Isaías andou peladão por 3 anos?

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Isaías, o profeta peladão? Imagem: Divulgação.

Em Isaías 20 temos uma passagem bíblica bastante curiosa a cerca de uma instrução de DEUS ao profeta:

“No ano em que Tartã, enviado por Sargom, rei da Assíria, veio a Asdode, e guerreou contra ela, e a tomou, nesse mesmo tempo falou o Senhor por intermédio de Isaías, filho de Amós, dizendo: Vai, solta o cilício de teus lombos, e descalça os sapatos dos teus pés. E ele assim o fez, indo nu e descalço. Então disse o Senhor: Assim como o meu servo Isaías andou três anos nu e descalço, por sinal e prodígio sobre o Egito e sobre a Etiópia, assim o rei da Assíria levará em cativeiro os presos do Egito, e os exilados da Etiópia, tanto moços como velhos, nus e descalços, e com as nádegas descobertas, para vergonha do Egito.” (Isaías 20:1-4, ACF)

Será que Isaías andou peladão durante 3 anos? Certamente não!

Veja o que diz o Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia sobre esses versos:

“A palavra ‘arom’, ‘despido’, tanto pode significar completamente nu ou parcialmente vestido. Neste caso (como em Is. 58:7; Ez. 18:7, 16; Mq. 1:8), aponta-se o último significado. Isaías deixou de lado sua veste exterior e usou apenas as vestes interiores, uma prática comum no Oriente até hoje, principalmente entre os trabalhadores. O ato seria sinal de humilhação, privação e vergonha.” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 4, p. 186, negrito acrescentado).

A palavra hebraica para nu ou despido, arom, aparece nos seguintes versos: Gn 2:25, 1Sm 19:24,  Jó 1:21, 22:6, 24:7, 10, 26:6, Ec 5:15, Is 58:7, Os 2:3, Am 2:16, Mq 1:8, além de Isaías 20:2-4. Leia as passagens e veja que o “nu” ou “despido” pode se referir ao pobre, com pouca roupa (Jó 22:6, 24:7, 10), ou alguém despido de seus trajes habituais (1Sm 19:24, Mq 1:8), além do nu absoluto (Jó 1:21, Ec 5:15, etc.).

Logo, entendemos que Isaías andou “nu” e “despido” de suas vestes habituais, não peladão por aí, mostrando suas partes íntimas (isso também se entende pela frase “solta o cilício de teus lombos, e descalça os sapatos dos teus pés” no verso 2). A NTLH também traz esse sentido: “— Tire a roupa de pano grosseiro que você está vestindo e tire também as sandálias.” (v.2).

Essa dramatização real teve o objetivo de lembrar cada um dos que viam o profeta que os juízos divinos viriam caso a nação não se arrependesse, eles seriam levados cativos humilhados e, obviamente, sem seus trajes habituais. O fato de o verso 4 dizer que eles seriam levados com as “nádegas descobertas” não significa necessariamente que Isaías mostrou a bunda perambulando pelas ruas de Jerusalém e sim que, durante a viagem rumo ao exílio, a humilhação seria tanta que muitos cativos iriam totalmente nus ou parcialmente nus (os opressores não seriam caridosos dando roupas novas para os inimigos e  futuros escravos, né?).

Assim, concluimos que não houve nada de nudez absoluta de Isaías (reflita sobre as leis sobre nudez em Lv 18).   

P.s.: Outro exemplo está em 1Sm 19:24, onde lê-se: “E ele [Saul] também despiu as suas vestes, e profetizou diante de Samuel, e esteve nu por terra todo aquele dia e toda aquela noite; por isso se diz: Está também Saul entre os profetas?” Entretanto, esse “nu” ou “despido” refere-se a retirada de suas vestes reais. 

“Saul retirou sua veste real externa.” (Bíblia de Estudo Andrews, comentário sobre 1Sm 19:24, negrito acrescentado).

Ao tirar seu manto real, Saul ficou vestido mais ou menos como qualquer um dos alunos da escola.” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 2, p. 589, negrito acrescentado).

Davi também não andou nu quando trouxe a arca da aliança para Jerusalém, mas apenas despido de seus trajes reais. Veja aqui.

 

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Ellen White fez profecias que não se cumpriram?

Confira respostas a questionamentos sobre algumas predições da pioneira adventista

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A Bíblia estabelece os critérios para se reconhecer um profeta verdadeiro. Entre esses, está a realização de suas previsões (Dt 18:22), um indicativo de que o profeta em questão realmente recebeu mensagens Daquele que é presciente e conhece o fim desde o princípio (Is 46:10). Os autores da Bíblia atendem a esse requisito, uma vez que as predições bíblicas têm se cumprido ao longo da história.

Mas não foram só os cerca de 40 autores da Bíblia que foram profetas. A própria Bíblia descreve muitos outros que não escreveram uma linha sequer das Escrituras Sagradas, mas que trouxeram mensagens inspiradas por Deus ao mundo. A lista inclui Abraão (Gn 20:27), Arão (Êx 7:1), Miriã (Êx 15:20), Débora (Jz 4:4), Eliseu (2Rs 9:1), Hulda (2Rs 22:14; 2Cr 34:22), a esposa de Isaías (Is 8:3), João Batista (Mc 11:32), Ana (Lc 2:36), Ágabo (At 21:10) e as quatro filhas de Filipe (At 21:9).

A Bíblia também menciona profetas que escreveram livros que não compõem o cânon bíblico. Entende-se que essas obras foram inspiradas por Deus, mas não estão na Bíblia porque sua mensagem tinha uma aplicação para pessoas específicas que viveram em determinada época, ou porque seu conteúdo apenas repete ou explica o que está nos livros da Bíblia. Entre esses livros, a Bíblia menciona: uma carta do profeta Elias (2Cr 21:12); um livro sobre a vida do rei Uzias, escrito pelo profeta Isaías (2Cr 26:22); os escritos do profeta Natã (2Cr 9:29); o livro do profeta Aías (2Cr 9:29); o livro do profeta Ido (2Cr 9:29; 12:15; 13:22); o livro do profeta Semaías (Cr 12:15); as crônicas do profeta Jeú (2Cr 20:34); um volume de Lamentações de Jeremias sobre a morte de Josias (2Cr 35:21); uma carta de Paulo escrita aos cristãos coríntios anteriormente à carta de 1 Coríntios encontrada na Bíblia (1Co 5:9); outra carta aos coríntios escrita entre 1 e 2 Coríntios, cheia de repreensões, mas que não está na Bíblia (2Co 7:8); uma carta de Paulo aos laodicenses (Cl 4:16); e um possível evangelho escrito por Paulo (Rm 2:16; 16:25; 2Tm 2:8).

Mesmo não tendo como saber tudo o que esses profetas disseram e escreveram, cremos que eles, sua mensagem e seus escritos atenderam aos critérios bíblicos de um verdadeiro profeta, independentemente de estarem na Bíblia. Caso contrário, não seriam chamados assim nas Escrituras. A Palavra de Deus tem a autoridade doutrinária sobre o cristão (2Tm 3:16, 17), mas, se nem mesmo na época de composição do cânon bíblico Deus restringiu Sua revelação ao que deveria compor a Bíblia, por que seria diferente após a conclusão do livro sagrado?

O dom de profecia tem sido dado por Deus a homens e mulheres ao longo da história. Na Bíblia, há a predição de que, no tempo do fim, pessoas receberiam revelações especiais de Deus (Jl 2:28-31; At 2:17-21; 1Co 14:1). Cada vez mais, diferentes segmentos do cristianismo aceitam a verdade bíblica de que a manifestação dos dons espirituais, entre eles o dom de profecia, não ficou restrita ao período de composição das Escrituras e é uma dádiva de Deus que será concedida à igreja até a segunda vinda de Cristo (1Co 13:8-13).

Entre as pessoas em quem se reconhece a manifestação do dom de profecia está Ellen White (1827-1915). Essa senhora recebeu aproximadamente 2 mil visões e sonhos proféticos entre 1844 e o ano de sua morte. Seu trabalho foi essencial para a formação e organização da Igreja Adventista do Sétimo Dia. De sua lavra, foram produzidas cerca de 35 mil páginas de conteúdo impresso, entre livros, folhetos e artigos de revista, além de centenas de cartas, sermões, manuscritos e vários diários. Esses escritos são frequentemente chamados de “Espírito de Profecia”. Entende-se que os textos de Ellen White são inspirados por Deus da mesma forma que a Bíblia é, mas os escritos dela são uma mensagem específica para o povo de Deus no tempo do fim e não têm a mesma autoridade da Bíblia. Sua importância e autoridade é semelhante ao que os profetas antigos falaram ou escreveram inspirados por Deus, mas que não está na Bíblia.

A maior parte dos escritos de Ellen White trata de Jesus Cristo e do plano da salvação (seu assunto preferido), ou são comentários sobre passagens bíblicas e conselhos sobre a vida cristã, educação, saúde, liderança e a vida em família. No entanto, ela também fez algumas predições ou fez afirmações científicas e históricas que só se confirmaram bem depois de ela as ter dito ou escrito. Apesar disso, é acusada de ter feito algumas profecias que nunca teriam se cumprido.

Desde o início de seu ministério profético, Ellen G. White teve seu dom de profecia contestado inúmeras vezes por vários opositores. A maioria dos ataques contra Ellen G. White já foi respondida. O livro de Francis D. Nichol, Ellen G. White and Her Critics (Review and Herald, 703 páginas), concentra praticamente todos os questionamentos possíveis feitos contra o que Ellen G. White escreveu ou disse. Mesmo assim, muita gente tem dúvida a respeito de afirmações feitas pela profetisa sobre o futuro e que, supostamente, não se realizaram. A seguir, há uma lista de quatorze previsões de Ellen White que tem sido usada por muitos para desacreditarem a autenticidade de seu dom profético. Cada uma dessas predições supostamente não cumpridas é acompanhada de um comentário explicando porque os argumentos não desqualificam Ellen G. White como uma autêntica demonstração de alguém que, em época relativamente recente, recebeu do Espírito Santo o dom de profecia.

  1. Questionamento. Ellen G. White predisse que a Inglaterra declararia guerra contra os Estados Unidos. Sua profecia com relação à Inglaterra dizia respeito à Guerra Civil americana e não se cumpriu (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 259).

Resposta. Na página citada, escrita em 1862, durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, Ellen White escreveu: “A Inglaterra está estudando se é melhor tirar proveito da presente condição do país, guerreando contra ele. Examina a questão e sonda outras nações. Teme que, se iniciar uma guerra no exterior, ela se enfraqueça e outras nações possam tirar proveito da situação. Outros países estão fazendo preparativos silenciosos, mas diligentes, para a luta armada e esperando que a Inglaterra combata os Estados Unidos, para então terem a oportunidade de vingar-se da exploração e injustiças de que foram vítimas no passado. Uma parte dos países sujeitos à rainha está esperando uma chance favorável para quebrar seu jugo. Mas se a Inglaterra pensar que isso valerá a pena, não vacilará um momento para aumentar as chances de exercer o poder e humilhar nosso país. Quando a Inglaterra declarar guerra, todas as nações terão interesses próprios a atender, haverá guerra e confusão totais.”

Nessa citação, Ellen G. White revelou a seus leitores que o alto escalão do governo britânico considerava intervir na Guerra Civil Americana, mas a possibilidade de que a participação inglesa no conflito pudesse dar ocasião ao surgimento de movimentos separatistas nas colônias pesava contra a decisão. De fato, a história registra que o país europeu cogitou, durante os primeiros dezoito meses da guerra (exatamente a época em que Ellen G. White escreveu o texto mencionado), uma intervenção militar na Guerra de Secessão. É provável que os leitores de Ellen G. White (e talvez nem ela mesma) não tivessem como saber o que o governo britânico planejava em relação à guerra nos Estados Unidos. Deus, porém, revelou a Ellen que, do outro lado do oceano Atlântico, autoridades britânicas consideravam um ataque que poderia ser trágico para os Estados Unidos, mas estavam prestes a desistir da ideia por temerem as consequências da investida para a integridade de seu vasto império. Finalmente, o Reino Unido optou por permanecer neutro em relação à Guerra Civil nos Estados Unidos, e manteve o domínio sobre suas colônias durante as décadas seguintes. Na Bíblia, há um exemplo semelhante de profecia que descreve as consequências que poderiam seguir se determinada decisão fosse tomada (ver Jeremias 42:10-19).

  1. Questionamento. Ellen G. White predisse que Jerusalém jamais seria reconstruída. A cidade de Jerusalém foi reconstruída e Israel voltou a existir como país (Primeiros Escritos, p. 75).

Resposta. Antes de comentar, vamos ler o trecho, escrito em 1851: “Foram-me indicados então alguns que estão em grande erro de crer que é seu dever ir à antiga Jerusalém, entendendo que têm uma obra a fazer ali antes que o Senhor venha. Tal opinião é de molde a afastar a mente e o interesse da presente obra do Senhor, sob a mensagem do terceiro anjo, pois os que pensam ser seu dever, não obstante, ir à velha Jerusalém terão sua mente firmada ali, e os seus recursos serão tirados da causa da verdade presente para permitir a eles e a outros estarem ali. Vi que tal missão não realizaria nenhum bem real, que levaria um bom espaço de tempo para levar alguns judeus a se tornarem crentes mesmo na primeira vinda de Cristo, quanto mais no Seu segundo advento. Vi que Satanás havia enganado sobremodo alguns neste ponto e que as almas ao redor deles, neste país, poderiam ser ajudadas por eles e levadas a guardar os mandamentos de Deus, mas deixaram-nas a perecer. Vi também que a velha Jerusalém jamais seria reconstruída, e que Satanás estava fazendo o máximo para levar a mente dos filhos do Senhor para essas coisas agora, no tempo do ajuntamento, impedindo-os de dedicar todo o seu interesse à presente obra do Senhor, levando-os assim a negligenciar a necessária preparação para o dia do Senhor.”

Nesse trecho, Ellen White expõe e combate as decisões equivocadas que podem tomar os que acreditam em teorias proféticas que tentam encaixar a todo custo Jerusalém e os judeus nos eventos do tempo do fim. Ela simplesmente afirma que viu que “a velha Jerusalém” não seria reconstruída. Em 1851, quando Ellen White escreveu esse texto, Jerusalém não era uma cidade destruída, mas a capital da província otomana da Palestina. Um censo de 1845 mensurou a população da cidade em 16.410 pessoas. A cidade, destruída no ano 70 d.C., foi total ou parcialmente reconstruída e destruída inúmeras vezes desde então. Ellen G. White, ao falar em “a velha Jerusalém”, se referia à restauração da cidade ao mesmo papel que teve nos tempos bíblicos como palco das manifestações de Deus na Terra e à reconstrução do Templo. De fato, “a velha Jerusalém”, totalmente judaica e com o Templo, nunca foi reconstruída.

  1. Questionamento. Ellen G. White, fundamentando-se equivocadamente em outros autores, predisse que a Turquia deixaria de existir. A Turquia continua a existir e atualmente não parece haver possibilidades de que venha a deixar de ser um país tão cedo. (Veja Josias Litch, “The Rise and Progress of Adventism”, em The Advent Shield and Review, maio de 1844, p. 92, citado no Seventh-day Adventist Bible Students’ Source Book, p. 513). (Veja também: The Seventh-day Adventist Encyclopedia, v. 11, p. 51 e 52).

Resposta. A Turquia é um país que nem sequer existia quando Ellen G. White viveu, pois só se tornou independente em 24 de julho de 1923, com o Tratado de Lausana. Isso foi oito anos após ela ter morrido. Mas Ellen G. White apoiou a interpretação do ministro metodista Josias Litch, de que a ascensão e o declínio do Império Otomano estão profetizados em Apocalipse 9:13-21 (veja O Grande Conflito, p. 334, 335). Devido ao fato de que no Império Otomano eram pessoas de etnia turca que subjugavam povos de outras etnias, era comum na época chamar esse império de “Turquia”, assim como é comum hoje chamar a Grã-Bretanha de “Inglaterra” ou os Países Baixos de “Holanda”, apesar de esses países incluírem outras nacionalidades. Por duas vezes, Ellen G. White chamou o Império Otomano de Turquia (O Grande Conflito, p. 35; Evangelismo, p. 408). De fato, esse império que dominou extensas áreas da Ásia, África e Europa entre os séculos 14 e 19, foi perdendo muitos de seus territórios durante o século 19, até ser reduzido a uma pequena área da Anatólia e deixar de existir oficialmente em 1º de novembro de 1922, confirmando a interpretação profética de Josias Litch.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que alguns que estavam vivos em 1856 estariam vivos por ocasião do retorno de Cristo. (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 131, 132). Ela se referia a pessoas que estavam presentes em uma reunião da Igreja Adventista e, por já haverem morrido todos, essa profecia também não se cumpriu.

Resposta. A seguir, está a seguinte declaração feita por ela em 1856: “Foi-me mostrado o grupo presente à assembleia. Disse o anjo: ‘Alguns servirão de alimento para os vermes, alguns estarão sujeitos às setes últimas pragas, outros estarão vivos e permanecerão sobre a Terra para serem transladados na vinda de Jesus’”.

Todo aquele que crê que Cristo virá em breve a Terra costuma falar dessa ocasião como sendo para seus dias. O apóstolo Paulo acreditava que estaria vivo quando Jesus Cristo aparecesse nas nuvens do céu (1Ts 4:15). No entanto, o fato de Paulo ter morrido antes do regresso do Senhor não faz dele um falso profeta. Ele apenas foi um cristão esperançoso e confiante que acreditou que o segundo advento de Cristo aconteceria em seus dias, como todo cristão deve acreditar. Ellen White frequentemente descreveu a vinda de Cristo como estando para acontecer em seus dias, seguindo o exemplo dos autores bíblicos.

Ela explicou sua declaração de 1856 em uma nota escrita em 1883, que foi citada por Francis M. Wilcox em O Testemunho de Jesus (CPB), p. 108: “Os anjos de Deus apresentam o tempo como sendo muito breve. Assim me tem sempre sido apresentado. Verdade é que o tempo se tem prolongado além do que esperávamos nos primitivos dias desta mensagem. Nosso Salvador não apareceu tão breve como esperávamos. Falhou, porém, a Palavra de Deus? Absolutamente! Cumpre lembrar que as promessas e as ameaças de Deus são igualmente condicionais”.

“Não era a vontade de Deus que a vinda de Cristo houvesse sido assim retardada. Não era desígnio Seu que Seu povo, Israel, vagueasse quarenta anos no deserto. Ele havia prometido conduzi-los diretamente à terra de Canaã, e estabelecê-los ali como um povo santo, sadio e feliz. Aqueles, porém, a quem foi primeiro pregado, não entraram ‘por causa da incredulidade’. Seu coração estava cheio de murmuração, rebelião e ódio, e o Senhor não podia cumprir Seu concerto com eles”.

“Por quarenta anos a incredulidade, a murmuração e a rebelião excluíram o antigo Israel da terra de Canaã. Os mesmos pecados têm retardado a entrada do Israel moderno na Canaã celestial. Em nenhum dos casos houve falta da parte das promessas de Deus. É a incredulidade, a mundanidade, a falta de consagração e a contenda entre o professo povo de Deus que nos têm detido neste mundo de pecado e dor por tantos anos” (Ms 4, 1883, citado em Evangelismo, p. 695, 696).

  1. Questionamento. Em 1850, Ellen G. White afirmou que Cristo retornaria em poucos meses (Primeiros Escritos, p. 58, 64, 67).

Resposta. Vejamos o que Ellen G. White realmente escreveu: “Alguns estão supondo a vinda do Senhor num futuro muito distante. O tempo tem continuado alguns anos mais do que eles esperavam, e assim pensam que continuará mais alguns anos, e dessa maneira suas mentes são desviadas da verdade presente para irem após o mundo. Nisso vi grande perigo, pois se a mente está cheia de outras coisas, a verdade presente é deixada fora, e não há lugar em nossa fronte para o selo do Deus vivo. Vi que o tempo para Jesus permanecer no lugar santíssimo estava quase terminado e esse tempo podia durar apenas um pouquinho mais; que o tempo disponível que temos deve ser gasto em examinar a Bíblia, que nos julgará no último dia” (Primeiros Escritos, p. 58).

“Numa visão dada em 27 de junho de 1850, meu anjo acompanhante disse: ‘O tempo está quase terminado. Vocês estão refletindo, como deveriam, a amorável imagem de Jesus?’ Foi-me indicada então a Terra e vi que tinha que haver uma preparação da parte daqueles que, nos últimos tempos, abraçaram a terceira mensagem angélica. Disse o anjo: ‘Preparem-se, preparem-se, preparem-se! Vocês terão que experimentar uma morte para o mundo, maior do que jamais experimentaram antes.’ Vi que havia grande obra a ser feita por eles e pouco tempo para fazê-la. Vi então que as sete últimas pragas deviam ser logo derramadas sobre os que não têm abrigo” (Idem, p. 64).

“Ao ver o que precisamos ser para herdar a glória, e quanto Jesus havia sofrido para alcançar para nós tão rica herança, orei para que fôssemos batizados nos sofrimentos de Cristo, a fim de não recuarmos nas provas, mas sofrê-las com paciência e alegria, sabendo o que Jesus havia sofrido, para que por Sua pobreza e sofrimento fôssemos enriquecidos. Disse o anjo: ‘Neguem a si mesmos. Vocês precisam caminhar depressa.’ Alguns de nós têm tido tempo de ter a verdade e progredir passo a passo, e cada passo dado tem-nos propiciado força para o seguinte. Mas agora o tempo está quase findo, e o que durante anos temos estado aprendendo, eles terão que aprender em poucos meses. Terão também muito que desaprender e muito que tornar a aprender” (Idem, p. 67).

Ellen G. White, assim como o apóstolo Pedro (At 2:17), sempre acreditou que estava vivendo os últimos dias antes do retorno de Jesus. Ela escreveu muito sobre a necessidade de pressa em se preparar para esse dia. Nas citações, ela apenas mencionou que o último período de provação será breve, e que pessoas que negligenciam seu preparo espiritual hoje terão apenas “poucos meses” para aprender o que cristãos mais dedicados demoraram anos para desenvolver na vida.

  1. Questionamento. Ellen G. White afirmou que a Guerra Civil Americana era um sinal de que Cristo iria logo retornar (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 260). A Guerra Civil americana terminou em 1865.

Resposta. Jesus disse, em Mateus 24, que todas as guerras são um sinal de sua segunda vinda, a começar pelas guerras que levaram à destruição de Jerusalém no ano 70. Na página citada, ela afirma: “Vi na Terra uma aflição maior do que nunca testemunhamos. Ouvi gemidos e gritos de aflição, e vi grupos em diligente batalha.” Ela prosseguiu descrevendo a cena de guerra e alertando para “a grande angústia vindoura”. Em nenhum momento do texto ela falou que a guerra que viu em visão era a Guerra Civil Americana, que acontecia em seus dias. É claro, para quem lê todo o texto, que Deus aproveitou o contexto da Guerra Civil Americana para dar a ela uma visão de um período de grande aflição a acontecer imediatamente antes da vinda de Cristo.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que Cristo voltaria antes de a escravidão ser abolida (Primeiros Escritos, p. 35).

Resposta. A Bíblia também fala que haveria escravos quando Cristo retornasse a Terra (Ap 18:13; 19:18). Apesar de legalmente abolida, a escravidão continua existindo ilegalmente em diferentes situações ao redor do mundo. Ellen G. White afirmou nesse trecho, em que descreve a vinda do Senhor: “Começou então o jubileu, período em que a Terra devia descansar. Vi o piedoso escravo levantar-se em triunfo e vitória e sacudir as cadeias que o prendiam, enquanto o seu ímpio senhor estava em confusão e não sabia o que fazer” (Primeiros Escritos, p. 35). O texto apenas descreve que o retorno de Cristo a Terra será ocasião de libertação dos cativos. Não fala nada a respeito de a escravidão ainda estar legalizada quando Cristo vier.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que a escravidão seria restabelecida nos estados do sul dos Estados Unidos (Spalding Magan Collection, p. 21; e Manuscript Releases, v. 2, nº 153, p. 300). A escravidão não voltou a ser legalizada no sul dos Estados Unidos.

Resposta. A afirmação está num manuscrito datado de 1895, com respostas de Ellen G. White a perguntas sobre o trabalho com populações negras no sul dos Estados Unidos e as dificuldades enfrentadas pelos adventistas nessa região com leis locais que restringiam o trabalho aos domingos. Ao ser perguntada se os adventistas desses estados deveriam trabalhar aos domingos, Ellen G. White respondeu: “A escravidão novamente será revivida nos estados sulistas, pois o espírito da escravidão ainda vive.” O comentário não afirma que os escravos libertos retornariam à sua condição de cativeiro, mas que o “espírito” de dominar sobre outras pessoas ainda estava vivo nos antigos senhores de escravos (veja: “Slavery, Will It Be Revived?”). Prova disso é que, na segunda metade do século 20, décadas depois de as palavras de Ellen White terem sido escritas, a segregação racista dos descendentes dos antigos escravos estava legalizada em vários estados do sul dos Estados Unidos, uma nódoa que revivia a escravidão abolida em 1863.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que a Terra seria logo despovoada se Jesus demorasse a voltar (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 304). A despeito de tantas guerras, fomes e epidemias, o que vemos é que a Terra está cada vez mais povoada à medida que o tempo passa.

Resposta. Esta é a declaração de Ellen G. White: “Foi-me apresentada a condição de degeneração atual da família humana. Cada geração se tem vindo enfraquecendo mais, e a humanidade é afligida por toda forma de enfermidade. Milhares de pobres mortais de corpo deformado, doentio, nervos em frangalhos e mente sombria, vão arrastando uma existência miserável. Cresce o poder de Satanás sobre a família humana. Não viesse em breve o Senhor e destruísse o seu poder, e não tardaria que a Terra estivesse despovoada.”

Ao contrário do que foi questionado, Ellen G. White apresenta que Cristo destruirá em Sua vinda o poder de Satanás para causar doenças antes que todas as doenças que o diabo dissemina despovoem o mundo.

  1. Questionamento. Ellen G. White predisse que os senhores dos escravos dos seus dias experimentariam as sete últimas pragas descritas no livro do Apocalipse (Primeiros Escritos, p. 276). Todos os senhores dos escravos de seu tempo já estão mortos.

Resposta. O texto apenas declara: “Vi que o senhor de escravos terá que responder pela salvação de seus escravos a quem ele tem conservado em ignorância; e os pecados dos escravos serão visitados sobre o senhor” (Primeiros Escritos, p. 276). A frase apenas descreve que os senhores de escravos terão que prestar contas a Cristo por ocasião de Sua vinda, assim como cada pecador terá que fazê-lo.

  1. Questionamento. Ellen G. White profetizou que estaria viva quando Jesus regressasse (Primeiros Escritos, p. 15-16).

 Resposta. No trecho mencionado em Primeiros Escritos (p. 14-16), Ellen White descreve uma visão que teve sobre a vinda de Cristo. Não menciona que estaria viva por ocasião do segundo advento de Jesus. Daniel, Paulo e João também descreveram visões do regresso de Cristo nas nuvens do céu sem que isso significasse que viveriam para presenciar o que Deus lhes revelava em visão.

  1. Questionamento. Às vezes, Ellen G. White fazia predições específicas que envolviam certas pessoas. Uma delas foi o pioneiro adventista Moses Hull. Em 1862, Hull estava no processo de perder sua fé no adventismo. Parece que o casal White desistiu de argumentar com ele, e Ellen G. White profetizou sobre o terrível futuro que o aguardava se ele deixasse de fazer parte do povo do advento: “Se continuar da maneira em que começou, a miséria e a desgraça o esperam. A mão de Deus o prenderá de um modo que não lhe agradará. Sua ira não dormitará” (Testemunhospara a Igreja, v. 1, p. 431). Isso nunca aconteceu. Apesar das advertências de Ellen G. White, ele abandonou o adventismo. Segundo testemunhas, o “senhor Hull se manteve bem por muitos longos anos até uma idade avançada e nada do que foi predito aconteceu” (D.M. Canright, Life of Mrs. E.G. White, The Standard Publishing Company, 1919, p. 234).

Resposta. Moses Hull foi um adventista de espírito competitivo, que gostava de entrar em discussões sobre religião com pessoas de outras crenças. Ele alimentou dúvidas com respeito à fé em Cristo. Ellen G. White o advertiu de que, se continuasse com essa atitude, arruinaria sua vida. O texto mencionado continua com uma mensagem de esperança para Hull: “Mas agora Ele [Deus] o convida. Agora, justamente agora, Ele lhe pede que volte para Ele sem demora, e Ele graciosamente perdoará e curará todas as suas apostasias” (Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 431). Infelizmente, Hull não atendeu ao apelo para mudar de vida, acabou abandonando a Cristo e se tornou adepto do espiritismo. Hull pode não ter ficado pobre, mas a predição se cumpriu fielmente, pois ele se tornou espiritualmente miserável por ter trocado a Palavra do Deus vivo pelas mensagens do mundo dos mortos.

Dudley Marvin Canright, o autor original desse ataque a Ellen G. White, foi um ex-pastor adventista. Tiago e Ellen G. White o prepararam para que ele se tornasse um ministro do evangelho. Infelizmente, Canright começou a alimentar a ambição de se tornar um pregador famoso. Ellen G. White o advertiu dos perigos de alimentar o orgulho e a vaidade. Canright acabou abandonando a Igreja Adventista e foi nomeado pastor de outra denominação cristã, tornando-se um crítico mordaz da doutrina adventista e da pessoa de Ellen G. White.

  1. Questionamento. Ellen G. White afirmou que a “a enfermidade” do irmão Carl Carlstedt “não era para morte, mas para a glória de Deus” (Carl Carlstedt estava gravemente enfermo de febre tifoide e parecia que não viveria muito tempo mais). Ele morreu dois dias depois. (Charles Lee, Three Important Questions for Seventh-Day Adventists to Consider, 1876).

Charles Lee, um ex-pastor adventista, relata em seu livro que ele foi junto com Tiago e Ellen White, Urias Smith e outro homem visitar Carl Carlstedt, o editor da Revista Adventista em sueco, que estava doente com febre tifoide. Lee relata ter ouvido ela orando ao Senhor, “ali presente com Seu poder restaurador, para erguer Carlstedt, cuja doença não era para a morte, mas para a glória de Deus”. Lee também disse que, ao sair da casa, Ellen revelou que acreditava que Carlstedt teria a saúde restaurada novamente. Lee viajou para Chicago, e no dia seguinte recebeu uma correspondência informando que Carlstedt havia morrido.

Infelizmente, só existe registrada a versão de Lee sobre o incidente e a oração que Ellen G. White teria feito por ele. Nem Ellen, seu esposo Tiago, Urias Smith ou a outra pessoa presente escreveram sobre o episódio. Como as outras testemunhas da visita a Carlstedt não registraram o que Ellen G. White falou, não podemos ter certeza de que Lee tenha sido preciso ao relatar o que a senhora White disse em sua oração. Mas, mesmo que Ellen G. White tenha realmente dito o que Charles Lee afirmou que ela falou, precisamos entender que um profeta não é inspirado por Deus em tudo o que diz. Por exemplo, o profeta Natã, na Bíblia, deu uma orientação errada a Davi e teve que se retificar (2Sm 7:1-17); um velho profeta de Betel desencaminhou um profeta de Judá, levando-o a desobedecer a Deus, e depois foi usado por Ele para repreendê-lo e condená-lo (1Rs 13 11-32); Elias, em um momento nada inspirado por Deus, desejou a morte (1Rs 19:4); o apóstolo Pedro agiu contrariamente aos seus próprios ensinos, e foi repreendido por Paulo (Gl 2:11-14). Naturalmente, nem tudo o que Ellen G. White falava ao conversar corriqueiramente era inspirado por Deus, e pode ser que ela realmente acreditasse na recuperação de Carlstedt, sem ter recebido nenhuma mensagem de Deus sobre o que aconteceria com ele.

  1. Questionamento. Embora tenha predito a destruição de São Francisco, ela não fez nenhuma menção de terremoto e incêndio como possíveis causas. Na mesma profecia (veja Manuscrito 30, 1903), ela incluiu a cidade de Oakland, que praticamente não foi atingida pelo tremor que destruiu São Francisco em 1906. Mais tarde ela escreveu sobre Oakland: “São Francisco foi visitada com duros juízos, mas Oakland foi misericordiosamente preservada” (Evangelismo, p. 296).

No Manuscrito 30, de 1903, Ellen G. White falou da necessidade de evangelizar as grandes cidades da costa oeste dos Estados Unidos e de estabelecer nelas instituições que promovessem um estilo de vida saudável. Ela afirmou que “São Francisco e Oakland estão se tornando como Sodoma e Gomorra, e o Senhor irá puni-las. Não vai longe o tempo em que elas sofrerão os Seus juízos”. Ela não especificou nesse texto, que tipo de punição seria esperado para ambas as cidades. Ela também mencionou punições divinas para algumas outras das maiores cidades dos Estados Unidos, que já naquela época estavam muito tolerantes com a criminalidade, a exploração sexual, o tráfico de drogas e álcool e os jogos de azar. Uma vez que, em 18 de abril de 1906, a cidade de São Francisco foi tragicamente destruída por um terremoto, o fato é apontado como uma predição de Ellen G. White que se cumpriu.

A respeito de Oakland, ela fez um apelo para a evangelização das grandes cidades, onde acentuadamente prosperava a impiedade: “São Francisco foi visitada com rigorosos juízos, porém Oakland foi até aqui misericordiosamente poupada. Virá o tempo em que nossa obra nesses lugares será abreviada; portanto, é importante que se façam diligentes esforços agora para proclamar a seus habitantes a mensagem do Senhor para eles” (Evangelismo, p. 404). Assim como a ímpia Nínive foi misericordiosamente poupada por Deus nos dias de Jonas (Jn 3:10; 4:11) apesar de o profeta ter anunciado sua destruição para uma data específica (Jn 3:4), Deus também poupou misericordiosamente Oakland, apesar de Ellen G. White ter anunciado que os juízos divinos estavam prestes a cair sobre a cidade.

A alegação de Ellen G. White, de ter sido inspirada por Deus, é muito séria, e é esperado que pessoas que não queiram aceitar a mensagem que ela ensinou questionem a autenticidade de seu dom profético. No entanto, a leitura cuidadosa de cada uma de suas declarações e o conhecimento de como a inspiração divina atuava nos profetas bíblicos dissipam as dúvidas sobre a validade de seu chamado profético.

Numa época em que há tantos líderes religiosos alegando ter o dom de profecia e de revelação, e se autoproclamando “apóstolos”, “profetas”, “levitas” e “sacerdotes”, é acertado verificar quem é realmente inspirado por Deus. Como vimos, em todos esses quatorze casos, os ataques feitos a Ellen G. White não foram suficientes para desqualificá-la como uma autêntica portadora do dom de profecia prometido na Bíblia a pessoas no tempo do fim (Jl 2:28-32; At 2:17-21; Ap 12:17; 19:10). O dom de profecia operou nela com as mesmas características apresentadas nos profetas descritos na Bíblia.

FERNANDO DIAS é pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira

(Revista Adventista)

 

 

O rei Davi dançou despido?

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O rei Davi dançou despido diante da Arca? Imagem: Divulgação

Em II Samuel 6 temos a história do transporte da Arca da Aliança para Jerusalém. Depois de uma tentativa frustrada com a morte de Uzá e a estadia de três meses na casa de Obede-Edom, o rei novamente conduz a Arca para a Cidade de Davi. Durante o trajeto, temos o seguinte relato do historiador inspirado:

“E Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava Davi cingido dum éfode de linho. Assim Davi e toda a casa de Israel subiam, trazendo a arca do Senhor com júbilo e ao som de trombetas.” (II Sm 6:14 e 15, Almeida Atualizada [AA], grifo meu)

Este verso é utilizado por muitas pessoas para defenderem o uso de danças durante o serviço litúrgico e a manutenção de ministérios de dança na igreja.

Em seguida, quando a comitiva chegava a Jerusalém, Mical, filha de Saul e esposa de Davi, “vendo ao rei Davi saltando e dançando diante do senhor, o desprezou no seu coração.” (II Sm 6:16, ARA). Ao chegar em casa, o rei Davi é acusado: “Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre um indivíduo qualquer.” (II Sm 6:20, AA, grifo meu).

Este verso parece indicar que Davi estava dançando despido ou com uma espécie de ceroulas (roupas íntimas).

Vamos analisar estas duas situações.

  • O rei não estava despido!

O verso 14 já nos diz a vestimenta que Davi usava: “uma estola sacerdotal de linho” (Almeida Revista e Atualizada [ARA]). O livro de I Crônicas 16:27 adiciona a informação que Davi também usava um manto de linho fino, além da estola. Assim, ele não estava despido. A queixa de Mical sobre o rei ter se descoberto diante do povo está relacionada ao uso destas simples vestimentas sacerdotais em detrimento dos trajes reais. Era como se o Presidente da República deixasse seu gabinete sem seu usual terno e gravata e fosse para a periferia vestindo camiseta e calça jeans. Por isso Mical diz que ele estava vestido “sem pejo” e “como um individuo qualquer”, como um súdito comum e não como o rei de Israel. Talvez a intimidade de Davi com a “plebe” tenha incomodado Mical, que tinha sangue real, era filha do rei Saul. Mical não repreendeu Davi por estar dançando ou por estar desnudo, mas pelo “desrespeito” que era ter o homem mais poderoso da nação estando com um vínculo tão próximo com o “povão”.

O Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia (CBASD), vol.2, confirma isso:

cingido de uma estola sacerdotal de linho. Davi deixou de lado seu manto real, para essa ocasião, e usou uma simples estola de linho do tipo geralmente usado pelos sacerdotes. […] Ao fazer isso, não assumiu prerrogativas sacerdotais; estava simplesmente mostrando ao povo que se dispunha a se humilhar e a se tornar um com eles no serviço de Deus.” (CBASD, vol. 2, p. 681, grifos em itálico acrescentados)

“Ela [Mical] não conseguia apreciar ou entender o fervor que levava Davi a associar-se com o povo para expressar de maneira tão vívida sua alegria no Senhor. Quando Davi cantava e dançava diante de Deus, seu ato de adoração foi honrado no Céu, mas foi desprezado por sua esposa. […] Ela se apaixonara por Davi quando ele era um jovem herói, mas seu casamento com ele terminou quando ele fugiu de Saul. Vinte anos haviam se passado, durante os quais ela estivera casada com outro homem, de quem fora tirada à força e entregue ao ex-marido como um prêmio político após uma longa guerra contra a casa de seu pai. A orgulhosa filha de Saul estava cheia de ressentimento e pronta a achar falhas em Davi, até mesmo no zelo dele em honrar ao Senhor por uma forma de louvor aceitável naquela época.” (CBASD, vol. 2, p. 681, grifo em itálico e colchete acrescentados).

descobrindo-se. Isto é, removendo seu traje real e aparecendo em público na simples estola de linho usada pelos sacerdotes e por outros.” (CBASD, vol. 2, p. 683, grifo acrescentado).

  • A dança do rei

Sobre este episódio, o Comentário Bíblico Adventista e a Bíblia de Estudo Andrews nos dizem:

“14 dançava… diante do SENHOR. Um tipo religioso de dança executada fora do templo, que consistia na movimentação das mãos e estalar ou movimentação dos dedos.” (Andrews Study Bible, comentário sobre II Sm 6:14, grifos em itálico acrescentados).

“A dança de Davi era um ato solene e santa alegria. Para um oriental daquela época, tal atividade era um modo de expressão natural, por mais estranho que isso possa parecer hoje. Por meio disso, Davi expressou seu grato louvor, e assim honrou e glorificou o santo nome de Deus. Não havia nada na dança de Davi que seja comparável à dança moderna, ou que a justifique. A dança popular não leva ninguém para mais perto de Deus, nem inspira alguém a ter pensamentos mais puros ou a ter um viver mais santo. Desqualifica a pessoa para a oração ou o estudo da Palavra de Deus e a desvia da justiça, conduzindo-a a diversões profanas. A moral é corrompida, o tempo é mais do que desperdiçado, e muitas vezes a saúde é sacrificada (ver PP, 707).” (CBASD, vol. 2, p. 681)

Interessante o que a Bíblia de Estudo Andrews diz: que a dança israelita era executada fora do templo. De fato, não havia manifestações dançantes no contexto do santuário.

Vejamos como a versão Almeida Corrigida Fiel (ACF), defendida por muitos como a melhor tradução na língua portuguesa, traduz os versos sobre a dança de Davi em II Samuel 6:

“E Davi saltava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava Davi cingido de um éfode de linho.” (v.14, ACF, grifo meu)

“E sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul, estava olhando pela janela; e, vendo ao rei Davi, que ia bailando e saltando diante do Senhor, o desprezou no seu coração.” (v.16, ACF, grifo meu)

“Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor, que me escolheu preferindo-me a teu pai, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse soberano sobre o povo do Senhor, sobre Israel, perante o Senhor tenho me alegrado.” (v.21, ACF, grifo meu)

A palavra hebraica traduzida por dançar ou saltar é karar que, segundo algumas concordâncias e léxicos consultados, pode significar: dançar, rodopiar, girar, saltar. “Girar” e “rodopiar” no sentindo de “se alegrar bastante”.

Se Davi estava dançando ou expressando sua alegria exteriormente através de saltos e regozijo patente por meio de gestos, não parece fazer tanta diferença agora, uma vez que a “dança” do rei era contextualmente e culturalmente diferente das danças hodiernas. O comentário da irmã Ellen G. White conclui o assunto:

“Outra vez pôs-se em movimento o longo séquito, e a música de harpas e cornetas, trombetas e címbalos, ressoava em direção ao céu, misturada com a melodia de muitas vozes. “E Davi saltava. … diante do Senhor” (II Sam. 6:14), acompanhando em sua alegria o ritmo do cântico.

“A dança de Davi em júbilo reverente, perante Deus, tem sido citada pelos amantes dos prazeres para justificarem as danças modernas da moda; mas não há base para tal argumento. Em nosso tempo a dança está associada com a extravagância e as orgias noturnas. A saúde e a moral são sacrificadas ao prazer. Para os que frequentam os bailes, Deus não é objeto de meditação e reverência; sentir-se-ia estarem a oração e o cântico de louvor deslocados, na assembleia deles. Esta prova deve ser decisiva. Diversões que tendem a enfraquecer o amor pelas coisas sagradas e diminuir nossa alegria no serviço de Deus, não devem ser procuradas por cristãos. A música e dança, em jubiloso louvor a Deus, por ocasião da mudança da arca, não tinham a mais pálida semelhança com a dissipação da dança moderna. A primeira tendia à lembrança de Deus, e exaltava Seu santo nome. A última é um ardil de Satanás para fazer os homens se esquecerem de Deus e O desonrarem.” (Patriarcas e Profetas, p.707).

Desprezo ostensivo pelo 4º mandamento

COMO CRISTO CONSIDEROU O SÁBADO

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Toca às raias do absurdo a vesguice dialética do oponente em tentar demolir o dia de Deus, relegá-lo ao desprezo e aviltá-lo de toda a forma. Não titubeia, à pág. 64 do indigno libelo, em concluir que Cristo considerou desrespeitosamente o sábado. Cita S. Mar. 2:27, que reza: “O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado,”pontificando com ares doutorais:

“Isto quer dizer que o sábado ou dia de descanso, deve servir ao homem e não o homem estar sujeito a ele.” Aí está uma puerilidade de causar pena.

Vejamos o que o Mestre quis dizer com estas palavras. Há aí duas proposições: uma de o sábado servir ao homem; outra, do homem sujeitar-se ao sábado. Consideremos a primeira. É de clareza meridiana. O sábado foi instituído e oferecido ao homem como algo muito precioso, como um bem, um favor divino.

Figueiredo traduz:

“O sábado foi feito em contemplação do homem.”

O sentido evidente é que o sábado foi instituído para o bem-estar físico, moral e espiritual das criaturas humanas. O sábado é assim uma instituição a favor do homem, em seu benefício, uma bênção grandiosa. Só uma perversa distorção do texto poderia levar à conclusão de que o sábado deva ser considerado contrarie ao homem. Portanto, a ilação do acusador é infeliz, errônea e contrária ao sentido bíblico.

A segunda proposição contida no texto diz: “e não o homem por causa do sábado.” Simples demais para ser entendida. Deus não criou o homem porque Ele tivesse um sábado necessitando ser guardado por alguém. Ao contrário, criara primeiro o homem, e depois o sábado para lhe às necessidades de repouso e recreação espiritual. Assim o sábado lhe seria uma bênção e não uma carga.

O farisaísmo dos dias de Cristo obscurecera o verdadeiro caráter do sábado. Os rabinos o acumularam de exigências esdrúxulas que o tornaram um fardo quase insuportável. A atitude de Cristo Para com o sábado foi a de escoimá-lo desses acréscimos, devolvendo-o à prístina pureza. A atitude de Cristo para com o Seu santo dia foi de reverência e não de desprezo.

E de passagem cabe aqui uma observação: o sábado foi feito por causa do homem, e isto não pode ser verdade em relação ao domingo, porque no primeiro dia da semana o homem ainda não fora criado! Cita em seguida S. Mat. 12:8: “O Filho do homem até do sábado é Senhor”, e conclui desastradamente que Cristo é Senhor do sábado para mudá-lo, alterá-lo, suprimi-lo, enfim. Diríamos de início que, sendo o sábado um mandamento da lei de Deus, se Cristo o transgredisse de qualquer maneira Se tornaria um pecador, e nessa condição não poderia ser nosso Salvador!

Mas vamos ao raciocínio errôneo do oponente. Jesus declarou-Se Senhor do sábado! Solene e importantíssima declaração! Frise-se bem que Ele é Senhor do sábado e não do domingo, embora a cristandade semi-apostatada averbe este dia como o “dia do Senhor.” Cristo, porém, reafirmou Sua soberania sobre o sábado. É o Autor do sétimo dia, consagrado ao repouso e, nessa qualidade, sabe o que é lícito ou não fazer nele. Os fariseus que censuraram os discípulos por apanharem espigas, foram além dos reclamos divinos, “além do que está escrito.” Punham restrições descabidas à guarda do sábado. E Jesus, para mostrar-lhes Sua autoridade, apresenta-Se como Autor do sábado. Nada há de derrogatório na declaração do Mestre. Ao contrário, reafirma o valor e a vigência do sábado, escoimado, no entanto, das aderências talmúdicas.

BROADUS, renomado comentarista batista, tratando deste texto, assim conclui:

“Mas o sábado permanece ainda, pois que existia antes de Israel, e era desde a criação um dia designado por Deus para ser santificado (Gên. 2:3) …” [1]

Cristo jamais combateu o sábado, mas apenas a maneira de guardá-lo, a estreiteza dos fariseus. Diz STRONG, grande teólogo batista:

“Nem nosso Senhor ou os apóstolos ab-rogaram o sábado do decálogo. A nova dispensação abole as prescrições mosaicas quanto à forma de guardar o sábado, mas ao mesmo tempo declara sua observância de origem divina e como sendo uma necessidade da natureza humana… Cristo não cravou na cruz qualquer mandamento do decálogo… Jesus não Se defende da acusação de quebrar o sábado, declarando que este fora abolido, mas estabelece o verdadeiro caráter do sábado em atender uma necessidade humana fundamental.” [2]

RYLE, erudito comentarista evangélico, tratando do texto, diz:

“Não devemos deixar-nos arrastar pela opinião comum de que o sábado é mera instituição judaica, que foi abolido ou anulado por Cristo. Não há uma só passagem das Escrituras que isso prove. Todos os casos em que nosso Senhor Se refere ao sábado, fala contra as opiniões errôneas que os fariseus propagaram a respeito de sua observância. Cristo depurou o quarto mandamento da superfluidade profana dos judeus… O Salvador que despojou o sábado das tradições judaicas e que tantas vezes esclareceu o seu sentido, não pode ser inimigo do quarto mandamento. Pelo contrário, Ele engrandeceu e o exaltou.” [3]

E o próprio opositor, incapaz de cobrir o Sol da verdade com a peneira de seus sofismas, se trai ao afirmar: “Jesus ia contra a letra e o formalismo dos judeus… Evidentemente para ensinar aos judeus que deviam dar ao Sábado uma interpretação espiritual e não formal…” Estamos de acordo com essa afirmação. Cristo não foi contra o dia, mas contra a maneira errônea e extremista de guardá-lo.

MANDAMENTO OMISSO?

À pág. 70 apresenta o acusador um quadro comparativo, ardilosamente engendrado e incompleto em que procura demonstrar que o quarto mandamento não consta do Novo Testamento. Será que o autor, lê com atenção o Novo Testamento? Pois nele, tanto Cristo como os apóstolos nos são apresentadas em várias ocasiões pregando ou adorando aos sábados, como se esse procedimento fosse a coisa mais natural. Por que não fez constar no quadro S. Luc. 23:56 que se refere à guarda do sábado “conforme o mandamento”? Para contraditar aquele gráfico omisso, apresentamos um quadro verdadeiro quanto à observância do sábado no Novo Testamento.

REUNIÕES NO SÁBADO MENCIONADAS NO NOVO TESTAMENTO [existe outros textos sobre o sábado nos evangelhos]

(Temos abaixo aproximadamente 90 reuniões religiosas no sábado “segundo o mandamento”)

Texto: S. Mar. 1:21;

N.º de reuniões: 1;

Local: Cafarnaum;

Data: 28 a.C.

Histórico: Cristo ensinava Seus discípulos no sábado. Ensino religioso. Realizou a cura do endemoninhado. Objetivos espirituais.

Textos: S. Mar. 3:1; S. Mat. 12:1; S. Luc. 6:6;

N.º de reuniões: 1;

Local: Cafarnaum;

Data: 28 a.C.

Histórico: Cristo entrou na sinagoga e pôs-Se a ensinar. Curou o homem que tinha a mão ressequida, o que irritou os fariseus. Demonstração do poder de Deus, no dia de sábado.

Texto: S. Luc. 4:16 e 17;

N.º de reuniões: 1;

Local: Nazaré;

Data: 28 a.C.

Histórico: Cristo foi à casa de culto. Diz o texto que o fez “segundo o Seu costume”. Quer dizer que sempre ia ao culto no sábado. O que fez lá dentro foi puramente ato de culto. Leitura e exposição da Palavra de Deus. Não foi com objetivo de agradar os judeus, porque os desagradou bastante a ponto de ser expulso da sinagoga e da cidade. Quiseram atirá-Lo ao precipício.

Texto: S. Luc. 4:31;

N.º de reuniões: ?;

Local: Cafarnaum;

Data: 28 a.C.

Histórico: Cristo usualmente ensinava nos sábados. Nenhuma insinuação quanto à mudança do dia de guarda.

Texto: S. Luc. 23:56;

N.º de reuniões: 1;

Local: Jerusalém;

Data: 31 a.C.

Histórico: As santas mulheres seguidoras, de Cristo, inclusive Sua mãe, respeitosamente guardaram o “sábado conforme o mandamento”. Nada sabiam acerca do domingo!!!

Textos: Atos 13:14 e 42-44;

N.º de reuniões: 1 [na verdade, são 2 reunião, contando a reunião do “sábado seguinte”];

Local: Antioquia;

Data: 45 a.C.

Histórico: S. Paulo em reunião de culto. Como os judeus abandonassem a sinagoga, no sábado seguinte “quase toda a cidade” (gentios) se ajuntou para ouvir a Palavra de Deus. Boa oportunidade para Paulo lhes dizer que, como não estavam na sinagoga com os judeus, o dia de guarda seria o domingo…

Texto: Atos 16:12 e 13;

N.º de reuniões: 1;

Local: Filipos;

Data: 53 a.C.

Histórico: Reunião de culto ao ar livre. Longe de sinagogas, que talvez não houvesse na cidade. Os apóstolos procuraram um lugar tranquilo para o culto sabático.

Texto: Atos 17:1 e 2;

N.º de reuniões: 3;

Local: Tessalônica;

Data: 54 a.C.

Histórico: Na sinagoga. Reunião de culto. Paulo, “segundo o seu costume”, foi ao culto no sábado. O dia de guarda não se alterara na era cristã. Reunia-se indistintamente com judeus e gentios, ou sem eles ao ar livre. O que interessava era a guarda do dia…

Texto: Atos 18:1-4;

N.º de reuniões: 78;

Local: Corinto;

Data: 54 a.C.

Histórico: Temos aqui a considerar: v. 4 “todos os sábados”; v. 11 “ali permaneceu um ano e seis meses, ensinando”. Nesse ano e meio transcorreram 78 sábados, tempo mais que suficiente para Paulo ensinar que o dia de repouso fora mudado…; v. 3 Paulo trabalhava em “fazer tendas”. No sábado não trabalhava. Cumpria a lei de Deus que manda trabalhar seis dias. Logicamente não descansou no domingo. A Bíblia diz que o fazia no sábado e preferimos ficar com a Bíblia; v. 4 diz que Paulo estudava a Palavra de Deus “persuadindo tanto judeus como gregos”. Também com os gentios no sábado.

PERPETUIDADE TEMPORÁRIA?

E lá vem à pág. 71 a cediça afirmação de que o sábado não é “perpétuo,” porque em Êxodo 12:14; 30:21 e Lev. 23:21 o adjetivo “perpétuo” também é aplicada à “páscoa,” “lavagem de mãos” e “festas judaicas” e estas coisas cessaram de existir [mas quando a palavra se refere ao suposto “inferno de fogo”, aí é eterno na concepção dos críticos!]. O acusador deve saber que o adjetivo hebraica olam, traduzido por “perpétuo” nos textos em tela e por “para sempre” em outros lagares, tem o seu sentido condicionado à natureza daquilo a que se aplica.

Sendo assim, as festas cerimoniais teriam duração até ao tempo em que seriam necessárias. Jonas, ao descrever as peripécias pelas quais havia passado no interior do peixe, diz: “… os ferrolhos da Terra correram-se sobre mim para sempre (olam)” (Jonas 2:6). Esse “para sempre” durou apenas três dias e três noites. Foi uma duração curtíssima, não acham? No entanto, quando o mesmo adjetivo está janto de palavras que pela natureza, têm duração ilimitada, significa realmente “duração sem-fim”. Junto de “Deus,” “vida,” “amor”, etc. indica perpetuidade.

O “argumento” nada prova contra a permanência sabática, pois, segundo a Bíblia, o sábado será observado na Nova Terra pelos remidos (Isaías 66:23). A sua perpetuidade é sem-fim. O antagonista vai ao ponto de, à pág. 68, negar que o sábado da criação fosse o sétimo dia! Será que não leu em Êxodo 20:11 que o mandamento sabático se reporta aos dias da criação?

E STRONG, em seu conhecido tratado teológico batista, relaciona o sábado do sétimo dia com a criação, reconhecendo:

“a importância e o valor do sábado como memorial do ato criador de Deus e necessariamente de Sua personalidade, soberania e transcendência… Feito na criação, aplica-se ao homem como tal, em todas as partes…” [4]

Como foi infeliz e desastrado o acusador!

BLASFÊMIA

O cúmulo do contrassenso está à pág. 72 ao afirmar que o sábado não santifica o homem, e os que o observam decaem na vida espiritual. Mas a Palavra de Deus o desmente frontalmente, declarando que o sábado é um sinal de santificação. Notemos:

  1. O dia foi santificado pelo próprio Deus (Gn 2:3);
  2. O quarto mandamento manda lembrar o sábado para o santificar (Êx 20:8; Is 58:13);
  3. Sinal entre Deus e Seu povo, pelo qual Deus os santifica (Ez 20:12);
  4. E é chamado dia santo (Êx 31:14; Ne 9:14).

Preferimos crer na Bíblia. Seja Deus verdadeiro! Conclui o capítulo estranhando que afirmemos que os “santos do Altíssimo” são os milhares que pereceram na Idade Média, porquanto guardaram eles o domingo. Respondemos: Sim, eram santos do Altíssimo. Foram sinceros dentro da luz que tinham. A verdade do sábado foi restaurada séculos depois que eles viveram. E hoje que esta luz está sendo irradiada a todo o mundo, quem deliberadamente se insurge contra ela estará debaixo do juízo de Deus!!!

REFERÊNCIAS

  1. John A. Broadus, Comentário de Mateus, Vol. 1, pág. 345.
  2. A. H. Strong, Systematic Theology, pág. 409.
  3. C. Ryle, Comentário Expositivo do Evangelho Segundo Lucas, pág. 79.
  4. A. H. Strong, op. cit., pág. 408.

(Arnaldo Christianini. Sutilezas do Erro, p. 10-123 em Exegese Bíblica)

A célebre reunião em Trôade e a “guarda” do domingo

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“Guarda o dia de sábado…” (Dt 5:12)

“E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, discursava com eles; e alargou a prática até a meia-noite.” Atos 20:7

E desse texto, que relata um fato eventual da vida paulina, alguns tomam a liberdade de tirar as seguintes conclusões:

1. Que os crentes em Trôade reuniam-se regularmente aos domingos para o culto, e que esta foi uma reunião de Santa Ceia;

2. Que a reunião em tela não ocorreu sábado à noite, como admitimos por motivos óbvios;

3. Que Lucas, sendo gentio e escrevendo a um “romano”, deveria valer-se da contagem romana de tempo, e não da judaica;

4. Que os romanos desde o início de sua história (753 a.C.) contavam os dias de meia-noite à meia-noite;

5. Que provavelmente (não afirmam com convicção) Lucas seguira o método romano.

Vamos analisar cada uma dessas afirmações, seguindo, a ordem numérica acima estabelecida:

1. A afirmação de que os cristãos troadeanos se reuniam com absoluta regularidade aos domingos é temerária, destituída de fundamento, pois a Bíblia não se infere que havia na época tal costume, e os documentos do primeiro século o desautorizam.

O Dr. Augusto Neander, abalizado escritor eclesiástico, insuspeito por ser observador do domingo, assim se refere à passagem de Atos 20:7: “A passagem não é absolutamente convincente [como prova da guarda do domingo], porque a partida iminente do apóstolo era motivo para reunir a pequenina igreja, em uma ceia fraternal, ocasião em que fez seu último discurso, embora não fosse culto especial de domingo nesse caso.”

Também o autorizado Ellicott, observador do domingo, no seu comentário bíblico, assim considera esta passagem: ‘Que havia de partir no dia seguinte’. – Pode parecer estranho que alguns sustentem a opinião exposta na nota anterior, de que o apóstolo e seus companheiros assim se propusessem a viajar no dia ao qual se transferissem todas as restrições do sábado judaico. No entanto, é de se lembrar: 1.º – que não há nenhuma prova de que S. Paulo pensasse em tais dias como assim mudados, mas bem ao contrário (Gálatas 4:10; Colossenses 2:16); e 2.º – que o navio, no qual seus amigos tomaram passagem, provavelmente não devia alterar seu dia de partida para satisfazer escrúpulos, mesmo que tais escrúpulos existissem.

Como se vê, foi um fato eventual, acidental, circunstancial que ocorreu. Citemos ainda o testemunho de Meyer: “Que nesse tempo o domingo já fosse regularmente observado por influentes corporações religiosas e os Agapae (plural do termo grego que significa amor, designando as refeições sociais, ou festas de amor, seguidas usualmente pela Ceia do Senhor, na primitiva igreja cristã), não pode, com efeito, ser provado como certeza histórica, visto que possivelmente a observância do Agapae nesta passagem, talvez ocorresse apenas acidentalmente no primeiro dia da semana, porque Paulo pretendia partir no dia seguinte e porque nem mesmo I Coríntios 16:2 e Apocalipse 1:10 distinguem necessariamente esse dia como separado para serviços religiosos.”

Quanto ao “partir o pão” há divergência de interpretação, sendo temerária a afirmação de que se tratasse da Santa Ceia. Este “partir o pão” era um ato que os cristãos primitivos praticavam diariamente (Atos 2:46), e não apenas no primeiro dia da semana, como se pretende insinuar. A própria Bíblia se encarrega de desmentir conclusões levianas.

Walker, notável historiador eclesiástico, assim comenta o costume: “… partiam o pão diariamente em casas particulares. Este ‘partir o pão’ servia a um fim duplo: era um elo de fraternidade e um meio de sustento para os necessitados.”

2. O sistema de contar os dias de pôr do Sol a pôr do Sol vem da Criação, e está em toda a Bíblia. E quanto ao tempo referido na passagem de Atos 20:7, podemos alinhar um rol de citações que confirmam nosso ensino.

Conybeare and Howson, têm esta convicção: “Era o anoitecer que sucedia o sábado judaico. No domingo de manhã o navio deveria partir… Ele [Paulo] continuou sua solitária viagem naquele domingo, depois do meio-dia, na primavera, entre os carvalhais e córregos de Ida.”

Robertson, admite: “Com toda probabilidade se reuniram em nosso sábado à noite – início do primeiro dia ao pôr do Sol.”

Calvino, assim comenta a passagem: “É ponto pacífico que Paulo esperara pelo sábado, por que no dia anterior à sua partida, podia muito facilmente encontrar reunidos todos os discípulos num mesmo lugar. Digno de nota é o favor de todos eles, não se sentindo incomodados em que Paulo lhes discursassem até à meia-noite, embora necessitasse ele seguir viagem; tampouco se tratava de uma ocasião especial para serem instruídos. Pois não tinha o apóstolo outro motivo para alongar o seu discurso a não ser unicamente o profundo desejo e atenção dos seus ouvintes.”

Convém alinhar mais comentários de eruditos evangélicos, observadores do domingo:

Hackett, professor de grego do Novo Testamento, no Seminário Teológico de Rochester, diz em seu comentário: “Os judeus contavam o dia da tarde para a manhã, e sobre esta base a noite do primeiro dia seria nosso sábado à noite. Se Lucas aqui contava assim, como supõem muitos comentaristas, o apóstolo então aguardava o término do sábado judaico, e realizara sua última reunião religiosa com os irmãos em Trôade… na noite de sábado, e em conseqüência, recomeçara a viagem na manhã de domingo.”

O autorizado e sempre citado Moffat, consigna o seguinte comentário sobre a passagem em lide: “Paulo e seus amigos não podiam, como bons judeus, iniciar uma viagem no sábado; fizeram-na tão cedo quanto foi possível, a saber, na madrugada do ‘primeiro dia’ – tendo o sábado expirado ao pôr do Sol.”

Outro estudioso do assunto foi McGarvey: “Chego, portanto, à conclusão de que os irmãos se reuniram na noite após o sábado judaico, que era ainda observado como dia de repouso por todos dentre eles que eram judeus ou prosélitos; e considerando este fato, tal foi o início do primeiro dia da semana, empregado na maneira acima descrita. Na manhã de domingo, Paulo e seus companheiros enfrentaram a viagem.”

Robertson Nicoll nos diz sobre o assunto: “Vieram a Trôade, e lá permaneceram por uma semana, forçados sem dúvida pelas exigências do navio e seu carregamento. No primeiro dia da semana, S. Paulo reuniu a igreja para culto. A reunião realizou-se no que poderíamos chamar de sábado à noite; pois nos devemos lembrar de que o primeiro dia judaico começa ao pôr de Sol do sábado.”

Stockes, outro comentarista de valor nos diz: “A reunião foi realizada no que poderíamos chamar a noite de sábado; pois nos devemos lembrar de que o primeiro dia judeu tinha início ao pôr do Sol do sábado.”

Stifler, também autor de um comentário do livro Atos dos Apóstolos, nos informa: “Sem dúvida reuniram-se na noite de nosso sábado, de modo que o pão da comunhão foi partido antes do romper do dia, na manhã do nosso domingo.”

Conviria lembrar a maneira bíblica de delimitar o dia. Para isso devem-se reler Gênesis 1:5, 8, 19, 23 e 31; Levítico 23:32, Marcos 1:32, 15:42 e outras passagens. Assim fica resolvida a segunda conclusão.

3. Grande erro é afirmar que Lucas, sendo gentio e escrevendo a outro gentio, se tivesse valido do sistema romano de demarcar o tempo. Os evangelhos sinóticos referem-se ao sistema judaico, ainda vigorante em seus dias. E também Lucas. Primeiramente vejamos no seu Evangelho dirigido ao mesmo Teófilo:

Lucas 2:8 – “vigílias da noite” (não havia tal entre os romanos).

Lucas 4:40 – “pôr do Sol”.

Lucas 23:44 – “hora sexta” (meio-dia entre os romanos) e também “hora nona” (15 horas entre os romanos).

Lucas 24:29 – “é tarde e já declina o dia” (referência clara ao pôr de Sol).

Há também em Atos dos Apóstolos:

Atos 2:15 – “hora terceira” (9 horas entre os romanos).

Atos 3:1 – “hora nona” (15 horas).

Atos 10:3 – “hora nona”.

Atos 10:9 – “hora sexta” (meio-dia).

Atos 23:23 – “hora terceira” (21 horas) da noite. Cláudio Lísias não mandaria escoltar Paulo às três da madrugada… Lucas não se valeu da contagem romana. E assim fica derrubada a terceira conclusão imprudente.

4. Que os romanos desde o início de sua história adotassem o chamado “dia civil” é afirmação que provoca repúdios entre pessoas de certa cultura. Recomendaríamos o livro “Sunday in Roman Paganism”, de Leo Robert Odom, que traz exaustivas provas de que o “dia civil” se implantou no início da era cristã.

Citaremos aqui apenas o testemunho de um escritor, W. E. Allen: “No fim do primeiro século o método judaico não estaria mais em uso.”

Deve-se dizer, em alto e bom som, que a Bíblia não se subordina aos arbítrios humanos, pois Deus não altera Suas normas. O modo bíblico de contar o tempo é sempre o mesmo. E se os oponentes da verdade, contra todas as provas, teimarem em afirmar que a reunião de Trôade se deu num primeiro dia da semana [no cômputo atual – IS], então foi numa noite que findava esse dia, e então a “Santa Ceia” ocorreu numa segunda-feira, pois se deu depois da meia-noite!

5. Aquele advérbio “provavelmente” destrói o próprio argumento. Nos não nos basearíamos em doutrina alguma sobre probabilidades. Tudo no que cremos se assenta na sólida base de um “Assim diz o Senhor…”

Depois de expor estes fatos incontraditáveis, afirmamos: ainda que a reunião de Trôade se desse, sem sombra de dúvida, num domingo, e ainda que nela se celebrasse a Santa Ceia, nada disso constituiria prova de que o dia de repouso houvera sido mudado, pois não há na Bíblia recomendação taxativa a esse respeito.

A verdade, porém, é que Paulo passou aquele domingo caminhando a pé, de Trôade a Assôs, uma distância de várias dezenas de quilômetros [algo que o apóstolo não faria em um dia considerado “santo”]. Bem analisada, a passagem é contrária à tese que defende o domingo como dia de guarda. Reflita!

(Feliz Sábado)

Saiba mais sobre a reunião de Atos 20:7 e a “guarda” do domingo.

Declaração falsa atribuída a Ellen G. White

10423904_729576723783586_3086686118645150368_nSei que muitos não irão gostar mas infelizmente essa declaração não é verdadeira. Veja nesse link.

O pior é que até são produzidos materiais oficiais com essa declaração. Tenho comigo duas publicações, uma feita pela UCOB e a outra feita pela DSA. A imagem que ilustra este post foi extraída dessa última.

Aparentemente é uma declaração inocente e até confortante mas nem por isso deixou de ser falsa. E isso nos leva a uma reflexão: Se uma declaração falsa conseguiu passar e entrar em publicações oficiais da igreja, o que será que o futuro nos reserva?

Não foi a toa que a primeira coisa que Jesus disse quando os discípulos lhe perguntaram sobre os sinais de Sua vinda foi: “Tomem cuidado para que ninguém engane vocês.” Mt 24:4 e no verso 24: “Porque aparecerão falsos profetas e falsos messias, que farão milagres e maravilhas para enganar, se possível, até o povo escolhido de Deus.”

(Preparados Para Sua Vinda)

O sono da morte

DESCONSTRUINDO FALSAS DOUTRINAS: A MORTE É APENAS UM SONO – Para entender o que é a morte, necessitamos saber o que é a vida. E não há ninguém melhor que o Criador para esclarecê-Lo. Deus fez Adão de uma maneira muito simples: tomou um elemento material (pó da terra) e lhe acrescentou um elemento sobrenatural (fôlego de vida). O resultado foi um ser vivo, completamente diferente dos elementos que o compunham.

Algumas versões da Bíblia dizem que o homem tornou-se então uma “alma” ou um “ser” vivente. A melhor definição que poderíamos dar para alma é: “o ser humano em estado de vida”. Enquanto os elementos estão unidos, existe a vida, da mesma maneira que quando tomamos um elemento material (uma lâmpada) e lhe acrescentamos energia (eletricidade), aparece um elemento novo, a luz.

Em sua descrição da degeneração do homem até a morte, como descreve Salomão a cessação da vida? “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes 12:7). Após compreender o fenômeno da vida, é fácil entender o que acontece por ocasião da morte. O que antes estava unido se separa. O pó volta à Terra, de onde veio, e o espírito ou fôlego de vida volta a Deus que o deu ao homem. Então, já não podemos falar de “alma”, porque esta era a união dos elementos citados.

Qual a expressão comumente usada na Bíblia para referir-se à morte? “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12:2). Como usou Jesus a mesma expressão ao referir-se à morte de seu amigo Lázaro? “Estava, então, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta. E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com unguento e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão, Lázaro, estava enfermo. Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas. E Jesus, ouvindo isso, disse: “Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”.

Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro. Aqui temos um caso muito interessante. Jesus foi avisado de que Seu amigo estava enfermo, contudo prosseguiu Sua viagem. Depois de alguns dias, decidiu viajar finalmente a Betânia. Enquanto o fazia, disse a Seus discípulos que Lázaro “dormia”, e que iria despertá-lo. Os discípulos se alegraram, pensando que o sono era sinal de melhora, porém continuaram os rumores de que Lázaro havia falecido. Jesus esclareceu então: “Lázaro está morto”. O que aconteceu depois foi o maravilhoso milagre de sua ressurreição.

O que acontece com os planos e projetos do homem ao morrer? “Sai-lhes o espírito, e eles tornam para sua terra; naquele mesmo dia, perecem os seus pensamentos” (Salmo 146:4). O que ocorre com os seus sentimentos? “Até o seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Eclesiastes 9:6). Sabe algo de Deus? “Porque na morte não há lembrança de ti, no sepulcro quem te louvará?” (Salmo 6:5). O que sabe de sua família? “Os seus filhos estão em honra, sem que ele o saiba; ou ficam minguados, sem que ele o perceba” (Jó 14:21).

Em uma palavra, que sabem os mortos sobre o mundo dos vivos? “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco eles têm jamais recompensa, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento” (Eclesiastes 9:5). De que outra maneira poderia Deus esclarecer melhor o que ocorre quando o homem morre? Não temos necessidade de estar às escuras em relação a isso. É por essa razão que a Bíblia usa as expressões “morrer” e “dormir” indistintamente.

Até quando os mortos permanecerão na sepultura? “Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação” (João 5:28 e 29). Uma das mensagens mais claras de toda a Bíblia, é a que assegura que a morte não é o fim. Haverá uma ressurreição, quando Deus dará vida eterna àqueles que escolheram a vida. Muita gente vive angustiada por medo da morte. A Bíblia nos permite descerrar a cortina que nos separa dessa triste fronteira e ver mais além.

A mensagem é clara: os mortos dormem, não podem causar dano nem beneficiar aos vivos. A esperança de toda a humanidade é Aquele que disse: “Eu sou a ressurreição e a vida” (João 11:25). Jesus comprou-nos a vida eterna com o sacrifício de sua própria vida. Não importa se viveremos ainda muitos ou poucos anos. Nossa grande preocupação deve ser fazer hoje nossa decisão por Jesus Cristo, porque “Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no Seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida” (João 5:11 e 12).

ONDE ESTÃO OS MORTOS? – Muita gente crê que os mortos bons se encontram no Céu e os maus no inferno. Mas isso não passa de uma fábula oriunda do paganismo, pois a Bíblia ensina que os mortos estão no pó da terra, de onde não sairão até o dia da ressurreição. “Morrendo o homem, porventura tornará a viver? (…) Assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus não acordará nem se erguerá de seu sono” (Jó 14:14 e 12).

“Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação” (João 5:28 e 29). “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão” (Daniel 12:2). “E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” (Mateus 27:52). Esses santos não estavam no Céu, mas dormiam nos sepulcros.

“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma (Eclesiastes 9:10). A Bíblia não diz que o homem, na morte, se divide em duas partes, indo uma delas – a matéria morta – para a sepultura, e a outra – uma alma abstrata, consciente e imortal – para o Céu ou para um lugar de tormento. Na morte, o homem não desprende outra coisa senão o fôlego, o ar inalado.
A individualidade consciente, ou seja, o eu pensante do homem, morre juntamente com o corpo. Caso essa suposta alma abstrata, consciente e imortal do justo fosse para o Céu, então sua obra, indústria, ciência e sabedoria continuariam ali, ou seja, ele, no Céu, continuaria ativo e consciente. Mas a Bíblia diz que estas coisas cessam na sepultura.

A palavra hebraica correspondente à “sepultura” é “sheol”, e a grega é “hades”. Essas mesmas palavras são também, muitas vezes, traduzidas por “inferno”. Sepultura e inferno são, por conseguinte, a mesma coisa. Ainda que frequentemente traduzido por “inferno”, “sheol” nunca significa “um lugar de tormento”. Tal lugar não existe. Em parte alguma a Bíblia fala desse lugar imaginário. O patriarca Jacó esperava descer ao “sheol” quando morresse (Gênesis 37:35; 42:38), onde pensava se achasse seu filho José. Mas acreditava Jacó que seu filho estivesse nas chamas infernais da teologia popular? Queria ele acompanha-lo a esse suposto local? Até uma criança sincera compreenderia que não.

Outro patriarca fiel, Jó, quando enfermo, desejava descer ao “sheol” (Jó 14:13). “Sim, a minha esperança”, disse ele, “descerá até os ferrolhos do sheol quando juntamente no pó teremos descanso” (Jó 17:15 e 16). Anelava e esperava o patriarca descer às chamas infernais? De maneira nenhuma! Jonas relatando sua experiência, disse que havia estado no “inferno” – “sheol” – (Jonas 2:2), de onde clamara a Deus. Com isso ele não quis dizer que estivera num lugar de tormento, em chamas, mas sim no ventre de um grande peixe.

A alma, que é a própria pessoa, morre e é sepultada. “Que homem há que viva, e não veja a morte, que haja de livrar a sua alma do poder do inferno (sheol)?” (Salmos 89:48). Do inferno não há quem possa livrar sua alma, uma vez morta. Até a alma de Cristo foi posta no inferno, tendo ali sido ressuscitada no terceiro dia. “Pois não deixarás a Minha alma no inferno (sheol”, disse Jesus pela boca de Davi, “nem permitirás que o Teu Santo veja a corrupção” (Salmos 16:10). Eis o destino de todos os homens na morte: “Como ovelhas são postos no inferno; e eles serão pasto da morte e os justos terão domínio sobre eles na manhã; e passada a sua glória, tudo o que tiverem se envelhecerá no inferno” (Salmos 49:14).

Se o inferno é “um lugar de tormento em chamas”, então se resulta que as ovelhas são ali lançadas quando morrem. Mas isto é demasiado absurdo para alguém crer. Todo homem, bom ou mau, ao morrer, retorna para o pó da terra. Mas, com isto, não está tudo acabado, pois ao cristão resta a gloriosa esperança da ressurreição na segunda vinda de Cristo. “Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura”, disse Davi, “pois me receberá” (Salmos 49:15).

A VERDADE BÍBLICA SOBRE A MORTE – Respeitar a crença alheia não significa que devemos concordar e nos calar diante da tradição. Temos a missão de proclamar a última e mais solene mensagem enviada a este mundo (Apocalipse 14:6-12). Porém esta tarefa não é nada fácil…sendo mais fácil enganar do que retirar as pessoas do engano. O DIA DE FINADOS, dia no qual milhares de pessoas ornamentam, choram, conversam e oram diante do túmulo de corpos inanimados. Isso porque a tradição ensina que os mortos em verdade, estão “vivos”. Que eles podem sentir, ouvir, amar, desvendar o futuro: DOCE ILUSÃO! Estamos diante de mais uma celebração tradicional e de origem pagã, que sustenta os interesses do capitalismo idolatrado pelas elites!

Para quem crê na SOBERANIA da palavra de Deus, e estão dispostos a desafiar crendices e tradições religiosas, reflita:
1) Como Deus criou o homem? “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gênesis 2:7). Notem que o texto não diz que o homem “TEM” uma alma, mas que ele “É” uma alma vivente. Uma alma é formada pela união do corpo (pó da terra) com o fôlego de vida. Veja abaixo a equação que forma a alma: PÓ DA TERRA (CORPO) + FÔLEGO DE VIDA (princípio ativo de Deus)= ALMA VIVENTE

Portanto, dizer que temos uma alma é errado, pois nós somos uma alma, enquanto o fôlego de Deus permanecer em nós.
2) Deus fez o homem para viver eternamente? “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17). Deus havia criado o homem para viver para sempre em felicidade, mas havia uma condição: obediência. Em desobedecer, a consequência certa seria a morte.

3) Qual mentira Satanás, o sedutor do mundo, introduziu? “Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis” (Gênesis 3:4, Apocalipse 12:9). O primeiro sermão pregado por Satanás (a serpente), foi de que o homem seria imortal mesmo na desobediência. Ele, desde o princípio quer nos levar à crer na imortalidade em uma vida de pecado.

4) O que perdeu Adão ao pecar? “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5:12). A Bíblia nos mostra claramente que Deus estava certo ao dizer que o homem (alma vivente) morreria ao pecar. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:23)

5) O que acontece com a pessoa (alma vivente) quando morre? “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gênesis 3:19). “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes 12:7). “Se ocultas o rosto, eles se perturbam; se lhes cortas a respiração, morrem e voltam ao seu pó” (Salmos 104:29). A palavra “espírito” de Eclesiastes 12:7 no idioma original da Bíblia é “ruash”, que significa “fôlego de vida”, “respiração”, “ar”. Quando Deus corta nossa respiração (retira de nós o fôlego de vida), esse fôlego que Ele nos havia dado, volta para Ele, enquanto o corpo que surgiu do pó, volta ao pó.

6) Para onde vai a pessoa (alma vivente), após a morte? “Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Eclesiastes 9:10). “Tal como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura jamais tornará a subir. Nunca mais tornará à sua casa, nem o lugar onde habita o conhecerá jamais” (Jó 7:9-10). Quando morremos, permanecemos na sepultura. A Bíblia não diz que os mortos vão para lugar algum além deste.

7) Os homens (alma vivente), são imortais? “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4 e 20)
8) O que os mortos sabem? “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Eclesiastes 9:5-6). Quando morrem, as pessoas não têm nenhum tipo de pensamento, nem têm parte alguma no que se faz na Terra. (Ver: Salmos 6:5; 115:17)

9) Quem unicamente possui imortalidade? “O único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!” (1 Timóteo 6:16). Deus é o único que possui imortalidade. Nenhum homem deve ousar pensar que é imortal agora. Só Deus pode nos conceder essa dádiva.

10) Como pode o homem mortal tornar-se imortal outra vez? “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Só poderemos obter a vida eterna mediante a crença em Jesus Cristo, como nosso Salvador pessoal. Conhecer a Deus é andar em conformidade com a Lei dEle (ver 1 João 2:4). Todos aqueles que aceitarem o Seu sacrifício e viverem como Jesus viveu, receberão a herança da vida eterna!!!

(Paulo Sahão)