líbio que fundou a 22a dinastia no Egito e governou esse país entre 945-924 a.C. Ele foi responsável por colocar o Egito de volta no mapa geopolítico do antigo oriente, renovando fortes laços com a cidade fenícia de Biblos e atacando territórios filisteus, e dos reinos de Judá e Israel.

Ele é mencionado explicitamente em duas passagens da Bíblia hebraica (cf. 1 Reis 14:25-26; 2 Crônicas 12:2-9). De acordo com esses versículos, no quinto ano do rei Roboão de Judá (925 a.C.), Sisaque atacou cidades de Judá e Israel, este último reino sendo governado por Jeroboão, filho de Nebate (1 Reis 11:26-40). Esta campanha militar aparentemente foi desencadeada por um incidente na fronteira com semitas onde o moderno canal de Suez está localizado. Entre as tropas de Sisaque estavam líbios, suquitas e etíopes, também conhecido como núbios (2 Crônicas 12:3). Os suquitas só são mencionados em 2 Crônicas. Eles são o Tjujten, um grupo de mercenários líbios conhecidos a partir de textos egípcios do 13º/12º séculos a.C. em diante. Este detalhe periférico demonstra a familiaridade do autor de Crônicas com fontes históricas confiáveis.

Este ataque de Sisaque também está registrado em uma das paredes do templo de Amon, em Karnak, Egito. O ataque ocorreu em seu 21º ano de reinado (925 a.C). Juntamente com uma representação do faraó subjugando inimigos, existe um número significativo de nomes de cidades dos territórios da Filistia, Israel e Judá escritos na parede. Avançando através de Gaza, o governante egípcio enviou tropas para o sul de Judá (Negev), enquanto ele e seu principal esquadrão foram para uma cidade ao norte da capital de Judá, Jerusalém. Um escaravelho contendo o nome de Sisaque foi recentemente encontrado em Khirbat Hamra Ifdan, no sul da Jordânia, uma área conhecida por suas atividades de fundição de cobre durante os séculos 10 e 9 a.C. A presença desse objeto nessa área sugere que as tropas militares de Sisaque foram até lá com objetivo de interromper a atividade da indústria local, que pode muito bem estar relacionada com as famosas minas do rei Salomão.

Depois de dominar o reino de Roboão, Sisaque foi em direção de importantes cidades do domínio de Jeroboão, incluindo Taanaque, Bete-Seã e Megido, onde ele erigiu uma estela (documento comemorativo). Um fragmento desse documento foi encontrado onde Sisaque comemora suas vitórias em toda aquela região. Depois disso, o faraó e suas tropas foram para o sul de Gaza para se juntar com os outros contingentes e de lá eles voltaram triunfalmente para a capital do Delta, Tânis, a bíblica Zoã.

Por razões desconhecidas, Jerusalém e seu pesado tributo de ouro e prata pago pelo rei Roboão como um sinal de submissão (1 Reis 14:25-26), não são mencionados nos relevos de Karnak. No entanto, não é coincidência que o filho de Sisaque, Faraó Osorkon I ( 924-889 aC), usou cerca de 400 toneladas de ouro e prata nos templos egípcios nos primeiros quatro anos de seu reinado, um luxo que outros governantes não tinham à disponível nos dois séculos anteriores. Essa enorme quantidade de metais preciosos pode muito bem estar relacionada com o tributo mencionado nessa passagem.

Em suma, as evidências textuais e arqueológicas mencionadas acima corroboram com o relato bíblico da campanha militar de Sisaque. O autor bíblico tinha conhecimento íntimo acerca desse evento.

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(Contexto Histórico do Antigo Testamento)

A importância da geografia bíblica – 1 Reis 15

“Baasa, rei de Israel, invadiu Judá e fortificou Ramá, para que ninguém pudesse entrar nem sair do território de Asa, rei de Judá.” (1 Reis 15:17)

As reformas religiosas de Asa e sua vitória sobre o exército etíope (2 Crônicas 14) devem ter atraído vários israelitas que não estavam satisfeitos com a idolatria no reino do norte. Quem sabe seja esse o motivo do texto bíblico mencionar imigrantes israelenses indo para Judá (2 Crônicas 15:9). Esse era exatamente o medo de Jeroboão (1 Reis 12:26-27) e por causa disso, Baasa, rei de Israel, tentou fisicamente parar esse fluxo de israelitas construindo uma fortaleza em Ramá, na região central do território de Benjamin.

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Na região montanhosa da Palestina, Israel e Judá estão conectados apenas por essa rota que passava por Ramá. Os cânions ao leste e oeste daquela região tornam uma viagem possível apenas pelo vale entre eles. Baasa sabia que se ele pudesse controlar a área ao redor de Ramá, uma cidade estratégica nesse vale, ele estaria freando a onda migratória de israelitas para Judá. Além disso, Ramá está numa intersecção de rotas vindo do leste (Jericó) e oeste (Quiriate-Jearim e Bete-Horon). A principal rota de acesso à Jerusalém, tanto do oeste como do leste, era por Ramá. Ao tomar essa cidade, Baasa também estava anulando todo o tráfico vindo dessas direções para Jerusalém.

Tudo isso fortemente sugere que a segurança da capital de Judá estava ameaçada. Através da história, Jerusalém sempre foi atacada e conquistada pelo norte. Controlar aquela área da tribo de Benjamin ao redor de Ramá era fundamental para proteger Jerusalém. A situação exigia uma resposta rápida do rei Asa.

Infelizmente, Asa escolheu confiar no homem ao invés de confiar no Senhor (2 Crônicas 16:7-10). Ele fez uma aliança com Ben-Hadade, rei da Síria, que atacou e “conquistou Ijom, Dã, Abel-Bete-Maaca e todo o Quinerete, além de Naftali.” (1 Reis 15: 20). Baasã, rei de Israel, foi então forçado a recuar seu exército da região de Ramá para defender a sua fronteira no norte.

Então o rei Asa reuniu todos os homens de Judá — ninguém foi isentado — e eles retiraram de Ramá as pedras e a madeira que Baasa estivera usando. Com esse material Asa fortificou Geba, em Benjamim, e também Mispá. (1 Reis 15:22)

Humanamente falando, a manobra política de Asa funcionou. Utilizando o Wadi Suwenit como fronteira natural, ele construiu Geba e Mispá (escavações arqueológicas em Mispá revelaram parte de uma muralha atribuída à Asa). Que Asa considerava o controle da região central de Benjamin como fundamental pode ser visto no fato de ele convocar “todo Judá” para construir essas duas fortalezas. Somente assim ele conseguiu proteger a fronteira Israel-Judá, mas ao mesmo tempo criou uma “outra” fronteira que acabou com qualquer possibilidade de reunificação dos dois reis.

Infelizmente, Asa, que começou bem, não terminou da mesma forma. Assim como ele respondeu de maneira incrédula diante da situação na região central de Benjamin, Asa teve um tipo de doença nos seus pés e “embora a sua doença fosse grave, não buscou ajuda do Senhor, mas só dos médicos. (2 Crônicas 16:7-14).

Sobre Baasa de Israel, ele não recebeu nenhum louvor divino. Apesar de ele ter sido um instrumento da ira de Deus sobre a casa de Jeroboão, Baasã “andou nos caminhos de Jeroboão e fez o povo pecar.” (1 Reis 16:2). Por isso ele teve o mesmo fim de Jeroboão. Seu filho Elá reinou apenas dois anos e foi assasinado, juntamente com o resto da casa de sua casa, na então capital de Israel Tirza (1 Reis 16:1-14) [na conspiração de Zinri].

Bil Schlegel, “The Land and the Bible: A Historical Geographical Companion to the Satellite Bible Atlas,” pp.100-101. Traduzido e adaptado por Luiz Gustavo Assis.

 

Campanha militar de Hazael, rei da Síria

“Naqueles dias, o Senhor começou a reduzir o tamanho de Israel. O rei Hazael conquistou todo o território israelita a leste do Jordão, incluindo toda a terra de Gileade. Conquistou desde Aroer, junto à garganta do Arnom, até Basã, passando por Gileade, terras das tribos de Gade, de Rúben e de Manassés.” 2 Reis 10:32-33

“Nessa época, Hazael, rei da Síria, atacou Gate e a conquistou. Depois decidiu atacar Jerusalém.” 2 Reis 12:17 #rpSp

Esse mapa apresenta de forma clara os inúmeros problemas que os arameus de Damasco, liderados por Hazael, causaram para Israel e Judá, durante a segunda metade do 9o século a.C. A crise política e econômica desse período era o resultado natural de uma outra crise, uma de natureza espiritual, que ambos os reinos estavam enfrentando durante os governos de Jeú de Israel e Joás de Judá.

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(Contexto Histórico do Antigo Testamento)

Jebus – Cidade de Davi – Jerusalém

Amigos, a pedidos, trazemos alguns mapas de Jerusalém, que ajudam a entender a história desta maravilhosa cidade, que envolvem desde os eventos de Melquisedeque (Salém), Abraão (monte Moriá), Jebus, A cidade de Davi, Salomão, Neemias, nosso amado Senhor Jesus até os dias atuais. Para imagem ampliada, clique aqui.

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Limites e arredores de Jerusalém no Antigo e Novo Testamento. No primeiro mapa, nota-se a cidade de Davi, antiga Jebus.

Da Bíblia de Estudo de Andrews. Todos os direitos da figura pertencem à CPB – Casa Publicadora Brasileira.

(Reavivados Por Sua Palavra)