Certificado de conclusão de leitura bíblica 2015-2018 #rpSp

Com alegria recebo meu certificado de leitura completa da Bíblia, de 12 de julho de 2015 a 12 de outubro de 2018, um capítulo por dia, no Reavivados por Sua Palavra.

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Cronograma: Reavivados Por Sua Palavra e Crede em Seus Profetas

O cronograma do Projeto Reavivados Por Sua Palavra e do Crede em Seus Profetas, para os anos de 2016/2017, pode ser visualizado aqui.

No ano de 2016 será lido o livro Patriarcas e Profetas. No ano de 2017 será lido o livro Profetas e Reis.

Finalizaremos o ano de 2016 lendo o Salmo 61 e o ano de 2017 será concluído com a leitura de Habacuque 1.

Jeroboão II, Jonas e os assírios – parte 2

Parte desse post é baseado no artigo de Donald J. Wiseman, Jonah’s Niniveh, Tyndale Bulletin 30 (1979), 29-52. Wiseman foi um renomado assiriólogo que trabalhou por diversas décadas no Museu Britânico, em Londres, traduzindo centenas de tabletes cuneiformes. Além disso, Wiseman foi um sincero cristão evangélico.

Na parte 1, mencionamos o reino de Urartu e como suas conquistas enfraqueceram a soberania dos assírios na região. Somado à isso, um eclipse solar completo foi registrado durante o reinado de Assur-Dan III (772- 755 a.C.). Graças ao registro preciso dos escribas assírios podemos datar com segurança o dia desse evento: 15 de julho de 763 a.C. Eventos astronômicos eram carregados de significado para os moradores da antiga Mesopotâmia. Uma série de tabletes conhecidos como Enuma Anu Enlil ofereciam diversas possibilidades de eventos que tomariam lugar após uma eclipse dessa natureza:

“O rei será deposto e um desprezível indivíduo tomará posse do trono”;

“O rei morrerá; chuva do céu inundará toda a terra. Haverá fome”;

“Uma divindade ferirá o rei e fogo consumirá a terra”;

“As muralhas da cidade serão destruídas”.

Esses dois eventos, ameaça de Urartu, e o eclipse solar de 763 a.C. são importantes porque ambos ocorreram durante o reinado de Jeroboão II, rei de Israel, contemporâneo do profeta Jonas (cf. 2 Reis 14:25). Foi nesse período de fraqueza do poderoso império assírio que Jonas foi enviado por seu Deus para dar uma mensagem de arrependimento e/ou condenação para a cidade de Nínive, que nessa época ainda não era a capital do império assírio.

Com uma ameaça às portas do império e um evento carregado de significado negativos, os moradores de Nínive estavam mais receptivos para ouvir um mensageiro divino.

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Um dos vários portais de Nínive. Suas ruínas na cidade de Mosul, no Iraque, território este sob domínio do Estado Islâmico.

(Contexto Histórico do Antigo Testamento)

Jeroboão II, Jonas e os assírios – parte 1

“No décimo quinto ano do reinado de Amazias, filho de Joás, rei de Judá, Jeroboão, filho de Jeoás, rei de Israel, tornou-se rei em Samaria e reinou quarenta e um anos. Ele fez o que o Senhor reprova e não se desviou de nenhum dos pecados que Jeroboão, filho de Nebate, levara Israel a cometer. Foi ele quem restabeleceu as fronteiras de Israel desde Lebo-Hamate até o mar da Arabá, conforme a palavra do Senhor, Deus de Israel, anunciada pelo seu servo Jonas, filho de Amitai, profeta de Gate-Héfer.” (2 Reis 14:23-25) #rpSp

Durante a primeira metade do século 8 a.C., os reis Jeroboão II de Israel e Uzias/Azarias de Judá expandiram seus territórios de maneira significativa (2 Reis 14:23-29; 2 Crônicas 26:1-15). A expansão foi uma consequência direta da ausência de reis assírios na região, que nessa época estavam ocupados com as fronteiras do norte do império, lutando contra o reino de Urartu, localizado basicamemte na área que hoje corresponde a Armênia e territórios adjacentes do leste da Turquia (Lago Van), noroeste do Irã (Lago Urmia) e uma pequena porção do norte do Iraque. Urartu, ou Biai, é conhecido no Antigo Testamento como “terra de Ararate”, a região onde os filhos do rei assírio Senaqueribe fugiram depois que eles o mataram (2 Reis 19:37, Isaías 37:38).

As informações escassas sobre o reino de Urartu disponíveis até agora são principalmente de fontes assírias. Segundo elas, essa nação desempenhou um papel significativo na região do 9º ao 6º séculos a.C. O rei assírio Shalmaneser III (859-824 a.C.) se vangloriou da destruição da capital de Urartu, Arzashkun, durante sua campanha em 857 a.C. No entanto, alguns anos depois de sua morte este cenário mudou, quando o império Assírio experimentou um período de oscilação na sua hegemonia, devido a disputas internas. Isso deu oportunidade para Urartu se fortalecer, o que culminou na vitória de seu rei Sarduri II sobre o governante assírio Assur-Nirari V (754-745 a.C).

O que isso tem a ver com Jeroboão de Israel? Muita coisa! A situação política entre estes dois poderes teve um impacto direto nos territórios israelitas e de Judá. Os achados arqueológicos de Samaria, a capital israelita naquele tempo, demonstram a riqueza da nação. Ironicamente, foi neste contexto que profeta Amós levantou sua voz contra a pobreza espiritual de Israel e Judá (Amós 1:1). Além disso, também foi durante o tempo de Jeroboão II que Jonas foi enviado pelo Senhor para pregar aos ninivitas da Assíria (Jonas 1: 1; 2 Reis 14:25), que estavam atemorizados com a constante ameaça de Urartu.

Em resumo, a prosperidade de Israel e Judá no início do século 8 está relacionada, em certa medida à ascensão e poder do reino de Urartu.

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(Contexto Histórico do Antigo Testamento)

O libertador de Israel em 2 Reis 13

“O Senhor providenciou um libertador para Israel, e eles escaparam do poder da Síria. Assim os israelitas moraram em suas casas como anteriormente.” 2 Reis 13:5 #rpSp

Apesar do texto bíblico não identificar aquele que libertou Israel das mãos dos sírios (arameus), um indivíduo que se encaixa bem nesse período é o rei assírio Adad-Nirari III. Ele foi contemporâneo de Joás de Israel e suas campanhas contra os Arameus de Damasco sem dúvida trouxeram alívio militar para os israelitas. Se ele de fato foi o libertador que o texto menciona, essa não foi a única vez que Deus usou um rei estrangeiro para satisfazer seus propósitos para Seu povo. Nabucodonosor de Babilônia e Ciro da Pérsia são exemplos clássicos para ilustrar esse fato.

Quem foi Adad-NirarI III? Após a morte de Shalmaneser III, que recebeu tributo de Jeú de Israel, o império assírio enfrentou um período sem grandes ambições militares e políticas.

Esse quadro mudou com a chegada de um novo rei. No ano 796 a.C., o rei Adad-Nirari III, neto de Shalmaneser III, liderou o exécito assírio em diversas campanhas na região da Media, Sidon, Tiro, Edom e Damasco. Nessa ocasião, Israel novamente pagou tributo a um governante assírio. No documento comemorativo (estela) descoberta em Tell al-Rimah, atual Iraque, em 1967, Adad-Nirari III afirma ter recebido tributo de “Joás, o samaritano” (Yu-‘a-su KUR.Sa-me-ri-na-a).

Após a morte de Adad-Nirari III, o império assírio foi assombrado por uma grave crise que durou algumas décadas. Tal crise é importante para entender o contexto histórico de um livro bem conhecido do Antigo Testamento: o livro do profeta Jonas. 

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Rei Adad-Nirari III, da Assíria, libertador de Israel

(Contexto Histórico do Antigo Testamento)

O reinado de Acabe, rei de Israel

Acabe reinou sobre Israel após a morte de seu pai Onri. Politicamente falando Acabe, foi um grande rei para aquele território. 1 Reis 22:39 menciona a “casa de marfim” de Acabe, um tipo de mobília trabalhada em marfim muito comum entre famílias abastadas na região do antigo oriente (Síria, Palestina e Assíria) naquela época. Tal menção fortemente sugere que o reinado de Acabe foi marcado por um um certo período de prosperidade em Israel, pelo menos para algumas famílias. As vitórias sobre os arameus (sírios) de Damasco, registradas em 1 Reis 20:1-43, também corroboram com esse período de prosperidade e poderio militar.

Por outro lado, seu reinado é conhecido entre leitores das Escrituras principalmente por causa de histórias envolvendo o profeta Elias e suas duras mensagens contra o monarca e sua malévola esposa Jezabel, não pelas proezas políticas e militares do monarca.

Mesmo diante de tamanha prosperidade, o autor bíblico o retratou de acordo com suas ações espirituais: “Acabe, filho de Onri, fez o que o Senhor reprova, mais do que qualquer outro antes dele.” (1 Reis 16:30).

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Selo fenício de Jezabel (yzbl)

Apesar de constantes batalhas contra seus vizinhos arameus (sírios) de Damasco, o autor bíblico parece ter selecionado eventos da vida e reinado de Acabe que o retratassem como um rei fraco. Isso pode ser visto especialmente em 1 Reis 21, na história envolvendo a vinha de Nabote. E de fato, do ponto de vista espiritual Acabe foi um rei fraco.

Mas é curioso ver como outros monarcas o enxergavam. Em 853 a.C., vários reis do antigo oriente se rebelaram contra os assírios, que nessa época estavam sendo governados por Shalmaneser III. Os exércitos se enfrentaram na cidade de Qarqar, atual Síria e apesar de inúmeros textos assírios clamarem vitória, o fato de Shalmaneser III ter uma atenção redobrada por seis anos naquela região demonstra que a batalha de Qarqar não teve o resultado que ele esperava.

Entre os vários reis e suas tropas, Acabe aparece como o segundo mais poderoso de todo grupo, tendo uma infantaria de 10 mil soldados e um contingente de 2 mil carruagens de guerra. Essa informação vem de um documento assírio comumente referido como Estela de Kurkh, não de um escriba israelita fazendo uma propaganda política de Acabe. Do ponto de vista geopolítico, esse pode ter sido o evento mais importante do governo desse rei israelita. No entanto, o autor bíblico deliberadamente escolheu não mencioná-lo, já que Acabe estava longe daquilo que Deus esperava de um rei (ver Deuteronômio 17).

Como diz o texto de 1 Samuel 16:7, “O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração”. Acabe podia até ser um grande líder militar mas sua devoção ao Deus de Israel estava longe de ser exemplar.

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Estela de Kurkh, documento de Shalmaneser III onde Acabe e seu exército são mencionados. Atualmente essa estela pode ser vista no Museu Britânico, em Londres.

(Contexto Histórico do Antigo Testamento)

Sacrifícios humanos em 2 Reis 3

“Quando o rei de Moabe viu que estava perdendo a batalha, reuniu setecentos homens armados de espadas para forçar a passagem, para alcançar o rei de Edom, mas fracassou. Então pegou seu filho mais velho, que devia sucedê-lo como rei, e o sacrificou sobre o muro da cidade. Isso trouxe grande ira contra Israel, de modo que eles se retiraram e voltaram para sua própria terra.” 2 Reis 3:26-27 #rpSp

Cena da destruição da cidade de Ascalom pelo faraó Merneptah, filho de Ramsés II, em Karnak, no Egito. Enquanto os egípcios atacavam a cidade, seus habitantes erguem as mãos para o céu em sinal de súplica a divindade local.

Ao que parece, duas crianças estão sendo atiradas dos muros de Ascalom. Uma delas (à direita) aparentemente está tendo sua garganta cortada. Qual o objetivo? Quem sabe invocar uma divindade e também para amedrontar o exército inimigo e com isso fazê-los desistir da batalha, assim como na história de 2 Reis 3.

Quando Messa, rei de Moabe, percebeu que a batalha contra Israel e Judá estava sendo perdida, ele sacrificou seu filho sobre o muro da cidade de Quir-Haresete. Tal prática teve um efeito psicológico nos soldados de Israel e Judá que abandonaram a batalha (2 Reis 3:26-27). Messa deve ter considerado isso como uma vitória do seu deus moabita Qemos.

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(Contexto Histórico do Antigo Testamento)